“Os Azeitonas”: “A vida normal é extraordinária”

“Os Azeitonas” estreiam-se hoje ao vivo no grande auditório do Centro Cultural de Macau, pelas 20h, com um concerto onde, prometem, haverá muito espaço para a improvisação.  Os autores de “Falo Chinês” – que reproduz de ouvido um êxito do músico de Taiwan A-Yue – correm por gosto e não cansam há 15 anos. Fazer da música um divertimento é o principal segredo do seu sucesso, revelam.

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Cláudia Aranda

Andam desde 2002 a correr os palcos portugueses. Já partilharam salas de espectáculo com Rui Veloso, José Cid, Marisa, Jorge Palma, Tim (Xutos e Pontapés), João Gil, Vitorino. Chamaram-lhes “banda de rock alternativo” do Porto. João (Salsa) Salcedo, vocalista e responsável pelo teclado, corrige: “Na altura, quando se falava nisso dizíamos que éramos a música alternativa à alternativa. Mas, hoje em dia, o alternativo já se tornou ‘mainstream’”, disse em conversa com o PONTO FINAL, num dia em que o resto do grupo viajou até Hong Kong para as filmagens do videoclip de uma das próximas músicas.

No blogue da banda – agora sem a guitarra e a voz de Miguel Araújo, que passou a dedicar-se a um projecto a solo – os músicos afirmam reivindicar o “estatuto de fiéis depositários de um nacional-cançonetismo perdido algures nas brumas do tempo” e de fazerem do formato-canção a “tocha que os alumia pelos trilhos perdidos da música ligeira portuguesa”. Ao PONTO FINAL, Salsa torna a corrigir: “Não nos sabemos definir, quando fazemos música não estamos a pensar no estilo musical”, esclarece.

“Os Azeitonas” estreiam-se ao vivo em Macau hoje, quarta-feira, pelas 20h, no grande auditório do Centro Cultural de Macau, num concerto promovido pela Casa de Portugal e integrado nas celebrações do 25 de Abril. Em palco vão estar, em vez dos habituais 11 elementos, apenas sete. O “septeto” é o formato novo que a banda diz pretender continuar, mesmo depois de Macau, diz Salsa:  “É um formato mais intimista, com todos os músicos, menos uma guitarra e menos sopros”, prossegue. Em versão light, o grupo conta com os três elementos originais da banda, Luísa (Nena) Barbosa (que também é veterinária), Mário (Marlon) Brandão, e o próprio João (Salsa) Salcedo, nas vozes, Luís Ribeiro na guitarra, Paulo Gravato no saxofone, Sérgio Marques no baixo e Rogério Santos na bateria.

 

Espaço para o improviso

 

A banda chega a Macau sem alinhamento em palco definido: “As músicas que escolhermos vão ser um pouco aquilo que nos apetecer tocar na altura. Não fazemos nunca o mesmo concerto, há sempre espaço para o improviso”, diz Salcedo.

O grupo chega agora ao território naquilo que o teclista e vocalista considera a “primeira internacionalização” da banda – pois uma a ida à Galiza, em Espanha, não conta. No entanto, muito antes de cá chegarem, o interesse pelo Extremo Oriente já era suficientemente grande para incluírem no seu repertório musical “Falo chinês”, um tema adaptado – de ouvido – pelo outro vocalista da banda, Mário (Marlon) Brandão, que “traduz” a letra original em chinês de uma melodia “encontrada por mero acaso”: “Foi o Marlon que encontrou num blogue. Foi tirada de ouvido, deve estar cheia de erros”, diz Salsa, quando o PONTO FINAL lhe pergunta como descobriram este tema em particular. O resultado desta espécie de “macaqueação”, no entanto, é perfeito, garante quem fala chinês, que se espanta ao saber que Marlon não fala a língua, mas que reproduz – aparentemente com mestria – quem canta “Love’s first taste” ou “a primeira experiência de amor”, interpretado por A-Yue, cantor de Taiwan.

Regra geral, as letras das músicas d’ “Os Azeitonas” resultam de “um misto de experiências que se vivem no quotidiano: “Não fazemos extrapolações muito confusas, falamos de temas clássicos, como o amor, mas acabamos por ter sempre como cenário o Porto, a nossa casa, e lembrarmo-nos que a vida normal, já por si, é extraordinária. O quotidiano é mágico, se soubermos olhar para ele”, explica Salsa.

Quanto ao segredo do sucesso e de se manterem juntos há tantos anos? “É fazer disto um divertimento acima de tudo, é condição ‘sine qua non’. “Somos uma banda muito coesa, talvez devido a alguma teimosia da nossa parte em continuar. Nem tudo tem sido fácil, houve alturas que fraquejámos, mas não desistimos. Ter alguma sorte também ajuda. E, porque nos divertimos enquanto trabalhamos, quem corre por gosto não cansa. Tudo começou como uma brincadeira entre amigos, nunca pensámos chegar tão longe e estar agora em Macau a dar entrevistas para os jornais”, conclui Salsa.

 

 

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