Educação cívica na EPM: Respeito pelos valores “está implícito no que se transmite”

 

 

1-machado1

A exemplo do que sucede noutros estabelecimentos de ensino do território, a educação cívica faz parte da organização curricular da Escola Portuguesa de Macau (EPM). “É algo que nós já temos vindo a tratar ao longo de muito tempo no nosso currículo, portanto não carece de ser criada uma coisa que existe”, explicou ontem o presidente da Direcção da EPM, Manuel Peres Machado.

“Nós entendemos a educação cívica como uma área que é transversal a todas as disciplinas e a todas as áreas curriculares e, portanto, muitos dos temas relacionados com educação cívica são tratados em várias disciplinas, quer transversalmente, quer ao longo dos diferentes anos de escolaridade”, explicou o presidente da Direcção da EPM. As questões tratadas passam, por exemplo, pela “educação ambiental, sustentabilidade, educação do consumidor, para a segurança, defesa, paz, igualdade, direitos humanos, educação rodoviária, o conhecimento e respeito pelas diferentes culturas, mas também o respeito que merecem todos os símbolos nacionais, os chineses, os portugueses, os de Macau e de todos os outros”, descreveu o responsável da EPM.

Macau tornou este ano obrigatória a disciplina de Educação Cívica no ensino primário, depois de, em 2016, ter sido introduzida nos estabelecimentos pré-primários. Ontem, o presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, Zhang Dejiang, no último dia da sua visita oficial a Macau, defendeu a necessidade de “reforçar a educação patriótica de Macau”. O PONTO FINAL foi saber junto da direcção da EPM de que forma é abordada “a educação cívica e patriótica” naquele estabelecimento, que oferece currículos semelhantes aos de Portugal e um ensino em língua portuguesa.

A referência a expressões como “patriotismo” e “amor à Pátria, amor a Macau”, não são necessariamente utilizados, disse o responsável: “O respeito pelas diferentes civilizações, pelas origens é abordado, mas não tem de ser trabalhado nesses termos”, afirmou. “O amor à pátria é um termo que é muito utilizado aqui em Macau, não quer dizer que nós não demos importância, mas não utilizando obrigatoriamente os mesmos termos e conceitos do amor, mas está implícito no que se diz, no que se transmite”, descreveu.

A EPM integra os estabelecimentos de ensino da RAEM e segue as orientações da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, sublinhou Manuel Peres Machado. No âmbito da organização curricular que está em curso em Macau, “existem as áreas temáticas que são indicadas [pela DSEJ] que devem ser tratadas, as quais são trabalhadas na abordagem da educação cívica que nós entendemos”, esclareceu o director da EPM. O responsável referiu, também, que a legislação portuguesa, de 2009, que regula os princípios orientadores da organização e da gestão do currículo próprio da EPM, prevê a componente de formação cívica.

Aos alunos do primeiro ao quarto ano da EPM, a educação cívica é introduzida no âmbito da formação pessoal e social, pelo professor titular da turma. No quinto e sexto ano, é o director de turma que trabalha a componente da formação cívica. A história de Macau e da China é tratada do primeiro ao nono ano de escolaridade. A partir do sétimo e até ao décimo segundo ano de escolaridade os assuntos são trabalhados de forma transversal, em todas as disciplinas, concluiu o presidente da direcção da EPM.

Cláudia Aranda

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s