Três dias em Macau, para “sentir o desenvolvimento” do território

O presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional chegou ontem a Macau para uma visita de três dias, durante a qual se vai desdobrar em encontros para tomar o pulso ao desenvolvimento do território. À chegada ao Aeroporto Internacional de Macau, Zhang Dejiang disse querer sentir as expectativas da população e perceber de que modo está o Governo a executar as instruções que chegam de Pequim.

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Sílvia Gonçalves

 

Pouco depois das 10 horas, sob calor intenso, três homens curvados aspiram vigorosamente o tapete vermelho, junto à escada de desembarque. À esquerda, elementos do corpo de segurança observam-lhes os movimentos, mãos sobre as trelas que aquietam os cães. Indivíduos de fato e óculos escuros testam os microfones uns metros à frente, a compor o quadro de frenesim que tomou de assalto a pista do Aeroporto Internacional de Macau. Uma hora depois, centenas de crianças alinham-se à esquerda, munidas de ramos de flores de plástico, que agitam no ar, enquanto gritam: “Bem-vindo!”, em mandarim. O ensaio repete-se, numa exaltação colectiva, orquestrada pelos professores, até serem conduzidas para junto do tapete. De frente para elas, de branco imaculado, os membros da Banda de Música da Polícia de Segurança Pública aguardam, imóveis, que do avião da Air China, que entretanto se aproxima, se revele a figura de Zhang Dejiang, o número 3 da hierarquia de Estado da República Popular da China. Pouco passa do meio-dia, quando o presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional atira à multidão um breve aceno. Disparam as vozes das 240 crianças com a senha infinitas vezes ensaiada, flores e sorrisos ao alto, embaladas pela interpretação apoteótica dos músicos.

“Desta vez, a pedido do Presidente Xi Jinping, vim fazer uma visita para cumprimentar a população de Macau e saber junto deles a situação de desenvolvimento social e económico de Macau”, começa por dizer Zhang Dejiang aos microfones, depois de distribuídos cumprimentos pelo Chefe do Executivo e os cinco secretários. O também membro do Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista da China, recorda que foi em 2004 a sua primeira visita a Macau, altura em que trabalhava na província de Guangdong, “com o objectivo de impulsionar o Fórum do Pan Delta”. Um tempo, conta, em que as duas regiões trataram de planear a promoção da diversificação da economia da RAEM, indicando como exemplo a transferência da Universidade de Macau para a Ilha da Montanha.

“Naquele período também consegui acompanhar a situação de Macau, fiquei com muito boa impressão, e hoje também conseguimos constatar muitos resultados. Para resumir a minha vinda, vim sentir, sentir o desenvolvimento de Macau, sentir o sucesso de Macau e sentir as expectativas da população”, sintetizou Zhang. O presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional chega acompanhado do director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, Wang Guangya, pelo vice-secretário-geral do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional e o vice-secretário-geral do Conselho de Estado, Jiang Zelin, entre outros.

“Desde o estabelecimento da RAEM, com o desenvolvimento da economia, a vida da população melhorou substancialmente. Nesse aspecto, todos sabem, eu sou responsável pelos assuntos de Hong Kong e Macau, todos os dias estou atento aos assuntos de Macau”, salientou Zhang Dejiang. O responsável reiterou – numa descrição, uma vez mais, sensorial – ser no entanto necessário observar mais de perto, para ter uma percepção mais real do contexto social e económico: “Queria ver ‘in loco’, é necessário ouvir mais, sentir mais, ver mais, para com os compatriotas partilhar os resultados que foram alcançados depois do estabelecimento da RAEM”.

TOMAR O PULSO AO MODO DE EXECUÇÃO DAS INSTRUÇÕES DO GOVERNO CENTRAL

 Zhang lembrou ainda que, aquando a passagem do Presidente Xi Jinping por Macau, no 15º aniversário da transferência de soberania, o Chefe de Estado “formulou quatro desejos para o território”, e que de cada vez que o Chefe do Executivo “vai a Pequim, há sempre exigências por parte do Governo Central, especialmente nestes últimos anos”. O presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN) falou em reforço do apoio, que vem acompanhado de instruções, e que tratará de perceber durante a estadia de três dias, o modo como estas estão a ser executadas: “O apoio tem sido reforçado sempre e o trabalho é seguir as exigências do Governo Central. Todas as medidas favoráveis, como é que está o seu andamento, a minha vinda aqui também é para me inteirar desta situação, nos respectivos serviços, para saber como é que está o andamento. Também para ouvir, para que o desenvolvimento de Macau seja melhor”.

Exaltados os feitos alcançados, o governante reiterou a intenção de Pequim reforçar o apoio ao território: “Desde o estabelecimento da RAEM, esta conseguiu alcançar resultados que causam inveja a muitas pessoas. Mas agora também está a enfrentar uma viragem no desenvolvimento. Como é que a sociedade pode colaborar com o Governo Central, para em conjunto aperfeiçoar o desenvolvimento que já existe? O Governo Central quer apoiar o desenvolvimento social e económico de Macau. Força, Macau!”, atira Zhang Dejiang, perante as palmas dos que subsistem no “apron” do Aeroporto, depois de horas fustigados pelo estio.

Encaminhado o presidente do Comité Permanente da APN para a viatura negra que o retira da pista, rapidamente desmobilizam crianças, professores, seguranças, músicos e altas figuras do Executivo: o da RAEM e o de Pequim. Para trás ficam as duas crianças de 11 anos que à chegada entregaram flores a Zhang Dejiang, envolvidas pela curiosidade da imprensa. As atenções voltam-se para Lei Wai Peng, a menina veterana em acolher altas entidades do Estado, que até já estendeu flores a Xi Jinping. Com um rosto que parece extraído de uma tela, conta que, sim, Zhang Dejian lhe agradeceu o gesto, e que lhe pareceu que “ele gosta muito de Macau”. Enternecimento à parte, Lei Wai Peng levantou-se de madrugada para cá estar, e levou com uma semana de preparação para um momento resumido a segundos. Retira-se depois com a elegância de quem se habituou a despertar nos outros todas as atenções. E a actividade quotidiana regressa, enfim, à pista das aeronaves.

 

 

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