Balões itinerantes de Cecilia Ho mostram a metamorfose da China contemporânea

Uma exposição fotográfica que desvenda um novo projecto conceptual e itinerante de Cecilia Ho – intitulado “Transporting Qi” – vai ser inaugurada na próxima quinta-feira nas Casas-Museu da Taipa, integrada no festival Le French May. A instalação mostra um novo ângulo do trabalho registado em 2011 entre Macau e a província de Yunnan. Na altura, a artista viajou dois mil quilómetros convidando as pessoas a encher 200 balões, num itinerário que mostra a China em transformação, retratando a exuberância de Macau e de Hong Kong e a genuinidade das regiões rurais de Yuanyang.

32- The Old Yi Tribe Hawker, Yuanyang

Cláudia Aranda

 

A performance registada em fotografia e vídeo começa em Macau, nas históricas ruínas de São Paulo, passa pelo moderno centro financeiro de Hong Kong e termina a dois mil quilómetros de distância, nas regiões rurais e montanhosas das província de Yunnan, vizinha do Vietname, do Laos e do Myanmar e habitada por variadas minorias étnicas. Ao longo do percurso, 200 balões  – 100 dos quais apenas em Macau – são soprados e insuflados por pessoas de diferentes culturas e passados históricos.

Na travessia de barco até Hong Kong, também os passageiros foram convidados por Cecilia Ho a encher balões com o seu “Qi”, que se traduz por “ar” , “energia” ou força da vida na filosofia chinesa. De Hong Kong, e de camião, os balões carregados de força e de energia cruzaram as paisagens industriais de Zhenjiang, a região de minorias étnicas de Baise, a zona agrícola de Luoping e a histórica Jianshui, antes de pousarem nos terraços de arroz de Yuanyang e o ar neles contidos ser libertado pela mão das crianças locais: “Yuanyang é uma zona muito rural e pobre. Algumas das crianças nunca tinham visto um balão antes, porque nunca viajaram, é uma região muito remota e eu dei-lhes o “Qi” e as crianças fizeram uma cerimónia em que libertam o QI para a atmosfera, rebentando os balões”, explicou Cecilia Ho, em conversa mantida ontem com o PONTO FINAL.

Esta instalação, que vai ser inaugurada na próxima quinta-feira, mostra cerca de 26 obras de fotografia, em tamanho de 90 por 60 centímetros. Segundo a artista, consiste numa extensão de um projecto realizado há cinco anos, que foi pré-seleccionado para representar Macau na 54.ª edição da Bienal de Veneza, e foi, depois, mostrado no Museu de Macau. O trabalho é, agora, “ apresentado na sua plenitude”: “Tenho um curador que desenvolveu o projecto numa perspectiva totalmente nova”, explica a artista. O curador é Alvin Yip, professor e vice-director da Academia Central de Belas Artes de Pequim, que comissariou o pavilhão de exposições de Hong Kong na Bienal de Veneza por vários anos.

 

Envolver o público na performance

10) The bamboo smokepipe maker (MR)

Nesta viagem que terminou em 2011, Cecília Ho foi a “performer”, o elemento que interage com as pessoas com quem se cruza, a quem pede que lhes ofereçam o seu “Qi”, originando reacções e emoções entre pessoas diferentes em vários pontos da China contemporânea, mostrando ao mesmo tempo a transformação do país, que passa por um processo acelerado de industrialização e urbanização.

Este processo de interacção entre a artista e o público, fixado pelas máquinas fotográficas e documentado com imagem em movimento em vídeo por 10 outros artistas – entre eles José Drummond e Carol Sin-Chai Kwok, de Macau – resultou em “Transporting Qi”.

O projecto artístico combina performance e documentário para criar “uma obra muito conceptual, que vai além da impressão visual”, explica a artista em conversa com o PONTO FINAL: “Tive a ideia de transportar o “Qi” das pessoas, sendo o “Qi” a força que as pessoas carregam, e eu pedi às pessoas para me darem essa força, pedindo-lhes para encherem um balão. Esta é a forma que usei para envolver [na performance] as pessoas com quem me fui cruzando. Desta maneira estas pessoas também começam a perceber o que é arte contemporânea”, explica Cecilia Ho.

A artista encontra-se desde há seis meses baseada em Macau, depois de viver anos entre Hong Kong e Paris. Ho adiantou que está a desenvolver um projecto de arte “ambicioso”, a anunciar em breve, que visa animar a cena artística local e atrair a atenção sobre Macau, e que poderá passar pela promoção de uma feira de arte.

“Transporting Qi” teve início em 2010, foi pré-seleccionado para representar Macau na 54.ª edição da Bienal de Veneza, em 2011 foi exibido, tendo sido exibido um ano depois em Kassel, na Alemanha, na exposição d’OCUMENTA 13. O projecto apresenta-se, agora, sob a forma de instalação fotográfica, que vai ser inaugurada na quinta-feira, 18 de Maio, na galeria de exposições das Casa-Museu da Taipa, integrado na programação do festival Le French May. A exposição vai manter-se aberta ao público até 14 de Junho.

 

 

 

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