C.S.I: Crime Série Ilustrada

As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

 

Turismo de engate

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Técnico de telecomunicações de profissão, O. pensava que já tinha visto de tudo na Internet. Mas na sexta-feira passada, enquanto brincava no WeChat, conheceu uma bela mulher que disse prestar um serviço diferente, a que chamava “acompanhamento turístico”. Para quem nasceu e passou em Macau os seus 33 anos de vida, revisitar os monumentos do Património da UNESCO nunca pareceu um programa de fim-de-semana suficientemente interessante para lhe arrancar ao conforto do sofá. Mas se fosse para ouvir as explicações históricas dos monumentos dos lábios sensuais de uma guia turística com tudo no sítio, a coisa mudava de figura.

No dia seguinte, recebeu uma mensagem surpreendente da mesma mulher: “Estou cansada de trabalhar hoje. Não gostavas de sair para tomar um copo?”, terá sido a proposta da sedutora, que a seguir explicou que era preciso pagar a reserva do serviço à mesma, para que ela pudesse sair antes do fim da sua jornada de trabalho. O. achou uma excelente ideia até porque, alegadamente, bastava guardar o recibo que depois ela lhe devolvia o dinheiro. Saiu de casa a correr para comprar numa loja de conveniência o cartão de recarga para jogos, no valor de 1300 patacas, cujo código enviou de seguida para concluir a transferência.

Pouco depois, recebeu uma chamada e pensava que era ela a combinar o local do encontro. Mas, para sua surpresa, no outro lado da linha, um homem dizia ser o patrão da empresa, e explicava que, além da reserva efectuada, era preciso pagar uma caução, uma garantia para o caso de ele ser um agente da polícia disfarçado. O. achou essa explicação suficientemente razoável para ir comprar mais cartões de transferência de dinheiro, desta feita não um, nem dois… mas 23 cartões, num valor total de mais de 30 mil patacas. Acontece que, após ter concluído mais esse depósito, voltou a ser contactado pelo sujeito, que vinha com uma desculpa para pedir ainda mais dinheiro. Foi aí que começou a desconfiar e resolveu apresentar queixa na Polícia Judiciária, que está a investigar este caso de burla.

O Avô Pastilhas

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Com mais de 50 anos, bem se podia dizer que V. tinha idade para ter juízo. Mas teria? Aos olhos dos agentes da Polícia de Segurança Pública que faziam uma patrulha anti-crime pela Avenida Almeida Ribeiro na sexta-feira passada, assim não parecia. Embora o desempregado da República Popular da China tivesse os documentos de identificação em ordem, o seu ar inquieto levou a polícia a proceder a uma revista: nos seus bolsos, foram encontrados seis comprimidos de Maku Mucolyticum – um medicamento proibido, pelos seus efeitos narcóticos – e ainda quatro saquinhos plásticos contendo metanfetaminas (“ice”) e pesando 4,84 gramas.

Interrogado pelos agentes, V. confessou ter obtido o material de um homem que conheceu do outro lado da fronteira, há dois meses, e que lhe pagava 150 patacas de cada vez que trazia para Macau um carregamento de estupefacientes. O suspeito admitiu tê-lo feito já várias vezes. Desta última, chegou na quarta-feira e realizou, no dia seguinte, duas entregas a uns contactos indicados. A polícia deu com ele quando ia fazer a terceira.

Revistada a sua residência na Rua de Bruxelas, foram encontrados mais dois comprimidos de Maku e 11 saquinhos de “ice” pesando um total de 14 gramas, além de um papelinho com vestígios do anestésico cetamina. Além do mais, V. foi submetido a testes que revelaram o consumo de substância proibidas.

WeChatice

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O mundo parecia ter enlouquecido quando, no sábado passado, o telefone de G., uma residente de Macau de 35 anos, não parou de tocar. Eram familiares e amigos, a perguntar se a sua conta de WeChat tinha sido invadida. E explicavam ter recebido dela mensagens a pedir dinheiro emprestado. Surpreendida, garantiu a todos que não o tinha feito e tratou de ir verificar o que se passava com a sua conta naquela aplicação de telemóvel. Mas, para seu espanto, não conseguiu aceder com a sua palavra-chave.

Insistiu por várias vezes, até que, finalmente, conseguiu fazer o login. Foi verificar as suas últimas conversas e, de facto, havia uma série delas a pedir dinheiro aos seus contactos, incluindo um diálogo com um amigo que pareceu ter acreditado no logro e transferido três mil yuans (3500 patacas) através do próprio WeChat. Tratou de ligar ao conhecido em causa para esclarecer a situação e confirmar que a sua conta tinha sido invadida por burlões informáticos. G. devolveu o dinheiro ao amigo e tratou de apresentar queixa na Polícia Judiciária, que está a investigar este e outros três casos semelhantes de burla registados este fim-de-semana em Macau.

Teimosia redentora

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Como tantos apostadores que vêm a Macau tentar a sua sorte nos casinos, B., de 31 anos, recorreu aos serviços de um agiota para conseguir uma bolada para jogar. Recebeu 50 mil dólares de Hong Kong (51,5 mil patacas) de um homem que conheceu numa sala VIP de um casino na ZAPE. Desses 50 mil, teve de pagar logo à entrada três mil referentes a juros, e posteriormente 20 por cento de cada aposta ganha, além de ter sido obrigado a assinar uma nota de dívida e ceder a posse dos seus documentos de identificação e de viagem.

Como é também habitual neste tipo de caso, perdeu tudo e acabou por ser aprisionado num quarto de hotel na zona. Indignado, negou-se a pagar o que devia e resolveu reconquistar a liberdade na base da teimosia. Convencido de que B. não ia dar o braço a torcer, o agiota deixou-o sair no dia seguinte, por volta das 11h, mas ficou-lhe com os documentos. A vítima não quis deixar o caso por aí e dirigiu-se na mesma noite à Polícia Judiciária para apresentar a queixa que levou à detenção do suspeito, de 50 anos, indiciado por agiotagem e apreensão de documento alheio.

 

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