José Pereira Coutinho acusa Gabinete de Ligação de favorecer Jorge Neto Valente  

 

O Gabinete de Ligação do Governo Central promoveu um jantar com as comunidades portuguesa e macaense. Durante o evento, Jorge Valente, membro da lista encabeçada por Melinda Chan, proferiu um discurso. O deputado e candidato José Pereira Coutinho, que não foi convidado, acusa o Gabinete de Ligação de favorecimento. Jorge Valente nega qualquer tratamento preferencial.

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João Santos Filipe

O deputado José Pereira Coutinho acusa o Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau de favorecer o candidato Jorge Neto Valente, que integra a candidatura à Assembleia Legislativa encabeçada por Melinda Chan. Em causa está um jantar organizado pelo Gabinete de Ligação, na semana passada, em que Jorge Neto Valente foi convidado a discursar.

Nem José Pereira Coutinho, nem Rita Santos, mandatária da lista afiliada à Associação dos Trabalhadores da Função Pública e Conselheira das Comunidades Portuguesas, foram convidados para o certame, apesar de normalmente participarem nos jantares do Gabinete de Ligação.

A denúncia foi feita, ontem, por José Pereira Coutinho, ao PONTO FINAL: “O próprio Governo Central, através do Gabinete de Ligação, até já reuniu, na semana passada, com os membros da comunidade portuguesa –  à excepção da minha pessoa e da Rita Santos, que não fomos convidados –, solicitando que a nata da comunidade portuguesa votasse no Jorge Valente”, defendeu o deputado. “A participação cívica dos mais jovens na política é um dos pontos do nosso programa. Mas acho que as eleições têm de ser justas. Recebi muitos telefonemas de pessoas que ficaram muito incomodadas pelo Governo Central intervir [nas eleições], arranjando um jantar à porta fechada, convidando a ‘nata’ a votar no Jorge [Valente]. Acho que isto é injusto”, apontou.

O PONTO FINAL contactou o Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, que não quis comentar o assunto.

 

Jorge Neto Valente nega favorecimento

 

Por sua vez, Jorge Neto Valente, membro da lista da deputada Melinda Chan, negou ser alvo de qualquer tratamento preferencial: “Que eu saiba eles [Gabinete de Ligação] fazem jantares todos os dias. Não vi nada fora de série ou de espantar [no jantar]. O meu espanto é haver queixas”, disse, ontem, ao PONTO FINAL, o filho do advogado com o mesmo nome.

O jovem candidato ao escrutínio eleitoral de 17 de Setembro próximo admitiu ter discursado durante o jantar, como faz em vários jantares em que é convidado: “Não percebo as queixas. Hoje [ontem] vou estar num jantar tenho um discurso, e amanhã [hoje] tenho outro, no qual o discurso vai ser muito semelhante. Não tenho tido queixas”, frisou. “Creio que se fosse uma coisa que fosse além do aceitável, o CCAC [Comissariado Contra a Corrupção], ou as outras instituições, tinham vindo falar comigo. Neste momento não podemos fazer campanha eleitoral, como se sabe, mas nada nos impede de ir a jantares e fazer discursos”, complementou o também presidente da Associação dos Jovens Macaenses.

Sobre o conteúdo das palavras proferidas, Jorge Valente explicou que focou os temas que tem abordado nos últimos anos: a importância das línguas oficiais de Macau e o apoio às pequenas e médias empresas.

No evento estiveram várias personalidades de vulto da comunidade, como a presidente da Casa de Portugal, Amélia António, o presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses e da Associação dos Macaenses, Miguel de Senna Fernandes, o presidente do Conselho das Comunidades Macaenses, José Sales Marques e ainda o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Macau, António José de Freitas.

 

Amélia António nega acção de promoção

 

Ao PONTO FINAL, Amélia António confirmou a presença no jantar, mas defendeu que tudo decorreu dentro da normalidade, sem que houvesse promoção de qualquer espécie. A presidente sublinhou ainda a neutralidade da Casa de Portugal.

“Nestes jantares há o hábito das pessoas se cumprimentarem, mas uns são mais extrovertidos e outros menos, mas não acho que haja nada de anormal. Não acho que se possa considerar uma acção de promoção”, explicou a presidente da Casa de Portugal.

Já Miguel de Senna Fernandes confirmou a existência de um discurso, mas explicou que não considera que esse tenha sido o propósito do jantar. O presidente da APIM e da ADM garantiu ainda que as duas associações mantem uma postura neutra face às eleições legislativas: “Foi um jantar no qual aparecem as pessoas que normalmente aparecem nos jantares do Grupo de Ligação”, contou Miguel de Senna Fernandes, que sublinhou ter aceite o convite “por cortesia” porque considera “ser uma honra ser convidado pelo Gabinete de Ligação.

“Jorge Neto Valente discursou, mas não foi sobre a lista dele. Na minha sensibilidade ele não estava a fazer campanha eleitoral. Ele não iria correr um risco tão infantil, ainda por cima pondo em causa o próprio Gabinete de Ligação”, defendeu Miguel de Senna Fernandes.

 

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