C.S.I: Crime Série Ilustrada

As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

O banco de burleficência

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O caso de burla conta já alguns anos e na altura foram vários os residentes de Macau que apresentaram queixa, depois de terem sido lesados num total que ascendia a mais de 7,6 milhões de patacas.

Tudo começou em 2010, quando uma cidadã de Macau começou a espalhar a notícia de que tinha recebido uma choruda herança de um parente da China Continental e que, com ela, iria dar início a uma iniciativa destinada a beneficiar os mais desfavorecidos, ao mesmo tempo que ajudava muita gente a rentabilizar o seu dinheiro. A ideia consistia num “banco de beneficência”, que convidava o cidadão comum a investir, a troco de rendimentos muito superiores às condições oferecidas pelos bancos convencionais: um investidor podia sair, a longo prazo, com 10 vezes o valor investido. Ainda por cima, uma parte significativa dos lucros obtidos pelo “banco” iria reverter para instituições de caridade.

Várias pessoas caíram no golpe e a mulher, juntamente com outras cúmplices, conseguiram somar depósitos de 2,4 milhões de patacas e cinco milhões de dólares de Hong Kong. A Polícia Judiciária acabaria por deter, entre Março e Setembro de 2012, cinco mulheres que acabariam por ser condenadas a penas de prisão superiores a quatro anos, mas a cabecilha conseguiu atravessar a fronteira com a maior parte do dinheiro.

O tempo passa – e o dinheiro não dura para sempre – e B. resolveu este ano recuperar o esquema que lhe tinha dado tantas alegrias no passado. A partir de Zhuhai, conseguiu convencer uma potencial investidora a injectar capital no “banco”. O depósito estava quase a ser realizado quando a filha da vítima desconfiou e alertou a Polícia Judiciária que, através do novo mecanismo de comunicação com as autoridades chinesas, conseguiu que a farsante fosse detida na sexta-feira passada e enviada de volta para Macau, para ser presente ao Ministério Público e julgada por burla.

O BIR-relâmpago

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Pode não ter emprego, mas E. arranja sempre dinheiro para vir jogar nos casinos de Macau. Chega o fim-de-semana e este residente de Hong Kong apanha o ferry já a pensar nas fichinhas coloridas. Da última vez, no entanto, um contratempo ameaçou estragar o momento alto da semana do quarentão: tinha perdido o bilhete de identidade.

Se fosse pedir uma segunda via, nunca teria o documento pronto a tempo, pelo que resolveu recorrer aos serviços de um homem que conheceu através das redes sociais. Por apenas 600 dólares de Hong Kong (618 patacas), o indivíduo imprimiu um retângulo de plástico com (quase) todas as características do BIR original de E. e a verdade é que a imitação ficou suficientemente credível para garantir a entrada em Macau.

E. achava que tinha o problema resolvido e nem pensou nisso quando se envolveu numa acesa discussão com um indivíduo, anteontem na Avenida da Ponte da Amizade. O diferendo foi de tal forma acalorado que a Polícia de Segurança Pública foi chamada a intervir. Instado a identificar-se, estendeu com confiança ao agente o seu pseudo-BIR, mas desta vez, os sinais de contrafacção não passaram despercebidos. Foi detido e presente ao Ministério Público por falsificação de documento.

Sem abrigo nem juízo

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A porta metálica de uma loja do primeiro andar de um centro comercial na Avenida Ouvidor Arriaga amanheceu, no dia 3 de Abril, danificada e com sinais de ter sido queimada. No interior da loja, vários artigos estavam também estragados pelo fogo.

Chamada a investigar, a Polícia Judiciária concluiu que as suspeitas recaíam sobre um sem-abrigo que costumava ser avistado por ali. Interrogado pelos agentes, o indivíduo jurou que não tinha nada a ver com o sucedido. As imagens recolhidas pelas câmaras de videovigilância, no entanto, contam uma história diferente: as gravações registaram o momento em que S. se dirigiu para o local carregando um monte de papéis e outros objectos que amontoou diante da loja, para a seguir acender um isqueiro e atear uma pequena fogueira que depressa fugiu ao seu controlo.

Além das evidências, o cadastro de S., de 39 anos, também não jogava a seu favor. Consumo e tráfico de drogas, além de um outro caso de fogo posto, estavam na base de uma ordem de detenção anterior. Foi detido ontem de manhã com base no artigo 264.º (Incêndios, explosões e outras condutas especialmente perigosas).

Conta ofuscada

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Estava a visitar Macau quando as luzes cintilantes dos casinos o terão feito sentir-se mal disposto. Foi no início do mês passado que D., um turista chinês, decidiu que não estava mesmo bem e que precisava de receber assistência hospitalar. Lembra-se de se ter dirigido ao hospital e pouco mais.

Desmaiou e acordou no dia seguinte, internado na unidade hospitalar. Foi então que se deu conta de já não ter na sua posse os documentos e o telemóvel.

Regressado à China Continental, tratou de requisitar à sua companhia de telecomunicações uma segunda via do cartão SIM do telemóvel. Assim que restituiu o acesso à sua conta de WeChat, deparou-se com um desfalque de 36 mil yuans (42 mil patacas). Sem fazer ideia de como é que aquilo podia ter acontecido, uma vez que, para aceder ao depósito na conta de WeChat, é preciso introduzir dois códigos secretos, apresentou queixa na Polícia Judiciária, que está a investigar o caso de burla informática.

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