Documentários dão a conhecer Macau na região de Leiria  

 

Desde sábado que três município da região de Leiria estão a ser palco do cinANTROP, iniciativa que este ano coloca em destaque Macau e a República Popular da China. Bruno Gaspar, organizador do evento, é o responsável por levar as tradições e vivências do território às salas de cinema de Ourém, de Leiria e da Marinha Grande. O objectivo é construir uma ponte cultural entre Portugal e a China através de Macau.

Screen-Shot-2016-02-17-at-5.26.27-PM.png

O cinema documental “made in Macau” está desde sábado em destaque na quinta edição do cinANTROP – Festival Internacional de Cinema Documental e Etnográfico. Leiria, Marinha Grande e Ourém são os três concelhos da região centro de Portugal que recebem até dia 11 um conjunto de documentários e curtas-metragens que retratam Macau e que foram realizados por Joana Couto, por João Silva e Sara Pereira, com o apoio da Casa de Portugal. Em destaque, na edição de 2017 do cinANTROP vão estar também alguns trabalhos cinematográficos de António Caetano de Faria.

A residir no território há um ano, Bruno Gaspar, fundador e promotor do festival, conta que chegou até aos filmes que vão ser exibidos na região de Leiria através do mecanismo de “palavra passa palavra”: “Travando conhecimento com o que já tinha sido feito sobre o património de Macau, resolvi criar uma ponte cultural com Macau, Portugal e o mundo lusófono para conseguir mostrar o Ocidente ao Oriente e o Oriente ao Ocidente”, diz o também programador do cinANTROP.

Após um ano em Macau, o também cronista de viagens dá conta de um distanciamento e desconhecimento mútuo entre Portugal e o território. É esta falha que pretende colmatar ao levar até aos três municípios portuguesas documentários que espelham não só o quotidiano do território, como também as tradições que nem mesmo “os próprios residentes conhecem a fundo”, sublinha Gaspar.

“Olhar Macau” é o nome da série documental sobre o património material e imaterial do território produzida pela Casa de Portugal há quase uma década. A série inclui trabalhos de Joana Couto, Sara Pereira e João Silva. Os 25 minutos que compõem cada episódio são, para o programador, “a medida certa para desmistificar e aproximar o Ocidente ao Oriente”. Em exibição em Portugal vão estar sete filmes que dão a conhecer as histórias e os rituais por detrás de tradições como o Dragão Embriagado, as festividades da deusa Á-Má, o banho de Buda ou a festa de Na Tcha.

“Os Resistentes” de António Caetano Faria também serão exibidos em Portugal, dois anos após o projecto ter sido filmado pelo realizador português radicado na RAEM. Nesta série documental de 10 episódios, Faria dá a conhecer algumas práticas e profissões antigas que ainda sobrevivem na Macau actual. Em cinco minutos são contadas as histórias de um sapateiro que educou os filhos ao produzir os sapatos para a polícia, de um vendedor de amendoins ou de um restaurador de peças e mobiliário que aprendeu o ofício com o seu pai.

O mesmo realizador, juntamente com Carolina Neves Rodrigues, conta em “Time Travel” a epopeia a de um jovem que inste na descoberta de uma pescadora com quem se encontrou fortuitamente num mercado. Só quando voltou a ver a mulher em questão na televisão é que o jovem se decide a procurá-la, numa viagem que o leva até aos antigos bairros de pescadores de Macau, num mergulho pelo passado e pelo presente da indústria piscatória.

Parte integrante da programação deste ano do cinANTROP é também um conjunto de reportagens de João Pimenta e Wei Wang pela China: a viagem de uma chinesa até casa durante o Ano Novo Lunar,  a maior fábrica de bíblias do mundo localizada na China ou as previsões de um mestre chinês para o novo ano do Galo são as histórias que os jornalistas levam até Portugal.

“Enquanto cronista de viagens, à medida que fui viajando pela China começou-me a surgir essas hipóteses de poder exibir alguns trabalhos que têm sido feitos por portugueses que residem na China continental para vincar essa ponte cultural e de amizade que existe entre Macau e Portugal e consequentemente o mundo lusófono”, explica Bruno Gaspar.

 

CVN

 

 

 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s