Especialista espera “tom conciliatório” no encontro entre Trump e Xi

 

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Um especialista norte-americano defendeu esta terça-feira que o presidente dos EUA, Donald Trump, deverá adoptar um tom mais conciliatório no seu primeiro encontro com o presidente da China, Xi Jinping. Os dois chefes de Estado reúnem-se entre amanhã e sexta-feira.

Especialista em assuntos da China da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, Andrew Nathan disse à agência Lusa que “é difícil saber” como vai decorrer o encontro, “porque Trump tem falta de ‘staff’ e de disciplina pessoal”, mas que espera “um tom mais conciliatório” por quatro razões: “Trump está focado em problemas domésticos e não precisa de uma crise com a China; parece estar muito sob a influência de Jared Kushner, que favorece uma linha conciliatória; foi esse o tom que [Rex] Tillerson adoptou na sua recente viagem à China e, finalmente, o lado chinês é muito experiente em relações transaccionais, e acho que preparam Trump para esse tipo de negociação”, disse.

Durante a campanha presidencial e mesmo após o início da sua presidência, Donald Trump acusou Pequim de não fazer o suficiente para conter a Coreia do Norte, criticou as suas políticas monetárias e comerciais e prometeu defender a posição americana no Mar do Sul da China.

Alguns destes assuntos fazem parte de um grupo de temas que estão na agenda dos dois países desde há décadas e deverão tornar a ser discutidos no encontro desta semana, agendado para o clube privado de Trump na Flórida, Mar A Lago.

Os chineses, explica Andrew Nathan, “vão querer discutir Taiwan e procurar o apoio dos EUA para a política de uma China”, segundo a qual o Tibete, Hong Kong, Macau, Xinjiang e Taiwan são parte do seu território. A China deverá ainda “reduzir o apoio diplomático e venda de armas para Taiwan.”

O presidente chinês deve pedir também uma redução da presença dos EUA no Mar do Sul da China, uma zona rica em recursos e uma importante rota de comércio sobre a qual o país reclama “soberania indiscutível”, bem como uma redução das restrições de produtos do seu país por empresas americanas.

Os americanos, por sua vez, devem pedir apoio para pressionar a Coreia do Norte, como de costume, mas Donald Trump não deve falar sobre violações de direitos humanos, algo que os presidentes americanos fazem habitualmente: “Os americanos normalmente levantariam a questão dos direitos humanos, mas Trump não o deve fazer. Os seus pontos principais estarão relacionados com a economia, como um maior acesso ao mercado chinês e procura de investimento chinês na infra-estrutura dos EUA”, explica o professor universitário.

Andrew Nathan, que já escreveu mais de uma dezena de livros sobre a China e é membro da Comissão Nacional EUA-China, espera “um posicionamento menos confrontante com a China do que aquele que houve durante [os mandatos de] Obama” e teme o que isso significa para o sistema internacional: “Receio que, com o pouco entendimento que Trump tem da complexidade dos assuntos asiáticos, ele enfraqueça a posição estratégica dos EUA na Ásia em troca de concessões económicas que acabarão por beneficiar mais a China do que os EUA”, conclui o americano.

 

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