Classificação dos estaleiros de Lai Chi Vun reúne consenso no Conselho do Património Cultural

Antigos estaleiros de Lai Chi Vun, na ilha de Coloane, em Macau
Antigos estaleiros de Lai Chi Vun, na ilha de Coloane, em Macau, onde existiu outrora uma importante indústria naval, tendo o último barco sido lançado à água em 2005. Foto de Carmo Correia/LUSA

As antigas oficinas navais de Lai Chi Vun estiveram no centro do debate na reunião de ontem do Conselho do Património Cultural. Os seus membros manifestaram apoio à abertura do procedimento de classificação dos estaleiros e defenderam a preservação da zona.

Joana Figueira

joanafigueira.pontofinal@gmail.com

A opinião é unânime entre os membros do Conselho do Património Cultural: a abertura do processo de classificação dos estaleiros navais de Lai Chi Vun foi a decisão mais acertada tomada pelo Governo, depois de demolidas duas das estruturas no mês passado. O Instituto Cultural (IC) empenha-se agora no arranque dos trabalhos que serão realizados através de cooperação interdepartamental, afirmou o presidente do Conselho, Alexis Tam, depois da reunião ordinária que decorreu ontem. Alguns membros manifestaram a necessidade de apressar o processo de classificação, mas o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura está “convicto” de que a conclusão será feita em 12 meses.

As perspectivas apresentadas no encontro mostram que é transversal a todos os membros o “valor cultural”, histórico e paisagístico atribuído à zona de Lai Chi Vun, no entanto foram expressadas algumas preocupações quanto ao planeamento geral da revitalização da área, nomeadamente o aspecto técnico do restauro das estruturas das oficinas navais e a construção de novos empreendimentos que podem implicar a alteração da essência de Lai Chi Vun.

Carlos Marreiros – que desde há mais de 30 anos tem vindo a sugerir a conservação de Lai Chi Vun – salientou que, à partida, a zona de protecção estabelecida pelo Governo denota falhas. O arquitecto defende que “a zona de protecção não chega” uma vez que é necessário assegurar a “paisagem da costa”, em específico “a visão de toda a baía”, já que também “tem o seu valor arquitectónico.”

Ao nível técnico, Marreiros assumiu não ter muita “confiança” que seja possível a protecção de todos os estaleiros mas, por outro lado, a tentativa talvez seja no sentido de “proteger quanto possível.” Quanto à construção do museu (uma ideia avançada ainda antes dos dois estaleiros terem sido demolidos), o arquitecto questionou: “Onde vamos construir esse museu? Vamos demolir estaleiros para construir o museu? A nível técnico, o IC tem que ter muito cuidado porque um museu vai ser algo novo, são precisas novas instalações. Se calhar, aqui tem que se fazer um estudo pormenorizado.”

Já o conselheiro Lei Hay Ip apresentou na reunião os resultados de um “estudo muito preliminar” que fez em conjunto com uma agência de materiais de madeira e de aço. De acordo com a sua investigação ‘in loco’ a 11 estaleiros, “a nível de segurança, os estaleiros, neste momento, estão numa situação não muito boa” e vai ser “um pouco difícil” caso a preferência seja que a estrutura volte a ter “a sua singularidade, a sua característica histórica.”

Em contrapartida, se a opção for a “reparação parcial” das estruturas, Lei Hay Ip apontou, como “referência”, que serão necessários entre 20 a 30 milhões de patacas. O engenheiro sublinhou que fez um “pré-cálculo do valor necessário porque a gestão financeira é algo que não pode ser esquecido.”

Li Jianzeng, outro dos membros que marcou presença na reunião, considera o procedimento de classificação dos estaleiros navais “um trabalho pertinente” que defende não dever estender-se por 12 meses. “Um processo lento traz desvantagens”, afirmou. O docente sugeriu a criação de mais condições para que, mais tarde, a zona de Lai Chi Vun possa ser apresentada à UNESCO como candidata à lista de património cultural, ideia que Alexis Tam achou “bastante boa.”

O presidente do IC, Leung Hio Ming, avançou aos jornalistas no final da reunião que o início dos “procedimentos administrativos” para a realização da consulta pública deverá ocorrer “em meados do ano, em Junho.”

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