Activista de Hong Kong veio experimentar a gastronomia local e acabou detido e deportado

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Entrou em Macau para visitar a cidade e provar a gastronomia local mas, após ter entrado de forma legal, foi detido na Avenida Almeida Ribeiro, interrogado e deportado. Ao PONTO FINAL, o activista de Hong Kong contou o episódio, negou ter tido qualquer encontro com pró-democratas locais e diz ser contra a independência da RAEHK.

 

João Santos Filipe*

joaof.pontofinal@gmail.com

 

Uma deslocação que tinha sido planeada há mais de um mês e que se destinava a experimentar a comida de Macau e visitar os locais mais conhecidos do território. Foi desta forma que o activista pró-democrata de Hong Kong Wong Tan Chi relatou ao PONTO FINAL a visita à RAEM que efectuou na segunda-feira e que acabou com a sua detenção, em plena Avenida Almeida Ribeiro, e consequente deportação para o território vizinho.

No entanto, e antes de ser deportado, o activista ligado ao movimento Rede Comunitária de Tuen Mun conseguiu entrar sem qualquer problema na RAEM, através do controlo manual de passaportes, e passear pelas ruas da cidade durante seis horas. Na notificação de deportação a razão avançada pelas autoridades é a mesma de sempre: “Ameaça à segurança interna de Macau”.

“Eu vim a Macau para comer e visitar os locais famosos, como as diferentes igrejas”, disse Wong Tan Chi, ao PONTO FINAL. “Já tinha planeada esta viagem há mais de um mês e nem sabia que o presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional [Zhang Dejiang] ia estar em Macau”, sublinhou.

Wong Tan Chi entrou em Macau por volta das 13h00, tendo vindo com um amigo que não se envolve em actividades políticas. Uma vez no território, onde entrou através do Terminal Marítimo do Porto Exterior, não teve qualquer problema para passar o controlo alfandegário.

“Entrei através do Terminal Marítimo de Macau e correu tudo de forma muito natural. Atravessei o controlo alfandegário manual”, relatou. “Antes de vir para Macau pensei que poderia haver a hipótese de me ser negada a entrada, mas nunca me preocupei seriamente com isso”, frisou.

Uma vez em Macau, o activista – que viajou acompanhado de um amigo –  tiveram a oportunidade de experimentar a comida e visitar alguns lugares emblemáticos do território. Porém, por volta das 19h00 foram detidos na Avenida Almeida Ribeiro e foram levados pelas autoridades para interrogatório. Só há uma da madrugada de ontem é que foram enviados de volta para Hong Kong.

Sobre o interrogatório a que foi sujeito, o activista explica que foi questionado se tinha tido qualquer contacto com os membros da Associação Novo Macau, nomeadamente com Sulu Sou. Contudo, Wong Tan Chi nega conhecer pessoalmente ou ter tido qualquer encontro com os pró-democratas locais:

“Não me encontrei com ninguém em Macau. Conheço as pessoas de nome sobre as quais fui questionado, mas eles não me conhecem e eu também não os conheço. Não posso dizer que somos conhecidos”, afirmou o activista, que foi candidato ao Conselho Legislativo nas últimas eleições.

 

Entrada negada a outro activista

 

Ao PONTO FINAL, o membro da Rede Comunitária de Tuen Mun fez questão de sublinhar que não defende a independência de Hong Kong e que considera a justificação para a deportação “insensata”: “Como é que eu posso ser uma ameaça à segurança? Apenas vim, com um amigo, visitar Macau e experimentar a comida local. Não me encontrei com ninguém, nem disse nada a ninguém por isso não compreendo a decisão”, apontou.

Quando chegou a Hong Kong, Wong encontrou outro activista, Hui Lap San, ligado ao movimento Neo Exit Party Alliance Line, a quem tinha sido negada a entrada no domingo. Hui tentou deslocar-se a Macau para visitar a namorada e acabou barrado. Já no Terminal de Hong Kong os dois tiraram uma fotografia lado a lado com as notificações das autoridades locais.

No entanto, os casos que envolvem deputados e activistas de Hong Kong a quem é negada a entrada em Macau são cada vez mais comuns e o tema é cada vez mais discutido na RAEHK. Wong defende que a questão deve ser resolvida pelos Governos, mas mostra-se preocupado: “Macau é uma cidade que aposta no turismo, e nós quando viajamos na condição de turistas não estamos à espera que nos deportem de forma arbitrária. Esperamos que nos seja concedida a oportunidade de viajar”, confessou.

Na semana passada foi apresentada uma proposta de debate no Conselho Legislativo para debater o tema, mas as forças pró-Pequim votaram contra e bloquearam a discussão.

 

* Com Elisa Gao

 

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