Hong Kong: Activistas acusados devido a protestos pró-democracia

Os três organizadores do movimento Occupy Central, dois deputados do campo democrata e quatro outros activistas cívicos e estudantis foram acusados na segunda-feira de conspiração para causar perturbação à ordem pública e incitação à violência. Benny Tai, Chan Kin-man e Chu Yiu-ming, três dos dinamizadores dos protestos de 2014, enfrentam uma pena máxima de sete anos de prisão.

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A polícia da vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong acusou, na segunda-feira à noite, nove activistas que tiveram um papel preponderante nos protestos pró-democracia de 2014, um dia depois de Carrie Lam ter sido eleita para o cargo de Chefe do Executivo, tornando-se na primeira mulher a assumir os destinos da antiga colónia britânica.

Segundo a emissora pública RTHK, os três organizadores do Occupy Central – Benny Tai, Chan Kin-man e Chu Yiu-ming – foram acusados de conspiração para causar perturbação à ordem pública e incitação. Segundo Tai, os três dirigentes enfrentam uma pena máxima de sete anos de prisão.

Seis outros – a deputada do Partido Cívico Tanya Chan, o deputado do sector de assistência social Shiu Ka-chun, o vice-presidente da Liga dos Social Democratas Raphael Wong, o membro do Partido Democrático Li Wing-ta e dois antigos líderes estudantis Eason Chung e Tommy Cheung – enfrentam acusações de incitação ao crime.

As acusações foram feitas após o encontro que os nove acusados mantiveram com a polícia. O grupo apresentou-se na sede das forças de segurança em Wan Chai na segunda-feira e irá comparecer em tribunal na quinta-feira.

As acusações surgem dois anos e meio após os protestos, quando dezenas de milhares de pessoas saíram à rua para pedir sufrágio universal genuíno para Hong Kong. A acção legal foi anunciada um dia depois de a antiga número dois do Governo, Carrie Lam, ter sido escolhida, por um comité de 1.200 membros, para nova chefe do Executivo.

Na segunda-feira, dia em que se ficaram a conhecer as acusações, o grupo pró-democracia Demosisto destacou o momento em que os activistas foram notificados, notando que surgiram “imediatamente depois da vitória de Carrie Lam”. Lam tem sido apelidada “C.Y. 2.0”, numa referência às iniciais do ainda líder do Executivo, devido a receios de que continue a abordagem do antecessor à dissidência.

Ao SCMP, Chan Kin-man confirmou ter recebido um telefonema da polícia na segunda-feira de manhã para o informar de que enfrenta a acusação de perturbação da ordem pública. Chan disse que vai a tribunal na quinta-feira, formalidade que acabou posteriormente por se confirmar.

Chan indicou que ele, Chu e Tai já esperavam a acusação, mas chamou a atenção para a altura em que é feita: “A acusação surge um dia depois da eleição do chefe do Executivo. Obviamente que o Governo não quis afectar a eleição e a campanha”, disse o professor de sociologia. “Como é que se reparam as divisões sociais com uma decisão destas um dia depois de a nova líder ser eleita”, questionou.

Em resposta às notícias, Lam disse não segunda-feira que “não tinha conhecimento” de que qualquer acção tenha sido adiada para prevenir danos à sua campanha.

 

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