O futuro da indústria do jogo: mercados emergentes e croupiers robóticos

Durante três dias os principais agentes do jogo online assomaram em Venetian para a edição de 2017 da Global Gaming Expo. Num sector onde a inovação e o pioneirismo são factores chave para triunfar, as dezenas de empresas em exposição apresentaram-se ao público como as mais inovadoras. Competindo pela atracção de eventuais clientes como quem compete por apostadores, as empresas que se fizeram representar na G2E Asia muniram-se de bailarinas, modelos promocionais, brindes e máquinas de jogo.

1.G2E Asia

“Automatização” parece ser a palavra de ordem no âmbito da G2E Asia –  Global Gaming Expo que, ao longo dos últimos dois dias, se instalou de armas e bagagens no Venetian com um único objectivo em carteira: mostrar aos 12 mil curiosos estimados pela organização as mais recentes novidades no sector do iGaming (jogo online). O Centro de Exposições e Convenções do maior resort do território transfigurou-se para se aproximar o mais possível do ambiente vivido num casino, onde por todo o lado se propagam luzes fortes, cores brilhantes e evocativas e os sons de moedas a cair, típicos das antigas “slot machines”.

A parte da exposição dedicada ao sector do iGaming acolheu este ano 180 expositores de mais de 70 empresas ligadas às apostas online que apresentaram desde novos jogos a soluções de segurança informática, passando pela realidade virtual ou por desígnios mais mundanos, como cadeiras para casinos e fichas de jogo. Uma tendência que se nota de expositor em expositor, de proposta em proposta é a da progressiva automatização dos preceitos de jogo e a consequentes desvirtuação do factor humano no universo das apostas.

Presente na Global Gaming Expo, a Bingo Times propõe-se atapetar caminho para a substituição de croupiers por robots. A empresa, com sede em Taiwan até ao território e à G2E Asia um conjunto de braços robóticos com capacidade para distribuir cartas, baralhar dados, registar os pontos dos jogadores, anunciar o vencedor e ditar as regras com uma voz feminina que educadamente diz “place your bets please” (por favor façam as vossas apostas) ou então “no more bets please” (por favor não façam mais apostas).

I I Chen, gestora sénior do departamento de Desenvolvimento Empresarial Internacional da Bingo Times, acredita que a capacidade de trabalhar de forma ininterrupta e a impossibilidade da máquina enganar os jogadores colocam os robots em vantagem face à falibilidade e à propensão para o erro dos croupiers: “Não há possibilidade de fazer batota, tudo é controlado e programado através de computador por isso não é possível um humano enganar os apostadores e isso é o mais importante para os jogadores” justifica Chen.

Contudo, a Bingo Times não tem o objectivo de substituir a totalidade dos trabalhadores dos casinos pelos seus produtos, algo que I I Chen assume ser “impossível”. A gestora acredita que no seu negócio está o futuro da indústria do jogo, mas admite que os produtos concebidos pela empresa se destinam, sobretudo a apostadores não profissionais que jogam apenas por diversão: “Existe esta nova tendência em que os jogadores não vão para uma mesa de jogo porque têm que apostar grandes quantias de dinheiro e por isso escolhem as máquinas onde podem apostar o mínimo possível”, explica.

A Bingo Times tem vindo a participar na Global Gaming Expo desde há sete anos a esta parte mas a empresa vê Macau apenas como um local onde pode expandir a rede de contactos e negócios. “O mercado aqui [em Macau] atrai muitas pessoas e nós não vamos competir com outras marcas porque ainda achamos que somos uma novidade e queremos experimentar algo novo (…) O nosso foco está nos mercados internacionais e recentemente mais na indústria do jogo do Vietname e das Filipinas, onde muitas operadoras de jogo estão a construir resorts integrados. Nós vemos estes países como grandes oportunidades de mercado” disse I I Chen.

O investimento na indústria emergente do jogo em países como o Camboja, o Laos, o Myanmar, as Filipinas e o Vietname assume-se como uma aposta cada vez mais válida junto das operadoras de jogo. A G2E Asia mostrou que está atenta e que não descura os novos mercados, reservando o primeiro dia de conferências para o “Fórum dos Mercados Asiáticos”.

