Governo de Lisboa e Alibaba em negociações para venda online de produtos portugueses

O Executivo português quer ver produtos “Made in Portugal” à venda na plataforma Alibaba. Ontem, à margem da cimeira sobre Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, Jorge Costa Oliveira, secretário de Estado da Internacionalização do Governo de Lisboa, anunciou que a AICEP está quase a fechar um acordo com o Grupo Alibaba para garantir a venda de produtos lusos na maior plataforma de comércio electrónico do mundo.

 

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Joana Figueira

A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) está actualmente a finalizar um acordo com uma entidade portuguesa que prevê a “criação de uma nova empresa” que tem como fim colocar produtos “Made in Portugal” nas duas principais plataformas online do Grupo Alibaba.

A informação foi ontem avançada por Jorge Costa Oliveira, secretário de Estado da Internacionalização do Executivo Português. O Governante sublinha o facto de que “cerca de metade das aquisições dos residentes” das zonas urbanas da China são realizadas através da Internet. Para Jorge Costa Oliveira, o comércio electrónico contorna as dificuldades sentidas por pequenas e médias empresas quando pretendem abrir lojas na República Popular da China: “Hoje, com a possibilidade de utilizar as plataformas online, a existência de centros físicos de distribuição e logística em diferentes zonas da China, é obviamente um complemento extraordinariamente importante”, defendeu. “Nós estamos, neste momento, através da AICEP, a finalizar um acordo com uma entidade portuguesa. Está feito em termos de criação de uma nova empresa e o embrião dessa empresa está a negociar com o grupo Alibaba para começarmos a colocar produtos de empresas portuguesas nas duas principais plataformas online do grupo, o Taobao e o Tmall”, explicou o governante português. O secretário de Estado da Internacionalização do Governo de Lisboa falou aos jornalistas à margem da Cimeira sobre a construção da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, um evento apoiado por empresas estatais chinesas que decorreu ontem no território.

Jorge Costa Oliveira adianta que o processo de constituição da empresa está praticamente fechado, ressalvando que a assinatura do acordo só será feita quando a operação estiver pronta para começar a ser concretizada: “Nestas coisas acho que é melhor ser prudente. O que é preciso é montar bem a operação e, evidentemente, não vamos de início ter muitas empresas. Isto é, precisamos é de ter uma série de empresas-âncora. E, sobretudo, precisamos de ter empresas que tenham escala porque (…) eu conheço vários casos em que alguém estava à espera que o ‘stock’ chegasse para seis meses e afinal em seis semanas foi-se”, afirmou.

 

O nicho do comércio electrónico continua em crescimento, tendo a população da China urbana atingido já os 771,16 milhões de pessoas, de acordo com os dados referenciados pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China referentes a 2015. Os números, no entender de Jorge Costa Oliveira, representam uma “oportunidade” face a um novo paradigma na forma de se fazer negocio: “Há cinco ou dez anos era impensável uma pequena ou média empresa de Portugal, ou de outro qualquer país, tentar abrir uma loja ou uma rede de lojas no Interior da China porque os custos fixos eram enormes e era uma aposta de enormíssimo risco”, defende o Governante.

 

O INTERESSE NO SECTOR AGRO-ALIMENTAR

 

Jorge Costa Oliveira destacou ainda o papel de plataforma entre Portugal e a República Popular da China que Macau tem desempenhado. O governante apontou o caso da indústria agro-alimentar, para a qual “já existe um centro de exposições e uma base de dados de fornecedores e importadores”, lembrando ainda que há “projectos entre várias partes do Interior da China e o Fórum Macau para criar centros de produtos de países de língua portuguesa”.

Declarado o interesse das autoridades de Lisboa em alguns desses centros, o secretário de Estado da Internacionalização do Executivo português destacou a zona de Tianjin, perto de Pequim, e de Guangzhou: “Porquê? Porque sendo zonas com serviços integrados, em princípio temos lá dentro as alfândegas e autoridades regulatórias e, portanto, a lógica do “one stop shop” [sistema de balcão único] facilitará a operação”, esclareceu Costa Oliveira.

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