Au Kam San e Ng Kuok Cheong, uníssonos na apresentação de candidaturas independentes  

 

Os deputados Ng Kuok Cheong e Au Kam San entregaram ontem as assinaturas necessárias à formalização das respectivas candidaturas ao escrutínio para a  Assembleia Legislativa. Com eles, estiveram alguns dos membros que integram as duas listas, cujo alinhamento ainda não está finalizado. Ao PONTO FINAL, Ng assumiu que o sufrágio directo e o acesso à habitação estão entre os temas que vão atravessar o seu discurso de campanha.

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Sílvia Gonçalves

Au Kam San e Ng Kuok Cheong, que lideram duas candidaturas independentes, formalizaram ontem – com a entrega, cada um, de 500 assinaturas – o pedido de reconhecimento de constituição de comissão de candidatura. Ao PONTO FINAL, Ng Kuok Cheong, que encabeça a lista Associação de Próspero Macau Democrático, disse não se ver como um líder e assumiu que se vai bater durante a campanha eleitoral pelo sufrágio directo e ainda pelo acesso da população à habitação. Na lista que encabeça, assegurou, estarão contemplados vários grupos etários, numa tentativa de enquadrar diferentes vozes da sociedade.

“Queremos comprometer-nos com a sociedade. Sinto que nos dias de hoje com a globalização, e também em Macau, Hong Kong e Ásia, entramos numa outra era, uma era fragmentada. Tornamo-nos fragmentados. No entanto, assumo a fragmentação, não sou um líder especial. Nós tentamos tornar-nos fragmentos para nos juntarmos a esta época, para ganhar a eleição, para dar informação ao público. Eu não sou um líder, sou só um fragmento, ainda que ele [Au Kam San] seja um melhor fragmento (risos)”, responde Ng Kuok Cheong ao PONTO FINAL, quando questionado sobre a opção tomada pelos dois candidatos pró-democratas de se apresentarem no escrutínio para a Assembleia Legislativa em listas separadas.

Já sobre o programa político que ditará o tom da sua candidatura, Ng Kuok Cheong hesita em avançar com revelações, mas consente em elencar os pontos fundamentais: “Claro que me vou bater para que o Chefe do Executivo e a Assembleia Legislativa sejam escolhidos em eleições directas no futuro. Podemos cooperar com a China, mas podemos governar-nos. Devemos desenvolver a nossa democracia em Macau, e também os terrenos, a habitação. Nós reivindicamos que Macau tem limitações na compra de habitação, assim sendo, tem que haver um mecanismo de longo prazo para os residentes de Macau, para a habitação. Essa é a política que vamos transmitir às pessoas durante a eleição, mas ao mesmo tempo queremos concorrer enquanto fragmentos”, reiterou.

A seu lado está Au Kam San, que lidera a lista Associação de Novo Movimento Democrático, a demonstrar que a separação formal de candidaturas não representa um afastamento nos princípios e propósitos com que ambos se lançam novamente à arena política. A opção por listas independentes constitui uma forma de disseminar a mensagem numa sociedade que está, considera Ng Kuok Cheong, cada vez mais desagregada. O deputado e candidato à Assembleia Legislativa regressa a uma metáfora infinitas vezes repetida: “Eu aceito que esta sociedade hoje em dia não é pluralista. Mais do que pluralista, tornou-se fragmentada. É só um pedaço de fragmento, hoje, Macau, Hong Kong e Taiwan. Estamos separados, parece que a comunicação social se tornou subsidiária dos media da internet. Assim sendo, o ambiente está completamente estranho”, defende.

O deputado da ala pró-democrata rejeita uma campanha que impõe o litígio entre as partes, defendendo que é na pluralidade de visões que se pode efectivar o avanço: “A legislação, a terra, a habitação para a população de Macau, são as nossas principais políticas. Mas ao mesmo tempo queremos dizer aos nosso amigos em Macau que vemos o que acontece em Hong Kong. Em Hong Kong os nossos amigos também estão separados em diferentes forças e condenam-se uns aos outros, separam-se. É a mudança dos tempos. Assim sendo, a visão pública torna-se fragmentada. O nosso objectivo é resolver esta situação, não queremos ganhar alguma coisa ao condenar outros fragmentos, queremos criar uma ideia especial e melhorar a sociedade”.

E espera o fundador da Associação Novo Macau ser apoiado pelo organismo que ajudou a criar? “Penso que a Novo Macau deve ter 100 por cento de força para participar na competição, comigo e com Au Kam San. Eu não encorajo a que nos condenemos uns aos outros, devemos ter uma boa competição entre nós e criar algumas melhorias para Macau”, defende.

Com Au Kam San, apresentou-se ontem no edifício da Administração Pública o número dois da sua lista, Chan Kuok Seng. Já Ng Kuok Cheong fez-se acompanhar do número três da candidatura que lidera, Lei U San, e ainda do número quatro, Wu Wa In. Os restantes elementos de uma e de outra lista estão ainda por definir: “Serão pelo menos seis pessoas, mas ainda precisamos de confirmar”, explica Ng Kuok Cheong ao PONTO FINAL.

Perante a evidente juventude dos elementos já designados, Ng reage assim: “Nós queremos dizer às pessoas que toda a sociedade está aqui. As pessoas mais velhas, pessoas mais jovens, pessoas de meia-idade, todos juntos em alegria. Cada idade tem o direito de se juntar e participar no mundo e também em Macau”, conclui o deputado.

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