CSI: Macau

As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

por Rodrigo de Matos

 

O mito da ladra perneta

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Sem grandes preocupações na vida, N. vive da fortuna que possui no seu Japão natal. Costuma passar longas temporadas em diferentes sítios, onde dá largas à sua paixão pelas viagens. Gastar disparates de dinheiro em lojas de artigos de luxo é o seu passatempo favorito. Em Macau desde Março, já juntou uma notável colecção de malas, sapatos, vestidos e outras “quinquilharias” fora do alcance do bolso do comum dos mortais.

No sábado, preparava-se para mais uma sessão de consumismo desenfreado num casino-resort do Cotai. Por volta do meio-dia, entrou num restaurante para tomar um café e ganhar energias para a dura batalha com as caixas registadoras das lojas de marca. Sentia-se cansada da farra da noite anterior e aproveitou o conforto dos assentos do restaurante para bater uma soneca.

Despertou pouco depois e notou que um dos seus pés estava descalço – apenas no outro restava um caríssimo sapato de salto alto da Prada. Imaginou que se tratasse de uma brincadeira do amigo e companheiro de viagem, pelo que voltou a cair no sono. Só quando acordou de vez é que viu que lhe faltava também um envelope com 130 mil dólares de Hong Kong – 134 mil patacas – que tinha na carteira. Se o Saci Pererê – mítica personagem do folclore brasileiro celebrizada nas obras infantis do escritor Monteiro Lobato e famosa por ter só uma perna e pregar partidas – fosse mulher e morasse em Macau, estaria certamente entre os suspeitos. Afinal, quem se daria ao risco de roubar apenas um sapato e ficar com o par incompleto? Não sendo o caso, a Polícia Judiciária terá de ir mais a fundo nas investigações para resolver este insólito crime de furto qualificado.

Num outro caso ocorrido no dia seguinte, uma jovem foi às compras com a família também nas lojas de marca de um casino-resort. Escolheu um monte de roupas para experimentar e dirigiu-se ao provador. Entrou na cabine e saiu repetidas vezes para mostrar aos parentes como as roupas lhe assentavam. No meio deste vaivém, alguém ter-lhe-á furtado a mala que deixara abandonada no provador e que valia 42 mil dólares de Hong Kong (43 mil patacas), contando com o seu conteúdo. Só deu por ela na hora de se dirigir à caixa para pagar. Mais um furto para a PJ investigar.

In vídeo veritas

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Operador de caixa há vários anos num supermercado de Macau, J. nunca tinha visto nada semelhante ao que se passou este fim-de-semana: a porta de vidro de um dos mostradores onde são arrumados alguns dos artigos que tradicionalmente provocam mais tentação nos gatunos estava escancarada, sem que nenhum dos colegas estivesse por perto.

Inquieto com o insólito cenário, tratou de ir alertar o seu superior, para que visse com os próprios olhos o que se passava. Mas ao regressar na companhia do supervisor, encontrou o armário novamente fechado: “Tu deves ter andado a beber!”, terá dito o céptico chefe antes de o acompanhar à sala onde podem ser visualizadas as gravações das câmaras de vigilância. As imagens, no entanto, confirmaram a versão do empregado.

Nelas foi possível observar o momento em que um indivíduo, ainda não identificado, entrou com ar decidido no supermercado, dirigindo-se a uma das caixas encerradas, tendo-se apoderado sem dificuldade ou hesitação da chave com que abriu o mostrador. A seguir, retirou de lá três garrafas de vinho e abandonou o estabelecimento na maior das calmas. A Polícia Judiciária está a investigar este caso de furto.

À pesca de infractores

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As operações “stop” pelas ruas de Macau costumam resultar em frutíferas pescarias de transgressores das regras de trânsito. Seja por não terem os papéis em dia ou por andarem a circular sob o efeito de álcool ou drogas, vários têm caído nas malhas da PSP. Este fim-de-semana, o epicentro da prevaricação esteve situado na Rua Manuel de Arriaga.

Na madrugada de domingo, o condutor de um motociclo pesado foi mandado parar por volta das 2h15 e não foi capaz de mostrar aos agentes a sua carta. Pudera! O documento estava apreendido por ter sido apanhado a conduzir em excesso de velocidade. Presente ao Ministério Público, L., de 40 e poucos anos, foi acusado de condução durante o período de interdição.

Na mesma operação “stop” e em menos de um minuto, a Polícia de Segurança Pública mandou parar um veículo ligeiro. O bafo a álcool não enganou e o teste do balão apenas confirmou as suspeitas: 2,02 gramas por litro de sangue. O condutor admitiu ter andado a beber antes de pegar no volante.

A farta colheita fez com que a polícia voltasse na noite seguinte à mesma rua e eram 2h20 quando o condutor de outra moto pesada chumbou no teste do balão, ao atingir os 1,92 g/l.

Epiritemia

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Parece ouro, mas não passa de pirite, o metal dourado conhecido como “ouro-dos-tolos”. Ao ler na imprensa local recorrentes casos de anéis falsos que têm sido descobertos nos últimos tempos em casas de penhores, A. – que é funcionário numa dessas lojas – convenceu o patrão a proceder a uma vistoria minuciosa aos artigos que ali estavam empenhados.

Passaram a pente fino anéis, pulseiras, colares, relógios e tudo passou no teste da autenticidade. Ou melhor, quase tudo. No meio de tantos artigos, lá encontraram uma “ovelha negra”: um anel de ouro de imitação.

Os registos mostram que o artigo contrafeito deu entrada na loja em Novembro do ano passado, trazido por um homem da China Continental, que recebeu por ele nada menos do que cinco mil patacas.

A Polícia Judiciária está a investigar este caso de burla e a verificar se tem alguma relação com outros crimes semelhantes ocorridos na mesma altura e apenas detectados recentemente.

 

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