C.S.I: Crime Série Ilustrada

Álcool martelado

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Vários anos de poupança e sacrifício – e um empurrãozinho do banco – permitiram a B. e J. realizarem, por fim, o sonho maior da classe média: o casal de trintões acabara de adquirir um apartamento, na Rua das Indústrias, e procedia alegremente às obras de remodelação para deixar o lar à sua medida. Anteontem, contavam já vários dias a destruir velhas paredes (e a paciência da vizinhança), quando ouviram um grito furioso vindo da porta da frente: “Vou queimar-vos até à morte!”

Assustados, aproximaram-se e abriram a porta para ver o vizinho de baixo a despedaçar uma garrafa de álcool industrial (do tipo que se usa em limpezas) contra a segunda porta gradeada, ainda fechada. “Querem marteladas, eu dou-vos marteladas!”, terá gritado também, ao começar a desferir golpes de martelo contra a porta metálica.

  1. ligou logo à polícia e, pouco depois, agentes da PSP vieram saber o que se passava. Ouviram a versão do casal assustado e, a seguir, a do vizinho nervoso, que assegurou ter protestado pacificamente contra o barulho das obras e explicou que estava com a garrafa de álcool na mão por acaso, porque acabava de a comprar, e que a tinha deixado cair sem querer. Os sinais das marteladas na porta é que foram mais difíceis de explicar.

Com a concordância do sujeito, a polícia revistou o seu apartamento. No quarto, os agentes encontraram um martelo (com ar de que tinha acabado de ser utilizado), e também alguns objectos que poderiam ter contribuído para o comportamento pouco razoável do sujeito: algumas garrafas de plástico vazias, vários saquinhos plásticos com cristais – possivelmente metanfetaminas – e uma embalagem com oito cápsulas de outras drogas.

F., um operário de 50 anos, foi detido por tráfico ilícito, consumo de estupefacientes e posse de equipamentos destinados ao seu consumo, mas terá de responder também pelas 6100 patacas de danos causados na porta e campainha do vizinho, e ainda por ameaça e tentativa de incêndio.

Facada na dívida

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Quando os agentes da Polícia de Segurança Pública chegaram ao Jardim Triângulo, na Areia Preta, anteontem às 18h15, a cena que presenciaram foi tal qual a descrita cinco minutos antes numa denúncia telefónica: um homem agitava um facão no ar, dirigindo-se ameaçadoramente a um outro, de ar amedrontado.

“Eu mato-te!”, gritava. A polícia actuou e o sujeito atirou obedientemente a arma branca ao chão. A vítima explicou que um amigo tinha emprestado 450 patacas ao suspeito, que se estava a atrasar muito a pagar. Por isso, sempre que o via, dirigia-lhe a palavra: “Então, e as 450 patacas do meu amigo?”, para o pressionar a pagar. Por sua vez, V., o desempregado de 63 anos que acabaria detido, jurou desconhecer o acusante e o seu amigo e assegurou não ter qualquer dívida a saldar. A faca, alegou, foi a forma que encontrou para se defender do assédio e tentativa de extorsão de que estaria, ele sim, a ser vítima.

Na sua posse, a polícia encontrou ainda uma outra faca – ambas medindo 28 centímetros de comprimento – e nenhuma razão para não o deter por posse de arma ilegal, delito de que foi acusado perante o Ministério Público.

 

Uma ficha para cada um

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Com pouca experiência de jogo em casinos, S. estava deslumbrado, a desfrutar da sorte de principiante com que tinha chegado, num ápice, aos 600 mil dólares de Hong Kong (618 mil patacas), numa sala de jogo no Cotai, na quarta-feira. Começou a desconfiar dos dois indivíduos que lhe tinham ficado a fazer companhia, ou melhor, a vigiá-lo, enquanto outros quatro se dirigiram com as seis fichas de 100 mil dólares de Hong Kong (103 mil patacas) à caixa para efectuar a troca pelo dinheiro, que demorava a aparecer.

Quando deu finalmente o alarme, a equipa de segurança do casino ainda foi a tempo de apanhar um dos indivíduos. Através dele, os investigadores da Polícia Judiciária conseguiram chegar aos restantes cinco e proceder as suas detenções. Dois dos suspeitos foram surpreendidos pelo agentes no interior de um apartamento onde funcionava uma pensão ilegal. No seu quarto, foi encontrado todo o dinheiro roubado.

Os seis suspeitos, todos eles desempregados, com idades entre os 25 e os 39 anos, foram presentes ao Ministério Público e julgados pelo roubo das fichas de jogo.

 

Ouro a fingir

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A denuncia só chegou à Polícia Judiciária na semana passada, mas uma loja de penhores de Macau, ao proceder a uma avaliação regular aos artigos empenhados, detectou no dia 27 de Abril que entre eles se encontravam dois anéis de ouro… que não eram de ouro.

Ainda que fossem feitas de uma liga muito semelhante ao precioso metal, uma análise minuciosa confirmou que as duas jóias, na verdade, não valiam nada. Uma consulta aos registos permitiu concluir que os dois anéis haviam dado entrada na loja em duas ocasiões distintas: a primeira a 30 de Novembro do ano passado, e a outra, a 22 de Dezembro, tendo sido trazidos por dois indivíduos sem relação aparente. Em ambos os casos, os sujeitos levaram cinco mil dólares de Hong Kong (5150 patacas) pelos artefactos.

Entretanto, no início deste mês, uma outra loja de penhores descobriu ter ficado com um anel de ouro falso no dia 3 de Novembro, a troco de 4500 dólares de Hong Kong (4635 patacas). A Polícia Judiciária está a investigar estes casos de burla.

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