O grande salto em frente da música electrónica na China

 

kura

Desde que actuou pela primeira vez na China, em 2014, o DJ português Kura, nome de palco de Ruben de Almeida,  observou uma “evolução muito grande” na forma como o público local reage à chamada EDM (Electronic Dance Music).

“Inicialmente, as pessoas ainda não se sabiam comportar em relação à música”, diz Kura à agência Lusa em Pequim.

“Não sabiam se haveriam de saltar, meter os braços no ar. Não estavam habituados”, conta. “Hoje em dia, já reagem de uma maneira completamente diferente”.

A nível de cachés, também houve mudanças: “Ao início pagava-se mais aqui. Também pelo desconhecimento da indústria. Mas agora como os chineses já estão a par dos cachés que se praticam lá fora, já não estão para pagar mais do que os outros”, revela o DJ.

Nos últimos três anos, Kura já viajou “umas trinta vezes” para a China.

O DJ de 28 anos é um dos dois portugueses entre os 100 Top DJ´s do mundo seleccionados pela revista britânica da especialidade ‘DJ Mag’. Na classificação mais recente, divulgada este mês, estava no 51.º lugar, subindo 10 lugares em relação há um ano.

Kura actuou este fim de semana em Pequim, no Sirteen, um clube nocturno com capacidade para mais de 1.000 pessoas.

No espaço VIP, que compõe cerca de um terço da discoteca, era constante o fluxo de garrafas de champanhe e whiskey para mesas ocupadas por chineses na casa dos vinte.

Os carros topo de gama estacionados à porta serviam de presságio ao luxo presenciado lá dentro: “Eles fartaram-se de torrar dinheiro na discoteca”, observou o assistente de Kura sobre a qualidade do espaço.

Como outras actividades, a chamada “vida nocturna” é uma indústria nova na China, mas que tem vivido um ‘boom’ nos últimos anos, com ‘nightclubs’ e bares a surgir em todas as grandes cidades do país.

Em Pequim, a maioria das discotecas está concentrada em torno do Estádio dos Trabalhadores, ícone da arquitectura socialista, erguido em 1959 para celebrar o 10.º aniversário da República Popular da China.

Kura diz já ter tocado em cidades do norte ao sul do país, mas as deslocações são quase sempre muito rápidas e com pouco tempo para descanso ou lazer.

Desta vez, o DJ aterrou em Pequim poucas horas antes de actuar e, logo após o fim do espectáculo, apanhou um voo para a ilha de Bali, na Indonésia, onde foi pôr música antes de voltar para Portugal.

“A vida de DJ é muito cansativa”, diz Kura. “Mas faço o que gosto”.

Na sala do backstage onde aguardou antes de actuar, os funcionários prepararam uma mesa com dezenas de garrafas de cerveja, champanhe e whiskey, mas Kura optou pela água e refrigerante: “Estou a trabalhar, não convém beber”, afirmou.

Kura garante que o público chinês é muito acolhedor. No final da actuação, o artista conta que é sempre solicitado pelo público para tirar fotografias.

O DJ já actuou por todo o mundo, mas diz que continua a “gostar muito” de tocar em Portugal: “Tenho sempre aquele extra do pessoal patriota. É sempre bom”, conta.

 

 

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