GELMac celebra duas décadas com os olhos postos no futuro

As actividades de comemoração dos 20 anos do Grupo de Escuteiros Lusófonos de Macau (GELMac) culminam este sábado, com a organização de um jantar de gala numa unidade hoteleira do Cotai. Apesar do número de crianças e jovens que passaram pelo agrupamento ter oscilado ao longo das duas décadas, André Gonçalves, responsável pelo escutismo lusófono, faz um balanço “positivo” do percurso do organismo.

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Joana Figueira

 

É a única associação juvenil de matriz portuguesa do território e celebra este fim-de-semana duas décadas. O Grupo de Escuteiros Lusófonos de Macau (GELMac) está filiado no Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português  e, como tal, está particularmente voltado para as comunidades lusófonas de Macau: “Apesar de estar aberto a qualquer nacionalidade, geralmente está mais direccionado para os jovens falantes de língua portuguesa”, disse o responsável pelo agrupamento, André Gonçalves. Constituído actualmente por meia centena de jovens com idades compreendidas entre os 6 e os 22 anos, o Grupo de Escuteiros Lusófonos enfrenta na RAEM “uma grande dificuldade”: encontrar espaço em Macau para as actividades normalmente desenvolvidas em contacto com a natureza.

A exemplo do que acontece com o Corpo Nacional de Escutas, o GELMac tem como referência o método desenvolvido por Robert Baden-Powell, militar inglês que organizou o primeiro acampamento escutista em 1907, na Ilha de Brownsea, em Inglaterra. Estava fundado o Movimento Escutista, que rapidamente se alastrou por vários países do mundo. Macau foi, de resto, o local onde foram dados os primeiros passos do escutismo português em 1911, sendo que os seus impulsionadores – entre os quais o então governador Álvaro de Melo Machado – regressaram a Portugal para, em 1913, fundarem a Associação dos Escoteiros de Portugal. O Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Português Católico, do qual GELMac é filiado, foi fundado mais tarde, em 1923.

Tal como nos primórdios do escutismo mundial, o agrupamento de Macau desenvolve actividades ligadas sobretudo ao contacto com a natureza, nomeadamente a formação contínua de jovens para a vida no campo. A Ilha de Coloane surge como o único espaço disponível para a realização da maior parte das actividades promovidas pelo agrupamento, mas para os responsáveis pelo GELMac afigura-se cada vez mais pertinente encontrar alternativas ao território: “Vemos que é cada vez mais difícil encontrar espaços onde acampar. Nós conseguimos acampar em Coloane, temos a nossa sede, obviamente, onde a gente tem as nossas coisas, mas tentamos sempre diversificar indo, para Hong Kong, por exemplo, ou tentando ir com eles para acampamentos em Portugal, no Verão, para que eles também possam ver o que se faz lá”, explicou André Gonçalves.

 

Para além dos acampamentos regionais e nacional em Portugal, o GELMac já participou por várias vezes em iniciativas de amplitude global. O “Jamboree Mundial” realiza-se periodicamente, sendo que o último teve lugar no Japão, em 2015, e o próximo decorre em 2019, na Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos da América, numa organização conjunta das associações escutistas dos EUA, Canadá e México: “Estamos sempre a ponderar ir. Mas vai depender da logística, porque envolve muita logística. O Japão é aqui perto, os Estados Unidos já é um bocadinho mais longe”, afirmou o responsável pelo agrupamento.  “Nós, em geral, tentamos estruturar as coisas para que os pais possam contribuir inicialmente e, ao mesmo tempo, tentamos sempre pedir subsídios para tentar colmatar estes custos. Pode ser desde pedidos de financiamento ao Governo – que é o que temos feito regularmente – ou também pedir o financiamento a instituições privadas que queiram ajudar os escuteiros nas actividades, em particular as que têm um custo mais elevado”, acrescentou Gonçalves.

As actividades de comemoração dos 20 anos do Grupo de Escuteiros Lusófonos de Macau já arrancaram e culminam num jantar, amanhã, onde estarão presentes tanto os jovens escuteiros e respectivos pais, como também representantes de instituições privadas e organismos públicos que patrocinam e financiam as despesas e as actividades do grupo ao longo do ano. O GELMac faz parte da lista de associações juvenis inscritas na Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), que atribui um subsídio anual ao organismo.

No território, André Gonçalves, membro dos escuteiros do território há cinco anos e à frente do agrupamento desde Novembro último, destaca a flutuação no número das crianças e jovens que se juntam ao movimento: “Vamos tendo diferentes números de pessoas ao longo dos anos. Já tivemos 120, já baixámos, agora está estabilizado; mas temos crescido nos últimos anos. Macau, principalmente para as famílias mais recentes, não é um local de paragem durante muitos anos. Então nós sofremos muito com esta flutuação dos miúdos, que entram e saem”, apontou. André Gonçalves assinalou que, actualmente, o GELMac conta com um escuteiro filipino fluente no idioma de Camões.

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