Funcionários da MTel denunciam atrasos no pagamento de salários

O portal Macau Concealers assegura que a MTel já não pago a boa parte dos seus funcionários desde Fevereiro. A empresa desmente a informação, mas um funcionário, que falou a plataforma noticiosa a titulo de anonimato, garante que não é só aos trabalhadores que o grupo deve dinheiro.

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Vários funcionários da companhia de telecomunicações MTel denunciaram ao portal Macau Concealers atrasos no pagamento dos ordenados. A plataforma noticiosa, com ligações à Associação Novo Macau, adiantou que a maioria dos mais de 100 empregados da empresa tinha os seus salários em atraso, alguns já desde Fevereiro. De acordo com um dos funcionários, os atrasos já não são de agora, sendo a lacuna na maioria dos casos de um mês e nos piores casos, nomeadamente envolvendo trabalhadores não residentes, da ordem dos três meses.

Os funcionários receiam que apresentar queixa junto da Direção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) signifique a perda do emprego, uma vez que tal implica a identificação junto dos serviços para efeitos processuais. A companhia encara a apresentação de uma queixa como um “acto de traição” pelo que, segundo o funcionário contactado pela Macau Concealers “apresentar uma queixa é o mesmo que perder o emprego.”

A MTel exigiu aos funcionários a assinatura de um “incentivo de pagamento” e aqueles cujo salário excedesse o total isento do pagamento de taxas era exigido que se candidatassem a subsídios de residência. Contudo, estes subsídios eram pagos à margem do ordenado base com a justificação de que a empresa se preparava para promover mecanismos de “redução de taxas”. O funcionário explicou que “por exemplo, se o salário base for de 20 mil patacas, a empresa aumenta 1000 patacas mas, de facto, o salário base é reduzido para 18 mil patacas e as 3 mil patacas são utilizadas como recompensa que, caso a empresa não tenha um bom desempenho, não serão entregues.” Relativamente aos subsídios de residência, o mesmo funcionário explica que “estas 3 mil patacas são utilizadas como subsídios de residência pelo que o salário base fica nas 17 mil patacas.”

De acordo com o mesmo funcionário, a empresa justificava a utilização destas taxas como uma forma de reduzir a taxa de ocupação dos empregados. Contudo, o trabalhador em questão acredita que a MTel beneficiou desta taxação e sustenta que o estratagema não foi mais do que uma forma de cortar o salário dos funcionários: “Nós recebemos um salário base menor, o pagamento das horas extraordinárias também foi reduzido e, na verdade, a empresa só nos ajudou a reduzir algumas dezenas de patacas na taxa de ocupação.” O empregado receia que esta prática possa ser considerada de “evasão fiscal” pelo Governo e que leve à aplicação de multas.

Não é só no pagamento aos empregados que a MTel está em atraso, uma vez que, segundo o funcionário, os fornecedores também se queixam de pagamentos em atraso, pelo que agora exigem um pré-pagamento de 100 por cento do valor cobrado: “Na verdade, a MTel tem criado uma má reputação entre a indústria da tecnologia em Macau”, sublinha o funcionário. O empregado criticou ainda a “má gestão” da empresa, constituída maioritariamente por familiares do dono, e a utilização de software obsoleto.

Questionado pelo Macau Concealers, o departamento de comunicação da MTel negou qualquer atrasos no pagamento e reiterou que a empresa não se encontra com qualquer problema financeiro. A Direção dos Serviços de Correios e Telecomunicações, por sua vez, sublinhou o desenvolvimento contínuo da empresa e referiu que em todos os trimestres procedeu ao pagamento da retribuição pecuniária.

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