Assinatura da Declaração Conjunta foi marco importante e comovente para dois jornalistas

A assinatura da Declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre a Questão de Macau, a 13 de abril de 1987, testemunhada por dois jornalistas, um chinês e uma portuguesa, foi um “marco importante” e até “comovente”.

As negociações entre Portugal e a China foram desenrolando o fio da notícia, mas testemunhar, em 13 de Abril de 1987, a assinatura da Declaração Conjunta não deixou de ser “um marco importante” e até “comovente”.

Li Changsen era jornalista da Rádio Pequim – hoje Rádio Internacional da China –, o único que, na altura, assegurava a cobertura política na secção de língua portuguesa, em funcionamento desde a década de 1960.

Li, que nunca tinha estado em Macau, lembrou que a rádio começou logo a preparar programas para emitir no final de Março de 1987, abrindo caminho para o dia da assinatura da Declaração Conjunta.

“Fiz um programa para emissões para uma semana sobre este acontecimento”, disse, dando exemplos de uma série de peças sobre as relações luso-chinesas ou a visita, em 1984, do então Presidente da China, Li Xiannian, a Portugal, que também acompanhou.

“Foi uma série de artigos para aquecer o ambiente”, contou Li, que entrevistou uma série de figuras políticas da China e dos países de língua portuguesa, destacando, em 1985, uma conversa “inesquecível” com o antigo Presidente da República Portuguesa António Ramalho Eanes, aquando da visita à China.

O dia da assinatura foi “um acontecimento”, mas a notícia construiu-se ao longo do período de conversações sobre o futuro de Macau, oficialmente iniciadas em 30 de Junho de 1986, disse.

“Já conhecíamos a situação antes, porque havia muitos grupos de trabalho e acompanhámos essas actividades”, recordou o antigo jornalista da Rádio Pequim que, na altura, tinha quatro emissões por dia em português – duas para o Brasil, uma para Portugal e outra para África.

“Para mim, não foi surpresa, e também já conhecíamos as disputas ou debates, cada passo das negociações”, apontou Li, de 70 anos, lembrando “as divergências das partes relativamente a palavras”, como “fixação” e “ocupação”, com significados culturais distintos.

A jornalista Fátima Cid, na época a trabalhar na Rádio Macau, sentiu o mesmo.

“Já tinha ido a reuniões que houve no âmbito das negociações”, pelo que o resultado plasmado na Declaração Conjunta “não surpreendeu”, ainda que tenha sido “comovente assistir à assinatura de um documento que se sabia que ia marcar o futuro de Macau”.

Ambos se recordam dos “muitos jornalistas” – talvez centenas – de diferentes partes do mundo, que estiveram a seu lado naquele histórico dia, que culminou num banquete, que ambos retêm na memória.

Para Fátima Cid, foi também “um dia marcado por uma reportagem falhada”: “Estive a falar, como dizemos na gíria, ‘para o boneco’”.

“Nada foi para o ar de tudo o que descrevi e vivi nos bastidores” naquele dia, devido a “um problema técnico”, lembrou a jornalista, de 72 anos.

Apesar “da frustração”, Fátima Cid colocou a assinatura da Declaração Conjunta entre os três principais momentos da carreira, sem esconder a satisfação e orgulho de ter participado em tão “importante momento para Macau”, apesar de reconhecer que, mais tarde, não foi excepção entre aqueles que sentiram, sobretudo às portas da transferência do exercício de soberania, “algum receio do futuro”.

Também para Li foi um “importante acontecimento”, transmitido pela televisão e testemunhado pelo líder chinês Deng Xiaoping, na China a reacção não foi assim “tão grande”.

“O retorno” dos dois territórios era normal para uma população que “apenas sabe que Macau e Hong Kong são parte inseparável da China”, ainda que nas duas actuais Regiões Administrativas Especiais tenha sido “para muitos, como é natural, uma grande festa”, considerou Li.

Além disso, naquela época, a China “ainda tinha muitas outras coisas – e mais importantes – para fazer”, como “resolver os problemas legados pelos extremistas [da Revolução Cultural], além da questão de Taiwan”, sublinhou.

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