Amamentação? Ainda há espaço para melhorias, defende associação

Nos próximos dias 6 e 7 de Maio, a Associação Promotora de Aleitamento e Cuidados Infantis de Macau (APACIM) vai organizar um certame que se propõe consciencializar a população e a comunidade médica sobre a maternidade e a importância da amamentação. No âmbito do evento será projectado um documentário, a que se segue um simpósio com duas especialistas oriundas dos Estados Unidos da América.

1.Breast

Joana Figueira

São dois dias nteiramente dedicados à maternidade e à amamentação. O aleitamento materno dá o mote à primeira edição de um certame que se propõe  promover um maior conhecimento e sensibilizar para questões que começam agora a merecer, em Macau, uma maior atenção quer por parte do Governo, quer por parte da sociedade civil. A organização é da responsabilidade da Associação Promotora de Aleitamento e Cuidados Infantis de Macau (APACIM) que, ao longo de dois dias, a 6 e 7 de Maio, vai apresentar pela primeira vez no território um documentário que explora o aproveitamento comercial do parto, da maternidade e da alimentação dos recém-nascidos. O segundo dia é direccionado em particular aos profissionais de saúde, que poderão assistir – caso o desejem –  à intervenção de duas especialistas oriundas dos Estados Unidos da América.

Virginia Tam é vice-presidente da associação criada em Dezembro do ano passado, embora incentive uma discussão saudável sobre o aleitamento materno desde 2009. A responsável olha para Macau ciente de que ainda há espaço para a evolução mas assume que, desde que nasceu a sua filha – que acabou de completar dez anos –  “a situação tem melhorado” no que respeita aos cuidados prévios e pós-nascimento dos bebés.

A primeira edição da Campanha de Promoção da Amamentação e da Nutrição Infantil de Macau trata-se, no entender de Virginia Tam, de uma oportunidade para que os profissionais da saúde e a população em geral possam aprender um pouco mais sobre os benefícios e os desafios do aleitamento materno.

A entrada em funções do actual secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, pauta um antes e um depois no que toca à forma como a amamentação é vista no território. O governante esteve reunido em Fevereiro passado com a APACIM e já confirmou a sua presença na cerimónia de inauguração do certame agendado para Maio próximo: “Na verdade, ele apoia muito no que respeita à matéria da amamentação e acho que introduziu a temática, prudentemente, no topo da sua agenda política – tal como o Chefe do Executivo [Fernando Chui Sai On] – para 2017”, defendeu Tam, em declarações ao PONTO FINAL.

A instalação de salas de amamentação em departamentos públicos promovida pela secretaria para os Assuntos Sociais e Cutlura, por exemplo, “é uma boa jogada”, já que é um “assunto ultrapassado há muito tempo”. Destaca-se o papel de Alexis Tam em comparação com aquilo que foi promovido pelo antigo secretário da tutela, Cheong U: “Na administração anterior, não vimos nada. Praticamente nada”, indicou Virginia Tam.

 

Quanto à criação de salas de amamentação por parte de empresas privadas, a dirigente da APACIM assumiu-se “feliz” por “algumas concessionárias de jogo terem implementado políticas direccionadas às funcionárias ou às clientes”. Virginia Tam realça, no entanto, a necessidade das políticas se estenderem a mais corporações privadas, bem como a pequenas e médias empresas, entidades que considera “também muito importantes.”

No âmbito da primeira campanha de promoção da amamentação organizada pela Associação, o dia 6 de Maio é dedicado à projecção do documentário “Milk: Born into this World”, realizado em 2015 pela canadiana Noemi Weis, que “viajou com a sua equipa de filmagens até 35 cidades de 11 países para reportar sobre a gravidez e como as mulheres dão à luz tendo em conta o nível de vida de cada lugar”, disse Virginia Tam ao PONTO FINAL. “Pode ser uma cidade com pobreza extrema, uma cidade onde ocorreram desastres naturais, uma cidade considerada segura ou uma cidade com um bom padrão de vida como é o caso de Nova Iorque”, exemplificou.

A dirigente da APACIM explicou que o que Noemi Weis fez foi retratar “se eram dadas opções às grávidas na forma de darem à luz:  “Algumas mulheres podem ser movidas ou forçadas a fazer cesariana, o que não é a melhor hipótese para a amamentação. Entrevistadas são também mulheres às quais são oferecidas amostras de fórmulas de substitutos de leite materno durante o decorrer da gravidez ou mesmo depois do parto.”

E em Macau? “As mulheres recebem informação suficiente antes de dar à luz?”, questiona retoricamente Virginia Tam. “No decurso da gravidez, tanto podem receber informação dos centros de saúde governamentais ou de médicos privados”, ainda que na maioria dos casos, considerada a dirigente, “os profissionais de saúde não tenham um bom entendimento da amamentação.” Outra anomalia que se verifica é “haver uma grande promoção por parte dos fabricantes das fórmulas de leite em pó”, sublinhou a vice-presidente da APACIM.

O programa do segundo dia do evento traz a Macau duas oradoras que discorrerão sobre a amamentação antes do parto e após o nascimento da criança.

Das 9h até às 18h, sobem ao palco do Centro de Ciência de Macau Jennifer Rebecca Thomas, pediatra, especialista de medicina de amamentação e membro da “American Academy Of Pedriatics” (AAP), e Nancy Mohrbacher, membro da “International Lactation Consultant Association” (ILCA) e autora de inúmeras publicações profissionais. O simpósio dirige-se aos profissionais de saúde, médicos em formação, estudantes de enfermagem e docentes.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s