Aung San Suu Kyi nega acusações de limpeza étnica

Em causa está a alegada perseguição votada pelo exército birmanês à minoria rohingya. A Nobel da Paz reconhece que há uma grande hostilidade na província de Rakhine. Parte dos problemas, diz Suu Kyi, resultam de ataques desferidos por muçulmanos contra outros muçulmanos.

SINGAPORE-MYANMAR-DIPLOMACY

A dirigente birmanesa Aung San Suu Kyi, Prémio Nobel da Paz, rejeitou as acusações de limpeza étnica da minoria muçulmana ‘rohingya’, numa entrevista exclusiva à cadeia televisiva britânica BBC.

“Não creio que haja limpeza étnica. Penso que o termo ‘limpeza étnica’ é demasiado forte para explicar o que se passa”, garantiu a antiga dissidente, na entrevista difundida na quarta-feira à noite.

Aung San Suu Kyi, que chegou ao poder há um ano e cujo partido conquistou quase metade dos lugares disputados nas eleições intercalares de domingo passado, tinha já rejeitado, em Março, a decisão das Nações Unidas de enviar uma missão de inquérito às recentes investidas contra os ‘rohingya’, atribuídas ao exército birmanês.

Para a “Dama de Rangum”, existe uma “grande hostilidade” nesta província do oeste do país, onde vive mais de um milhão de ‘rohingya’, mas “também são muçulmanos que matam outros muçulmanos”

“Não é apenas uma questão de limpeza étnica. São dois lados que se confrontam e nós tentamos reduzir o precipício entre eles”, disse a prémio Nobel da Paz de 1991.

Tratados como estrangeiros na Birmânia (Myanmar), um país cuja população é composta em mais de 90 por cento por budistas, os ‘rohingya’ são apátridas, mesmo que alguns vivam no país há várias gerações.

Privados de nacionalidade pela junta militar birmanesa, que esteve no poder até Março de 2011, os ‘rohingya’ são vistos pela maioria dos birmaneses como imigrantes ilegais do Bangladesh, mas este país também não os reconhece como cidadãos.

A 10 de Outubro, o exército birmanês lançou uma ofensiva no estado de Rakhine, junto à fronteira com o Bangladesh, onde vivem os ‘rohingya’, na sequência de vários ataques de grupos armados contra postos fronteiriços.

Esta campanha militar, de vários meses, resultou – de acordo com o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos – numa “limpeza étnica” e “muito provavelmente” em crimes contra a humanidade.

Dezenas de milhares de ‘rohingya’ fugiram para o Bangladesh, apresentando relatos de homicídios, violações e torturas cometidos pelos soldados birmaneses. As autoridades birmanesas abriram também um inquérito sobre os presumíveis crimes contra os ‘rohingyas’.

Aung San Suu Kyi garantiu que as cerca de 75 mil pessoas que fugiram para o Bangladesh, na sequência da operação militar, estariam “em segurança se quiserem voltar” à Birmânia.

 

 

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