“Da parte portuguesa, há uma grande vontade de cooperar”

O Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF) arrancou ontem e o “Desenvolvimento Verde Inovador para um Futuro Sustentável” dá o mote ao evento. Na cerimónia de inauguração marcaram presença representantes governamentais de 17 países e regiões. Carlos Martins, secretário de Estado do Ambiente de Portugal, reiterou “a grande vontade de cooperar” e de “criar parcerias” com Macau.

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Joana Figueira

 

Arrancou ontem a 10.ª edição do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF), no Venetian, este ano subordinado ao tema “Desenvolvimento Verde Inovador para um Futuro Sustentável”. A cerimónia de inauguração do certame, que promove a cooperação entre empresas do sector ambiental, contou com discursos do Chefe do Executivo, Chui Sai On, bem como do secretário de Estado do Ambiente de Portugal, Carlos Martins, representantes de organismos governamentais da República Popular da China e do “convidado de honra” Achim Steiner, antigo director executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. A premência do estabelecimento de mecanismos de protecção ambiental e da criação de estratégias de cooperação entre países e regiões foi uma referência transversal a todas as intervenções.

Foi precisamente Chui Sai On que começou por apontar a relevância do reforço da protecção ecológica e ambiental, enquanto “assunto importante na agenda do desenvolvimento nacional e regional” e “prioridade da China em 2017”. Para o Chefe do Executivo, a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” apresenta-se como estratégia de criação de oportunidades e o futuro deve confirmar o desenvolvimento do papel de Macau como plataforma também no domínio da protecção ambiental.

A posição de Macau enquanto elo de ligação entre a segunda maior economia do planeta e o mundo lusófono foi também destacada por Carlos Martins, secretário de Estado do Ambiente de Portugal, que apontou “os laços históricos” entre Portugal e o território como “uma janela de oportunidade” para a facilitação das relações com a República Popular da China. Por outro lado, o governante luso  não deixou de dar destaque aos “ interesses da China nos países de expressão portuguesa”, que “fazem com que Portugal seja um bom parceiro para as empresas do mercado chinês”.

Quanto a acordos de cooperação entre Macau e Portugal, Carlos Martins disse aos jornalistas que serão concretizados “nas áreas em que haja interesse comum de aprofundar essa cooperação”: “Da parte portuguesa, há uma grande vontade de cooperar, de criar parcerias, de mobilizar o conhecimento português quer das autoridades mais administrativas, mas também daquelas que estão nas universidades, nos politécnicos, no sector empresarial público e privado para colocar ao serviço dessa parceria que eu acho que pode ser um projecto ‘win-win’ que todos temos a ganhar”, afirmou.

 

Carlos Martins sublinhou a posição de Portugal no âmbito da utilização bem sucedida das energias renováveis, referindo que “recentemente ficou em 7º lugar no panorama europeu”. No ano passado, Portugal conseguiu mesmo que o consumo de energia eléctrica fosse assegurado durante 107 horas consecutivas por fontes de energia limpa no país: “Tivemos quatro dias com energias renováveis, o que é um novo paradigma a nível mundial. É uma experiência que eu aqui não referenciei [no discurso da cerimónia de inauguração], mas que é considerada uma circunstância quase excepcional: um país consumir energia durante quatro dias consecutivos com energias renováveis”, sublinhou.

O secretário de Estado do Ambiente de Portugal estabeleceu ainda a comparação entre a República Popular da China e Portugal relativamente às emissões de gases poluentes. O governante luso lembra que  o país contribui “com emissões à escala global de menos de 1 por cento”, enquanto que a China tem um papel muito mais relevante”.

No discurso que proferiu na cerimónia de abertura na MIECF 2017, Carlos Martins defendeu que “o consumo excessivo é hoje uma ameaça para o planeta e para a humanidade”. Martins assumiu ainda que “é necessário mobilizar a sociedade para um consumo consciente, contribuir para uma transição na direcção de estilos sustentáveis de vida a caminho de uma sociedade do bem-estar, que introduza elementos mais inovadores e com modelos sustentáveis de produção e de consumo, na construção de uma verdadeira economia verde”.

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