Eleições: Jason Chao encaminha primeiras três queixas para o Governo

Depois do lançamento, a 10 de Abril, do portal electrónico do projecto Just Macau – com o qual Jason Chao pretende dar acompanhamento às queixas dos cidadãos para “garantir umas eleições justas” – chegaram, no final da passada semana, as primeiras denúncias. O activista apresentou ontem três casos remetidos por professores que alegam ter sido pressionados a apoiar candidaturas por parte de membros das direcções de dois estabelecimentos de ensino.

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Sílvia Gonçalves

Jason Chao, que criou e lidera uma plataforma de monitorização civil das próximas eleições à Assembleia Legislativa, a Just Macau, deu ontem a conhecer o teor de três queixas, remetidas por professores de duas escolas do território. Os docentes dizem estar a ser pressionados pelas direcções das instituições de ensino a assinar formulários de nomeação para demonstrar apoio a determinados candidatos. O activista remeteu, ainda ontem, uma carta à Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), ao Instituto de Acção Social (IAS) e à Comissão dos Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) onde relata as denúncias recebidas, sem, para já, revelar a identidade das escolas em causa. Chao espera uma tomada de posição dos três organismos, caso contrário vai mesmo divulgar os nomes dos estabelecimentos de ensino responsáveis pelas alegadas pressões.

“Recebi três queixas relacionadas com escolas. Algumas pessoas da direcção apresentaram formulários de nomeação a professores. Na realidade de Macau, poderiam os professores negar a assinatura desses formulários? Por isso requeremos a intervenção das autoridades para o travar”, explicou ontem Jason Chao, em conferência de imprensa. As queixas, remetidas por docentes, dão conta da entrega de formulários por parte de elementos da direcção dos estabelecimentos de ensino, no sentido de angariar apoio para engrossar as fileiras de candidatos às próximas legislativas: “Eu gostaria de enfatizar isto, um formulário de nomeação não é só: ‘Eu preciso do seu apoio para me tornar um candidato’, é mais do que isso. No sistema legal de Macau é a formação de uma organização política que tem o direito de apresentar uma lista e acarreta obrigações políticas e de afiliação”, assinalou o activista.

O ex-vice-presidente da associação Novo Macau explicou que não serão necessariamente os membros da direcção das escolas a encabeçar candidaturas no próximo escrutínio: “Esse é o ponto complicado. Os directores podem não ser aqueles que estão a concorrer, mas os interesses políticos em Macau são tão intrincados e estes operadores escolares são uma parte da organização política. Não se pode traçar uma linha clara entre prestadores de serviços sociais, operadores escolares, grupos fraternais. São tudo a mesma coisa e servem interesses dos seus grupos”, defendeu.

Jason Chao remeteu ainda ontem uma carta a três entidades, a dar conhecimento da informação recolhida: “Vou apresentar uma carta com estas queixas às autoridades, e vamos ver que seguimento lhes dão. Vou apresentar ao IAS, à DSEJ e à Comissão dos Assuntos Eleitorais. Vou apresentar-lhes os casos, não vou denunciar escolas em particular, pois sei que há mais para além destas duas escolas. Há tantas escolas, mas não tenho provas. Por isso quero que seja enviada uma mensagem clara às escolas, peço às autoridades que enviem uma mensagem para toda a gente”. Caso tal não aconteça, o activista tomará uma posição diferente: “Vou divulgar o nome destas escolas”.

Questionado sobre como vai verificar a credibilidade das denúncias recebidas, Chao disse socorrer-se de um contacto mais próximo com os queixosos: “Por isso é que é preciso falar com eles, é por isso que uso a aplicação Telegram. Não posso apenas ler um documento ou umas palavras e confiar. Quanto mais conversar com os cidadãos mais saberei se é ou não credível, por isso escolhi a Telegram”. Alega Chao que a aplicação em causa, para telemóvel, “conhecida entre os activistas”, é mais segura que outras de uso generalizado: “O WeChat é mais popular em Macau, mas está aberto à censura do Governo, está aberto à censura e não é seguro. O Governo de Macau tem total controlo sobre ele. Através da Telegram, espero que os cidadãos considerem aceder a uma plataforma que é aberta e segura”.

Certo é que as cartas para organismos do Executivo se irão suceder, à medida que as queixas forem chegando à conta de Telegram de Jason Chao, garante o activista. Já a divulgação pública da quase totalidade dos casos, ficará para depois do período eleitoral: “Vou divulgar quase tudo no final deste projecto, no final das eleições. Mas, por enquanto, tenho que olhar para estes casos um a um. Porque cada caso pode ter diferentes níveis de credibilidade ou défice de informação”, reconhece.

O activista não está sozinho no processo de análise da informação, mas decidiu que assumirá toda a responsabilidade pela plataforma Just Macau: “Eu serei a pessoa responsável por este projecto, toda a responsabilidade recai sobre mim. Posso não revelar quem mais estará a trabalhar comigo, mas, por uma razão de segurança, a pessoa encarregue de toda a responsabilidade serei eu”, garante o activista.

 

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