Juliana Devoy cria grupo para que todas as crianças tenham direito a uma família

Já tem alguns meses, mas apenas ontem foi anunciado pelo Centro Bom Pastor um grupo que pretende consciencializar a sociedade para a realidade da adopção, enquanto alternativa à institucionalização das crianças. A primeira iniciativa do “Children’s Adoption Action Group”, uma mesa-redonda, está agendada para 11 de Novembro  e vai juntar especialistas e pais adoptivos numa partilha de experiências.

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Sílvia Gonçalves

silviagoncalves.pontofinal@gmail.com

 

O Centro Bom Pastor apresentou ontem, Dia Mundial da Criança, um novo grupo de consciencialização e acompanhamento que tem como propósito voltar as atenções para o direito de todas as crianças a terem uma família. O “Children’s Adoption Action Group”, com um núcleo duro de seis elementos, vai organizar, a 11 de Novembro, uma mesa-redonda na Fundação Rui Cunha, com especialistas e pais adoptivos, que vão partilhar histórias com o propósito de alcançar uma maior abertura perante a adopção, enquanto alternativa à institucionalização das crianças.

“Com diferentes pessoas que conheci, formamos um grupo de cidadãos preocupados. Não é um grupo registado, nem nada disso. É um grupo de pessoas interessadas no tema e que sentem que é tempo de actualizar todo o processo de adopção aqui em Macau. Estamos focados não só na adopção ‘per se’, mas também no direito de todas as crianças a ter uma família, a crescer numa família”, enquadra Juliana Devoy, ao PONTO FINAL.

A directora do Centro Bom Pastor salienta a necessidade de “ter um plano de acção e seguir em frente”. Depois de algumas sessões, o grupo, constituído “nos últimos meses”, decidiu que “o mais importante a fazer é aumentar a consciencialização”. Os primeiros passos estão já delineados: “Vamos reunir informação de diferentes países nas proximidades, sobre como é o seu processo de adopção. Estamos a reunir informação sobre as leis em Macau relacionadas com a adopção”, explica.

A primeira acção pública do colectivo tem já data fixada na agenda: “Estamos a organizar um evento que terá lugar em Novembro, porque a 9 desse mês é o Dia Mundial da Adopção. Escolhemos a data mais próxima possível, 11 de Novembro, para ter uma mesa-redonda”.

Aberta ao público, a sessão na Fundação Rui Cunha terá como oradores “advogados, sociólogos, assistentes sociais e alguns pais adoptivos, que vão partilhar as suas histórias sobre adopção, para ajudar as pessoas a perceber o quão importante é para as crianças terem famílias”, adianta a directora do centro, que recorda ainda ter recebido na instituição ao longo dos anos “92 mães solteiras que deram à luz, e 30 delas tinham menos de 18 anos”. “Por causa disso conhecemos muitas histórias”, assume Devoy.

A directora da instituição resume assim o trajecto que diz ter pela frente com o recém-formado colectivo: “Ainda há um longo caminho a percorrer, mas ao mesmo tempo penso que é possível fazer algo e ajudar as pessoas a reconhecer a importância de as crianças não crescerem numa instituição ou não serem entregues a familiares que não têm tempo, paciência ou a situação certa para criar uma criança”.

Juliana Devoy deu conta da percepção que ainda subsiste no território em relação à adopção: “Culturalmente, aqui as pessoas que adoptaram uma criança não querem que se saiba publicamente, não querem que os vizinhos saibam. O que não é uma maneira boa ou saudável de proceder. No entanto, em comparação com o passado, houve melhorias, um maior reconhecimento da importância da adopção para situações em que os pais biológicos não têm possibilidade de cuidar”.

A directora descreve um grupo de cariz informal cuja dimensão se tem vindo a ampliar: “No grupo principal somos seis, mas há muitos outros que só recentemente souberam do grupo e estavam ansiosos por juntar-se, portanto penso que se está a desenvolver. Há professores universitários, assistentes sociais, gente de diferentes sectores”, conta.

Devoy sublinha, contudo, que não é intenção do grupo assumir a função do Executivo: “O nosso objectivo é aumentar a consciencialização de que se a mãe não tem possibilidade de cuidar do seu filho, a melhor alternativa não é deixar a criança numa instituição, mas sim a adopção. Não vamos ajudar ninguém a adoptar, esse é o papel do Governo. Esperamos que mais pessoas entendam a importância de as crianças crescerem numa família”.

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