O sonho de Pedro Esteves é ter uma roulotte de bifanas   

No Food Truck Company, perto das Ruínas de São Paulo, Pedro Esteves prepara bifanas e pregos como não se encontram em mais lado nenhum em Macau, garante. Enquanto Esteves tenta fazer-se à vida, na vizinhança, há outro arrendatário, que paga a outro senhorio, mas que já não aguenta o aumento especulativo das rendas. Vai fechar a loja no fim do mês.

Texto de Cláudia Aranda

Fotografia de Eduardo Martins

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Os pregos no Food Truck Company são feitos com bife do lombo, os hambúrgueres com bife Kobe (o “Rolls-Royce” dos bifes), de gado Wagyu, original do Japão. As bifanas – a especialidade da casa – são “fresquinhas da praça, compro meio porco de cada vez”, diz Pedro Esteves, a viver há 13 anos em Macau. Pratos vegetarianos não constam do cardápio, mas se houver quem peça, Pedro Esteves também se ajeita. O que não falta, na soleira da porta, são legumes e frutas coloridas: há beringelas, batata doce, abóbora, alfaces, papaias colocadas de forma decorativa à porta do estabelecimento, do lado da Rua dos Ervanários, nº31.

Mas, é pela outra porta, com entrada pela Rua de Nossa Senhora do Amparo, nº26, que entra o primeiro cliente desde que o PONTO FINAL se abeirou da carrinha-balcão onde funciona a cozinha do “Food Truck Company” . Vai directo à máquina de café Delta para se servir de uma bica: “Aqui é assim, ‘self-service’, o cliente se quiser vai buscar um café, custa 10 patacas, se quiser ser servido, tem taxa de serviço, passa a custar 20 patacas, a mesma coisa com o pastel de nata. E, por falar em comer, o que é que vocês querem?”, dispara Pedro Esteves em direcção ao cliente que acaba de tirar um café e ao “amigo advogado”, que acaba de chegar e pede quatro pregos.

“Cinco pregos então. Com picante?”, prossegue, ao mesmo tempo que entra na cozinha instalada na caixa traseira da carrinha que decora o espaço para tirar do frigorífico a carne que vai cortar em fatias e depois temperar com manteiga, sal e alho. No pão tipo carcaça – comprado na pastelaria Maxims da Avenida da Praia Grande – passa mostarda.

As rendas que estrangulam

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O cozinheiro português abriu o “take-away” – ou pronto-a-comer –  vai fazer dois meses dia 8 de Maio, data do seu aniversário. O estabelecimento está aberto todos os dias, das 11h30 da manhã às 22h. Arrenda o espaço à empresa Number 81, que administra e aluga 19 lojas na Rua de Nossa Senhora do Amparo e no Pátio de Chon Sau. A empresa tem o projecto de revitalizar a zona antiga em torno das Ruínas de São Paulo e promover as indústrias criativas, oferecendo rendas abaixo do valor de mercado.

Lá fora, a chuva engrossa. Sacudindo o chapéu de chuva entra um casal.

“Where are you from?”, pergunta Pedro Esteves. “Estados Unidos, Califórnia”, respondem. Sai mais uma sandes de entrecosto e um hambúrguer de bife kobe para o casal americano que veio passar o dia a Macau.

“Relax, this is self-service, if you want a mineral water you can go and take it, costs you 15 patacas”, explica Esteves. “If you want to make the sandwiches here, I don´t recommend”, responde quando o americano, bem-disposto, lhe pergunta se também são eles que têm que fazer as sandes. Pedro Esteves explica aos forasteiros que faz comida seguindo receitas portuguesas diferentes daquelas que se costumam encontrar noutros lugares em Macau.

Entra agora no “take-away” Lawrence Tam, o dono das plantas que decoram o espaço. Tem uma loja de plantas mais adiante, na Rua da Tercena a “EcoAmigo – Vida Verde”, mas vai fechar o estabelecimento no fim do mês. A renda de 20 mil patacas tornou-se incomportável e a clientela é escassa. Tam tem outro senhorio, diferente do de Esteves. As rendas nesta zona são mais baratas, mas há menos gente a entrar nas lojas, explica. O português, para já, tem uma média de 25 clientes por dia, mas adianta que vai precisar de 50 para conseguir pagar a renda e “sobreviver”. Esteves vai, por isso, continuar a perseguir o sonho de ter uma licença para venda ambulante, poder agarrar na carrinha e ir para onde haja gente que queira comer.

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Recolha de fundos para amigo em Portugal

Pedro Esteves tenciona fazer uma recolha de fundos para ajudar um amigo em Portugal que sofre de esclerose múltipla. Às sextas-feiras, Esteves planeia acrescer 5 patacas no preço de cada produto, que reverterão a favor de Lúcio Ribeiro. A ideia é fazer a recolha de fundos já a partir do próximo dia 28.

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