Cinemateca: Mês de Junho consagra o cinema que se constrói no feminino

São 11 filmes de oito realizadoras, a dar corpo a um festival dedicado ao cinema que se escreve e se inscreve no feminino. O programa de “Realizadoras Femininas Pioneiras: Desafiar e Criar”, que se estende de 3 a 25 de Junho na Cinemateca Paixão, dá particular enfoque à filmografia de Agnès Varda. O cartaz contempla ainda conversas e seminários que potenciam o debate em torno da criatividade feminina e o modo como esta influencia o mundo da arte.

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Sílvia Gonçalves

A linguagem inovadora e vanguardista de Agnès Varda, precursora da “Nouvelle Vague” francesa, vai estar no centro de um ciclo de cinema feminino que ocupa a programação de Junho da Cinemateca Paixão. Além de Varda, a ‘realizadora em foco’, o cartaz de “Realizadoras Femininas Pioneiras: Desafiar e Criar” reúne sete outras cineastas com produção fílmica determinante a partir da segunda metade do século XX. Timothy Fan – que assume a curadoria do festival a par com Joyce Yang -, descreve o que diz ser o sentido único, delicado e profundo do cinema construído no feminino, que enquadra a realização de um festival com que o programador pretende ampliar os horizontes do público cinéfilo local.

“As mulheres têm sempre um sentido único, delicado, profundo no cinema, transmitindo os seus sentimentos em relação às questões mundanas, os homens não têm estes toques. Tentamos, por isso, organizar este festival com oito mulheres excepcionais da Europa, dos Estados Unidos, da Austrália, do Japão e de Hong Kong, esperando que o público possa abrir as suas mentes vendo estas obras de arte femininas alternativas”, explica Timothy Fan, para justificar a concepção de um festival que vai preencher a programação de Junho da Cinemateca Paixão.

“As grandes realizadoras têm as suas observações subtis e maravilhosas sobre o mundo, que estão sempre ausentes num realizador masculino. Esses elementos especiais constituem as qualidades únicas e a atractividade dos filmes femininos”, complementa o curador. Aquele que é apresentado como o primeiro ciclo de cinema no território dedicado a realizadoras, coloca ao centro do cartaz uma referência incontornável no cinema moderno francês, uma criadora que, quase a tocar os 89 anos, prossegue uma produção fílmica que continuamente aponta sobre ela as atenções da crítica: “Agnès Varda, a ‘antepassada da Nova Vaga’ em França, vai liderar o caminho neste festival de cinema. Os seus filmes são criativos, apaixonantes, inteligentes, ricos em conteúdo. Ela é internacionalmente aclamada pela crítica e foi influente para posteriores realizadores como Jean-Luc Godard e François Truffaut”, salienta Timothy Fan.

Da realizadora belga radicada em França – a primeira mulher a receber a Palma de Ouro Honorária no Festival de Cannes -, serão apresentados quatro filmes. Desde logo, a sua obra inaugural, “La Pointe Courte”, de 1955, projectada na Cinemateca Paixão a 11 de Junho, às 19h30, e no dia 25, às 16 horas. O cartaz inclui ainda a projecção de “Sem Tecto Nem Lei”, a 17 e 24 de Junho; “Os Catadores e Eu”, nos dias 17 e 23, e “As Praias de Agnès”, documentário autobiográfico, de 2008, com projecção a 11 e 18 de Junho.

OITO MULHERES, OITO DIMENSÕES FÍLMICAS

 A Agnès Varda, realizadora em foco no festival, juntam-se no programa sete outras criadoras de linguagens muito diversas: “Porque acreditamos que estas oito realizadoras fizeram obras clássicas e de qualidade, por isso escolhemo-las para fazerem parte do nosso festival”, explica o curador. “O Arco”, de Tong Shu-shuen, realizadora de Hong Kong, é projectado a 10, 13 e 21 de Junho. Da belga Chantal Akerman, apresenta-se “Jeanne Dielman, 23, Quai Du Commerce, 1800 Bruxelles”, a 10, 16 e 25 de Junho. Da britânica Sally Potter chega “Orlando”, uma adaptação do romance de Virginia Woolf, a 11, 15 e 20 de Junho; “35 Copos Rum”, da francesa Claire Denis, ocupa a sala da Cinemateca a 14, 21 e 24 de Junho. O programa integra ainda o filme “An”, da japonesa Naomi Kawase, projectado a 15, 18 e 23 de Junho. De Sofia Copola chega ao festival, a 17, 20 e 22 de Junho, “Lost in Translation”, película de 2003 que muito contribuiu para a projecção planetária da realizadora norte-americana. E, finalmente, da australiana Gillian Armstrong, apresenta-se “A Minha Carreira Brilhante”, nos dias 18, 22 e 24 de Junho.

O programa integra ainda quatro conversas após as sessões, com a co-curadora Joyce Yang a assegurar a moderação, e que terão como convidados os críticos de cinema Bryan Chang Wai-hung e Sam Ho. Para 3 de Junho, entre as 15 e as 16h30, está agendado o seminário “Por Causa Dela, Somos Completos – Criadoras Femininas de Macau”, que tem como convidadas a coreógrafa Candy Kuok, a realizadora Tracy Choi, a vocalista da banda EVADE, Sonia, a romancista Leung Sok-kei e a poetisa Un Sio-san. As cinco criadoras vão partilhar com a audiência o seu processo criativo e discutir o modo como as mulheres influenciam o mundo da arte.

Segue-se, a 10 de Junho, também entre as 15 e as 16h30, o seminário “A Visualidade de Extraordinárias Realizadoras”, durante o qual Joyce Yang e Ernest Chan Chi-wa abordarão o universo fílmico de Agnès Varda e de outras realizadoras, numa análise de temas relacionados com o género, a identidade e a política. Ambos os seminários têm entrada livre. Os bilhetes para a projecção dos filmes, com um custo de 60 patacas, estão à venda a partir de 23 de Maio.

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