Governo vai notificar fisco português sobre saldos de contas de cidadãos lusos

A partir de Julho, o Executivo vai promover a troca frequente de informações fiscais com Portugal e outras jurisdições ao abrigo da adopção das normas internacionais de combate à fraude e à evasão fiscal. Entre os dados que serão enviados para Portugal estão informações relativas às contas que os cidadãos portugueses possuem nos bancos do território, saldos de conta incluídos.

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O Governo quer passar a trocar informações fiscais com Portugal e com os demais países com quem mantém acordos de forma automática, a partir de 1 de Julho, transferindo regularmente dados  para os países em questão. Entre as informações abrangidas pelo novo mecanismo estão, por exemplo, o saldo da conta dos portugueses que residam no território, esclareceu ontem o Leong Heng Teng, o porta-voz do Conselho Executivo.

A proposta de lei sobre o Novo Regime Jurídico de troca de informações foi apresentada em sede Conselho Executivo e pretende equiparar-se às normas internacionais e ao padrão acordado pelos membros do G20 e da União Europeia. Além da actual troca de informações fiscais a pedido, o diploma prevê trocas automáticas e espontâneas.

A troca automática é predefinida e efectuada “em intervalos regulares preestabelecidos”, disse o director do Serviço de Finanças, Iong Kong Leong. As informações incluem “a conta de um cidadão estrangeiro, nome, endereço ou até saldo da sua conta”, sublinhou o responsável.

A proposta apresentada pelo Conselho Executivo esclarece que se aplica a “residentes fiscais estrangeiros que possuam as respectivas contas financeiras na RAEM [Região Administrativa Especial de Macau]”.

A chamada “troca espontânea” é uma comunicação não sistemática, mas que pode acontecer a qualquer momento e na ausência de um pedido. Tal acontece se Macau “suspeitar que existe uma perda de receita fiscal em relação a outras partes contratantes, ou se um contribuinte obtiver na RAEM uma redução ou uma isenção de imposto que pode implicar um aumento do imposto nas outras partes (…), e se suspeitar que o contribuinte pratica actividades relacionadas com a fraude, bem como fuga e evasão fiscais”.

Iong Kong Leong frisou que a troca “existe para saber se alguma empresa está a declarar algo falso”, mas “não é para um procedimento de cobrança coerciva”.

A troca automática e a espontânea não implicam que o contribuinte seja informado. No entanto, as informações “têm de estar sujeitas a codificação, assegurando o sigilo”, disse o director das Finanças.

Este sistema é válido para as partes que assinem convenções bilaterais nesse sentido com Macau, como é o caso de Portugal e Estados Unidos.

O acordo com Portugal apenas inclui as trocas de informação a pedido e vai ser revisto. O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, é esperado em Macau a 5 de Abril. Numa curta mensagem enviada ao PONTO FINAL, a Direcção dos Serviços de Finanças confirma isso mesmo: “A celebração do acordo [actualmente existente] permite a troca de informações entre as duas partes a pedido de uma delas, estando em curso os procedimentos internos relativos à sua celebração. Quando à troca automática de informações, fica por negociações entre as duas partes e por conclusão da legislação da lei sobre a nova troca de informação em matéria fiscal”, complementa o organismo.

Quando há trocas a pedido, o contribuinte tem de ser informado e o acto tem de ser autorizado pelo chefe do Governo. Tal acontece, por exemplo, “quando se quer saber se as informações declaradas são verdadeiras ou não, quanto tem que ver com uma ordem pública, com segurança, direitos de propriedade”, disse Iong, listando possíveis motivos para o pedido de troca de informações.

O porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng, sublinhou que o acordo com Portugal “será actualizado” para incluir os diferentes tipos de trocas de informação fiscal mas que “não implica um aumento da taxa tributária”.

A norma internacional obriga a que o sistema comece a funcionar em 2018, pelo que é necessário Macau começar a recolher informações antes, a 1 de Julho. A proposta de lei será enviada para a Assembleia Legislativa “dentro de dias”.

 

 

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