Ambiente: Melhorias ligeiras não convencem Joe Chan

A Direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) divulgou os dados referentes às estatísticas do ambiente relativas ao ano transacto. Apesar de algumas melhorias notadas pelo Governo, nomeadamente na qualidade do ar e na redução do volume de resíduos de materiais de construção, Joe Chan, presidente da associação Macau Green Student Union, mostrou-se bastante crítico quanto às medidas adotadas pelo Governo.

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De acordo com os dados ontem divulgados pela Direção dos Serviços de Estatística e Censos, no ano de 2016, Macau registou um aumento anual do número de dias com qualidade de ar considerado “moderado”. Contudo, as estatísticas não convencem o ambientalista Joe Chan: “Nos últimos anos não podemos dizer que tenhamos visto melhorias na qualidade do ar. Estamos apenas a mantê-lo num nível standard, porque o termo utilizado é ‘moderado’, não é ‘bom’.”

O activista acredita que a falta de informações relativamente à qualidade do ar em certas zonas da Região Administrativa de Macau (RAEM) torna difícil tecer conclusões quanto a uma possível tendência de melhoria ou de degradação da qualidade do ar. Joe Chan é peremptório ao declarar que “ainda estamos a sofrer de poluição atmosférica porque não se assistiram a melhoramentos óbvios.”

As zonas de Macau que registaram o maior número de dias com ar “insalubre” foram a zona de alta densidade habitacional da Zona Norte, com 19 dias e as zonas da Taipa e Coloane, ambas com 17 dias. O planeamento urbanístico no território mereceu igualmente críticas ao presidente da Macau Green Student Union, nomeadamente a contínua construção de edifícios de grandes altura enquanto se assiste ao abandono de outros imóveis.

Um dos números que ressaltam no relatório é o decréscimo de mais de 30 por cento no volume resíduos de materiais de construção, justificado por Joe Chan com o transporte deste tipo de detritos para a China Continental, uma vez que Macau não tem terras suficientes para o seu tratamento e armazenamento. Mesmo esta atitude merece críticas ao ambientalista: “Atirar os problemas para os outros não é o cenário ideal, devíamos ser nós a solucionar os nossos problemas.”

A densidade populacional do território foi outro dos indicadores em que se registou um acréscimo, passando de 21.100 pessoas por quilómetro quadrado, para 21.400. Contudo, o activista não considera que a densidade populacional seja a principal fonte dos problemas ambientais de Macau, mas sim a forma de construção da sociedade e do estilo de vida adoptado: “Todos os anos se assiste ao aumento dos veículos em circulação em cerca de 4 a 5 por cento e a maior parte é altamente poluente”, aponta o ambientalista.

Joe Chan compara as estatísticas ontem apresentadas com as da última década, nas quais se pode verificar que o consumo da água, energia e resíduos continua a aumentar significativamente de ano para ano: “Nós não estamos a construir uma sociedade sustentável e amiga do ambiente e a situação está a ficar cada vez pior”, alerta o activista.

Apesar de defender que a responsabilidade de educação da sociedade não recai apenas no governo, Chan critica o papel de principal consumidor de recursos energéticos e a falta de promoção de medidas de poupança de energia nos diversos departamentos governamentais: “O governo deve adoptar um papel mais activo, ele devia ser o pioneiro, o defensor deste tipo de cultura e o primeiro a dar o exemplo”, critica o presidente da Macau Green Student Union.

 

CVN

 

 

 

 

 

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