Na UM, também se ensina a história da China através das moedas e das notas

Há um novo museu em Macau dedicado à história do sistema monetário internacional. Moedas e notas bancárias do Ocidente e do Oriente estão agora expostas na Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau. A inauguração do Museu da Moeda, que decorreu ontem, contou com a presença de representantes de instituições locais e da China Continental.

 

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Joana Figueira

joanafigueira.pontofinal@gmail.com

 

 

Uma colecção de moedas e notas bancárias raras, dos tempos da China Imperial , mas também da República Popular da China – bem como edições limitadas de notas bancárias contemporâneas –  preenchem desde ontem os escaparates do Museu da Moeda, um novo espaço museológico inaugurado na Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau (UM). O novo museu  pretende, principalmente, educar os mais jovens sobre a história das moedas e das cédulas bancárias, quer no Oriente, quer no Ocidente. O director da faculdade, Jacky So, defende que um tal conhecimento é essencial para a “aprendizagem da história da China e para o processo de identificação com a China e a sua cultura.”

“Há laboratórios onde se estuda física ou química ou se fazem experiências, mas nas ciências sociais não se faz isso, certo? Por exemplo, quando se ensina a banca ou as finanças não existe laboratório, portanto espero que o Museu da Moeda permita aos alunos e aos professores usarem as moedas e as notas do mundo real para integrarem e assimilarem o que aprendem nas salas de aula”, explicou Jacky So ao PONTO FINAL.

No novo espaço, podem ser encontradas moedas a partir da Dinastia Qing, altura em que ainda estavam vigentes crenças mais tarde dissuadidas. O dirigente da faculdade contou a história do tempo em que, no Continente, se afirmava que o céu era redondo e a terra quadrada: “Se se olhar para o dinheiro [daquele tempo], as moedas apresentavam um formato redondo mas com um formato quadrado no meio. Era a mentalidade em voga naquele tempo, acreditar que o céu é redondo e a terra quadrada. É claro que, naquele tempo, não sabiam nada sobre o universo ou o céu, então tinham esta ideia básica e faziam o dinheiro de acordo com ela. É interessante”, defende.

Jacky So adiantou que outro dos objectivos da fundação do Museu da Moeda é mostrar aos estudantes o desenvolvimento económico da China como “um dos maiores” alguma vez registados. Neste sentido, o académico destacou a importância da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e de como a mesma está a tentar colocar a China num lugar central em termos financeiros: “Com o sucesso de ‘Uma Faixa, Uma Rota’ o reminbi vai, definitivamente, tornar-se uma moeda internacional e, definitivamente, uma das mais fortes.”

Jacky So, que já foi professor visitante no Departamento da Ásia e Pacífico do Fundo Internacional Monetário (FMI), defende ainda a necessidade de “manter o dinheiro sólido porque brevemente a geração mais jovem pode não ter a oportunidade de vê-lo, de todo”, devido à crescente utilização de formas de pagamento que tornam o dinheiro quase obsoleto.

“Muito em breve, vamos viver apenas dessa forma porque vamos continuar a modernizar a moeda. A longo prazo, a população mais nova provavelmente nem terá moeda física. Usamos todo este dinheiro virtual, mas depois eles [jovens] dão-nos outra razão para a necessidade de manter o dinheiro sólido” no museu, disse o dirigente. “Precisamos de lhes dizer “Hey! Ao longo de séculos tivemos estas coisas sólidas”, acrescentou.

Para a criação do Museu da Moeda, a Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau contou com o apoio da maioria dos bancos de Macau, alguns dos quais doaram exemplares. O projecto contou ainda com o envolvimento de agências governamentais, empresas, escolas locais, associações e coleccionadores a título individual.

Em Macau, a geração mais jovem não é tão agressiva

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Para Jacky So, apresentar o sistema monetário e a sua evolução no Continente ao longo dos séculos “é a melhor forma de, de certa maneira, educar as gerações mais jovens” quanto à história e cultura chinesas e de promover uma maior identificação e sentido de pertença à República Popular da China. O director da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau estabeleceu uma comparação entre o território e a vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong: “Em Hong Kong, as gerações mais jovens protestam e não estão satisfeitas com o Governo. Por sorte, as gerações mais jovens de Macau não são tão agressivas, mas isso não significa que não precisem de ser educadas”, defendeu o académico.

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