A First Cagayan, sediada nas Filipinas, é uma das empresas que pretende contribuir para a expansão da indústria de jogo nos mercados emergentes do Sudeste Asiático ao surgir como uma companhia reguladora de apostas online que atribui licenças para este domínio específico de jogo. “Nós regulamentamos as operações de jogo online e atribuímos licenças a empresas cujo mercado-alvo é fora das Filipinas, desde que seja legal operar no país em questão”, explica Jon Mathay, chefe de operações da First Cagayan. Os seus principais clientes são “operadores de jogo online que querem obter uma autorização ou legitimar as suas operações fora do país e são principalmente os países do Sudeste Asiático –a Indonésia, a Malásia – e a República Popular da China quem mais usa este serviço” conclui Jon Mathay.

 

 

O futuro do iGaming: “fantasy sports” e realidade virtual?

 

“Vieste ao expositor mais inovador da expo!”, diz Daniella Shany Rotholz, gestora de desenvolvimento comercial da Fantasy Network, ao receber o PONTO FINAL no espaço dedicado aos “fantasy sports”. Sempre sorridente e com um entusiasmo crescente enquanto explica o negócio que envolve a criação de uma equipa fictícia baseada em jogadores reais, Daniella demarca de imediato a sua empresa da restante concorrência: “Os nossos ‘fantasy sports’ não são como as esmagadoras versões americanas. Os nossos são muito intuitivos e muito interactivos”, explica.

A gestora prossegue com a explicação,  apontando para um ecrã onde se pode assistir a uma simulação das modalidades oferecidas pela Fantasy Network: “Agora eles estão a jogar e cada ‘ponto de fantasia’ aparece como pontuação real na televisão e assim quem estiver apenas a assistir ganha curiosidade e também quer jogar”, defende.

Daniella Rotholz é peremptória ao afirmar que “os ‘fantasy sports’ são o próximo grande acontecimento” no âmbito do universo do jogo e aponta o exemplo do mercado indiano, que no primeiro ano após o lançamento do “fantasy cricket” alcançou um mercado de mais de um milhão de apostadores.

Os “millennials” – geração nascida entre 1977 e 2000 –  são a grande aposta deste sector do iGaming que procuram constantemente “jogos mais qualificados, jogos mais sociais e mais interacções (…) eles já não vão simplesmente ficar sentados a jogar ‘slot machines’, isso está a tornar-se aborrecido”, explica a responsável.

Para além de se fixar num público-alvo cada vez mais jovem, a empresa com sede em Tel Aviv aponta para uma presença à escala global, com um grande investimento na América Latina, Europa e Rússia. A entrada no mercado asiático é a aposta mais recente da Fantasy Network, que está a tirar proveito da plataforma WeChat para atrair clientes da República Popular da China.

A realidade virtual aplicada à indústria do jogo ganha forma e uma nova dimensão no expositor do Xiang Shang Group (XSG), onde os eventuais apostadores podem movimentar-se, caso assim o entendam, numa nova realidade. De visor na cabeça e comando na mão, o jogador mantém-se quase imóvel, dando pequenos passos e rodando sobre si enquanto aponta o comando aparentemente para lado nenhum e olha em volta à procura dos seus alvos. A imagem exterior está nos antípodas do universo virtual que floresce dentro do visor, um mundo de movimentos exacerbados onde se multiplicam tiros e luzes e emoções fortes.

O outro serviço oferecido pela XSG é o “live dealing” (apostas ao vivo), através do qual um apostador pode participar num jogo real de um casino através da Internet. Karl Hsu, vice-presidente do Xiang Shang Group, desenvolveu este conceito para chegar aos apostadores que não têm oportunidade de se deslocar a um verdadeiro casino: “Nós implementamos o modelo de ‘casino ao vivo’ em casinos reais o que significa que o croupier e as cartas estão dentro da regulamentação, o que oferece aos nossos clientes garantias de um jogo justo” assegura Karl Hsu.

O serviço oferecido pela XSG, a par de tantos outros propagados no recinto de exposições do Venetian Macao, é apenas mais um exemplo dos passos largos que a indústria do jogo tem vindo a dar para transformar a experiência de apostar num casino cada vez mais dependente das máquinas e desvirtuada de contacto humano.

 

CVN

 

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