Prémio de Jornalismo da Lusofonia vai atribuir 10 mil euros ao melhor trabalho sobre Macau

O Clube Militar acolheu ontem uma conferência sob o tema “O papel que a Imprensa está a perder”. Dinis de Abreu, antigo director do Diário de Notícias, conduziu a sessão, inserida nas comemorações do 35º aniversário do Jornal Tribuna de Macau. À margem da conferência foi também anunciado o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, que resulta da parceria entre o Clube Português de Imprensa e o jornal local.

IMG_0512.JPG

Joana Figueira

Há um novo prémio jornalístico orientado para a imprensa de língua portuguesa de todo o mundo. A iniciativa é o resultado de uma parceria entre o Clube Português de Imprensa (CPI) e o Jornal Tribuna de Macau que vão distinguir com um prémio no valor de 10 mil o melhor trabalho jornalístico focado na realidade do território. O propósito do Prémio de Jornalismo da Lusofonia passa, sobretudo, por “incentivar o desenvolvimento da língua portuguesa”.

Para José Rocha Diniz, administrador do Tribuna de Macau, o galardão constitui um contributo que vai ao encontro da “responsabilidade” do jornal, que celebra 35 anos de existência em Novembro deste ano. A iniciativa surge, também, inserida no conjunto de actividades que vão ser promovidas pelo Tribuna de Macau ao longo deste ano.

“A ideia fundamental foi já alargar isto tudo ao espaço lusófono. Isto é, não é apenas um concurso para jornalistas de Macau. O tema é Macau, mas é para os jornalistas em Portugal e nos países de expressão portuguesa”, explicou Rocha Diniz ao PONTO FINAL. Com periodicidade anual, o prémio surge no sentido de aprofundar aspectos ligados à língua portuguesa, relevando o posicionamento singular de Macau e o seu papel de plataforma.

O antigo director do Diário de Notícias, Dinis de Abreu, esteve ontem presente no Clube Militar não apenas para proferir uma conferência sobre a crise que atravessa o jornalismo impresso, mas também enquanto representante do Clube Português de Imprensa: “Ocorreu-nos que seria interessante criar um prémio de jornalismo dedicado à lusofonia, mas tendo como ênfase principal trabalhos jornalísticos que versassem sobre Macau. Compreende-se porquê, uma vez que o jornal Tribuna de Macau é um jornal macaense e, como tal, achámos que, embora sendo um prémio para a lusofonia, deveríamos privilegiar os trabalhos sobre Macau publicados algures no mundo lusófono. É esse o espírito do prémio”, afirmou o antigo responsável pelo Diário de Notícias.

Dinis de Abreu explicou que, a Portugal, Macau “chega agora de uma forma um pouco mais esbatida do que em 1999, 2000”, quando esteve no território e acompanhou o processo de transferência de soberania. Contudo, Abreu destacou uma mudança de paradigma que se manifesta cada vez com maior visibilidade e que se faz tangível nas deslocações de secretários de Estado portugueses que têm visitado o território recentemente.

“Isto reflecte, a meu ver, um despertar de uma outra consciência da importância que Macau tem para Portugal. E não só: em boa verdade, se observarmos, há um investimento chinês crescente em Portugal, na banca, nos seguros, na electricidade . Portanto é perfeitamente natural que, perante este interesse chinês pelo investimento em Portugal, tenha reaparecido também um interesse em Portugal pelas coisas de Macau. Macau sempre foi como uma espécie de plataforma giratória entre o Oriente e o Ocidente via Portugal”, sublinhou Dinis de Abreu.

 

 “O PAPEL QUE A IMPRENSA ESTÁ A PERDER”

 

O dirigente do Clube Português de Imprensa esteve ontem no Clube Militar para uma conferência integrada nas comemorações do 35º aniversário do Tribuna de Macau. O antigo director do Diário de Notícias sobre a migração da imprensa para o digital em prejuízo do suporte impresso e antecipou um dos caminhos possíveis para a consolidação de um novo nicho de mercado: “Há, obviamente, uma crise na imprensa generalista. E, curiosamente, em contraste, tem vindo a sentir-se um reforço da importância da imprensa local, regional e comunitária, como eu considero que é a imprensa em língua portuguesa aqui em Macau”, sublinhou Dinis de Abreu.

Quanto à  análise do panorama actual, o jornalista confronta a universalidade da informação que se obtém na Internet e a falta de “informação acerca do bairro, acerca daquilo que se passa à nossa porta”: “A imprensa de proximidade, ou seja, a imprensa local e regional, estão exactamente a suprir esse papel”, defende.

É esse o caminho que se aponta para o jornalismo impresso? “É esse um dos caminhos que, a meu ver, poderá vir a ser robustecido, consolidado: o da procura de um novo nicho de mercado que exigirá também um leitor mais evoluído, mais informado, mais intelectualizado, a quem importa o que se passa algures no mundo mas que quer também saber o que se passa à sua porta”, defendeu Dinis de Abreu.

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s