Ho Chio Meng chora, nega crimes e pede benevolência ao Tribunal

Num discurso emocionado, o ex-Procurador da RAEM negou a prática dos crimes de que é acusado, mas admitiu a existência de infracções administrativas. Ho Chio Meng pediu ainda ao tribunal benevolência, sublinhando que os filhos precisam de um pai presente.

1.Ho Chio Meng

João Santos Filipe

Foi em lágrimas que o ex-Procurador da RAEM negou, ontem, pela última vez antes da leitura da sentença, a prática dos 1536 crimes pelos quais é acusado no Tribunal de Última Instância. Ho Chio Meng admitiu haver irregularidades administrativas, mas pediu benevolência ao Tribunal, sublinhado que os filhos, gémeos, actualmente com 10 anos, precisam de um pai presente.

“Não concordo com a acusação. Não corresponde à verdade dos factos e como tal não posso concordar”, começou Ho Chio Meng, antes de admitir a existência de irregularidades administrativas, que diz não poderem ser consideradas crimes. “Peço desculpa pelo trabalho que foi feito de forma irregular”, frisou, fazendo uma vénia perante o juiz.

Foi já no fim do depoimento, que o ex-Procurador da RAEM não conteve as lágrimas, numa altura em que abordou a situação da família. Um discurso que deixou alguns dos presentes emocionados: “Espero que o Tribunal tenha em conta que as minhas crianças precisam de um pai para terem uma boa educação. Estou casado há muitos anos e estou a deixar sozinha a minha esposa, que também tem a minha sogra para cuidar. Deixei a minha família sem um suporte”, afirmou. “Peço benevolência e estou preparado para qualquer decisão do tribunal”, frisou.

 

Ho ridiculariza acusação de associação criminosa

 

Sobre a acusação do Ministério Público, Ho Chio Meng apontou falta de provas e sublinhou alguns aspectos que considerou ridículos, principalmente no que diz respeito ao crime de associação criminosa: “Porque é que eu ia criar uma associação criminosa para gerar ganhos de 27 mil patacas por mês [números do processo]? Uma associação criminosa que tinha como membros Mak Im Tai, que era motorista, e Wong Kuok Wai, um construtor. Quem é que forma uma associação criminosa com pessoas com estas profissões?”, continuou. “Se fosse criar uma associação criminosa não ia ter a sede no edifício do Ministério Público”, apontou.

O ex-homem forte do Ministério Público, que revelou ter estado à beira de desmaiar quando viu a acusação, questionou a possibilidade de ter cometido tantos crimes, sem que o Chefe do Executivo tivesse criado uma Comissão para a realização de uma investigação independente ao Gabinete do Procurador.

Ho criticou ainda a estratégia da acusação que diz ter passado por “atirar setas para todo o lado, sem ter um alvo na parede”. Por outro lado, o ex-Procurador falou de “vingança”, e disse que a investigação inicial do Comissariado Contra a Corrupção nunca equacionou a prática do crime de associação criminosa, que essa partiu de uma intenção negativa do próprio Ministério Público: “Só com uma acusação de associação criminosa é que as pessoas podiam acreditar que eu era muito mau”, acusou.

 

Co-arguidos ilibados

 

Ho Chio Meng chamou igualmente a si a responsabilidade das infracções administrativas e pediu que Chan Ka Fai e António Lai Kin Ian, membros do Ministério Público que também estão acusados no processo conexo, fossem ilibados.

Ainda durante o seu discurso, o ex-Procurador agradeceu à RAEM pelas oportunidades concedidas e pediu a Deus que “abençoe Macau”.

O julgamento prossegue na quinta-feira, numa sessão onde se vai debater o orçamento da RAEM para a rede de informadores e que por motivos de confidencialidade é feita à porta fechada.

 

 

 

 

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