C.S.I: Crime Série Ilustrada

As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

Monge rendido ao pecado

CSI1715_1.jpg

Era uma tarde de sexta-feira como outra qualquer, mas algo de diferente se passava no cruzamento da Avenida da Praia Grande com a Calçada dos Quartéis. No epicentro da curiosidade dos transeuntes, que iam parando para ver, estava um velho monge budista, que lia a mão e a face a um homem de cerca de 40 anos.

A seguir, o religioso disse-lhe meia dúzia de coisas, que o homem confirmou com ar espantado, e entregou-lhe um papelinho com umas frases auspiciosas: “Ele é mesmo bom! Adivinha mesmo!”, exultava o cliente satisfeito, contaminando de entusiasmo as pessoas que assistiam. Menos crédulos mostraram-se dois agentes da Polícia de Segurança Pública que por ali passavam, integrados numa operação anticrime, e observaram tudo.

O saco do monge foi revistado e continha 19 pingentes em forma de Buda, quatro amuletos e 10 papelinhos com frases em chinês. Interrogado pelos agentes, o pseudo-adivinho lá contou a sua história. Oriundo da China Continental, o monge de 60 anos chegou na véspera a Macau para… (alguém adivinha?) jogar nos casinos. Perdeu todo o dinheiro que trazia, mas ganhou um amigo: um outro azarado que também tinha saído “esfolado” das mesas de jogo. A dupla combinou o plano que estava a pôr em prática quando a polícia apareceu: o monge “adivinhava” coisas previamente combinadas com o falso cliente, que se fingia  rendido aos seus dotes de oráculo, persuadindo outras pessoas a experimentarem. O monge aproveitava para vender os seus objectos da sorte por 100 yuans (118 patacas) cada. Os lucros seriam repartidos em partes iguais pelos dois.

O caso do monge batoteiro que simulava adivinhar o futuro e do seu alegado cúmplice (que insistiu em negar o envolvimento na marosca) foi enquadrado como crime de violação dos regulamentos do trabalho e remetido à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) para acompanhamento.

O plano infalível

CSI1715_2

Croupier num casino do Cotai, B. tinha um plano, que considerava à prova de bala, e que desde Abril vinha pondo em prática com o amigo J., desempregado. O dealer ia trabalhar normalmente e o comparsa aparecia sempre como se fosse um apostador comum, a querer trocar dinheiro por fichas. Os dois fingiam não se conhecer e J. entregava o dinheiro suficiente para comprar 10 fichas de jogo, mas recebia em troca 11 ou 12.

Com tanta gente a apostar no casino ao longo de uma noite, tornava-se difícil à equipa de segurança, mesmo com recurso ao sistema de videovigilância, detectar a falcatrua. Mas tantas vezes os dois procederam à trapaça que acabaram mesmo por ser descobertos. Desde Abril, a dupla terá executado o truque por 115 vezes. A equipa de segurança encarregada de observar as imagens de vídeo começaram a achar estranho que aquele apostador, que ia ao casino com tanta frequência, fosse trocar as fichas sempre à mesma mesa.

De acordo com B., o esquema terá rendido um total de 240 mil dólares de Hong Kong (247 mil patacas), mas C. fala em apenas 100 mil dólares de Hong Kong (103 mil patacas). O casino e a Policia Judiciária estão ainda a tentar apurar o verdadeiro montante.

Paciência de jade

CSI1715_3

O comércio de jóias de jade é a especialidade de M., que costuma apontar a sua mira para a clientela de alta classe. Na manhã de anteontem, recebeu num hotel do NAPE um grupo de três potenciais clientes que se apresentaram como empresários riquíssimos. Pacientemente, foi exibindo amostras das suas peças e um deles mostrou-se bastante interessado no produto.

O homem escolheu cinco jóias que custavam ao todo 2,15 milhões de yuans (2,53 milhões de patacas) e os cifrões devem ter tilintado aos ouvidos de M., que deve ter sentido dificuldade em disfarçar o contentamento pela perspectiva de concluir um negócio tão chorudo. O cliente, no entanto, disse precisar de algumas garantias e pediu para mostrar as peças a uma especialista em jade, para confirmar a qualidade do produto.

M. não viu razões para duvidar da idoneidade de um cidadão tão distinto e acedeu ao pedido. Deixou que o homem levasse as jóias e ficou no hotel à espera que voltasse com o pagamento. Esperou pacientemente até às 22h, quando as dúvidas que foram surgindo recomendaram que apresentasse queixa à polícia. A Polícia Judiciária está a investigar este caso de burla.

Imaginação violenta

CSI1715_4.jpgT. passeava tranquilamente por um jardim no NAPE quando foi abordado por três homens mal-encarados. Um deles mostrou-lhe mesmo uma faca, convencendo-o a acompanhá-los até um silo automóvel. Alí, ataram-lhe as mãos e taparam-lhe a boca com fita adesiva. E roubaram os 60 mil dólares de Hong Kong (61,8 mil patacas) em dinheiro que levava consigo.

Foi assim que T. relatou à Polícia Judiciária o que lhe tinha acontecido. Os investigadores levaram o homem ao local do crime, para que mostrasse como tudo aconteceu. Mas viram-no espalhar-se ao comprido nas incongruências da sua versão da história. Confrontado com as suas contradições, lá confessou aos agentes que, na verdade, tinha perdido o dinheiro a jogar no casino, mas não tinha coragem de contar à família. Achou que, registada em forma de queixa pela polícia, a sua história ganharia veracidade. Mas acabou por lhe valer, em vez disso, uma visita ao Ministério Público e uma acusação pelo crime de apresentação de denúncia falsa.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s