CSI: Macau

As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

Imitação brilhante

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A pedra transparente que enfeitava o anel que aquele cavalheiro exibia brilhava mais do que a lágrima de agonia que lhe percorria o rosto. A falsidade de ambas, porém, era a mesma. Tinha vindo da China Continental para se divertir nos casinos mas, segundo dizia, havia perdido o dinheiro todo e já não tinha nem para comer.

F. acreditou que o anel valesse mesmo 120 mil dólares de Hong Kong (123 mil patacas), como alegava o sujeito, e apiedou-se dele: tomou a jóia como caução e emprestou-lhe as 1400 patacas que tinha na carteira, para que ele pudesse jantar. Dado o valor do anel, não teve também problemas em levantar numa caixa de Multibanco mais 22 mil patacas para que ele pudesse pagar outras despesas e também não desconfiou, pouco depois, quando ele se lembrou de repente de que o patrão lhe tinha pedido para comprar um telemóvel que valia 17 490 patacas. Emprestou também esse dinheiro e trocou contactos com J., que prometeu que devolvia tudo no dia a seguir.

Como tal não aconteceu, F. foi a uma casa de penhores para empenhar o anel, crente que ia sair de lá com mais dinheiro do que o que havia emprestado: “Isso não vale nada”, disse-lhe, no entanto, o funcionário da loja, fitando através da lupa de joalheiro a pedra de imitação.

Queixou-se à Polícia Judiciária, que demorou apenas dois dias para encontrar o homem no NAPE, na quarta-feira passada. A polícia confirmou também que se tratava do mesmo sujeito que já tinha aplicado três golpes semelhantes em Macau no ano passado. Interrogado pelos agentes, o comerciante chinês admitiu que tinha comprado o último anel em Zhuhai, por não mais do que 2300 yuans (2670 patacas). O total que havia arrecadado com os quatro crimes ascendia a quase 84 mil patacas, dinheiro que posteriormente viria a perder todo ao jogo.

Encaminhado para o Ministério Público, J. foi julgado pelo crime de burla.

Cartões falsos da Malásia

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Preparado para regressar a casa e ao seu emprego como taxista, V. queimava os últimos cartuchos do golpe para o qual havia sido recrutado na Malásia por uma rede de falsificação de cartões de crédito para vir actuar a Macau. Cometeu, no entanto, o erro de usar um dos cartões falsos para pagar o depósito quando deu entrada no hotel. A irregularidade foi detectada e a Polícia Judiciária alertada, na quinta-feira.

Quando entraram no aposento, os agentes deram logo com uma série de malas de cabedal e acessórios de marca, e encontraram também 17 cartões de crédito, todos falsos. V., de 31 anos, que acabaria por ser detido apenas no dia seguinte, confessou ter usado com sucesso quatro dos cartões, em transacções que ascendiam a mais de 102 mil patacas.

No mesmo dia, um outro cidadão malaio, de 19 anos, foi detido, tendo em sua posse 21 cartões, dos quais três tinham sido usados com sucesso para comprar a mercadoria que se encontrava no seu quarto de hotel: malas, carteiras e sapatos, num total de 37 mil patacas. O indivíduo terá agido com um cúmplice, que se encontra a monte, e com o qual já havia atacado entre os dias 6 e 8 deste mês, quando a dupla trouxe para Macau 20 cartões de crédito falsos e realizou compras que ascenderam a 180 mil patacas.

Sapatilhas maradas

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Fanático da moda desportiva, K. ficou siderado quando viu numa página de vendas do Facebook as fotos do último modelo de sapatilhas de uma marca famosa. Tanto que encomendou logo três pares. O preço – 2200 patacas pelo par – parecia um bom negócio, tendo em conta o que custavam nas lojas oficiais.

Seguiu as instruções que lhe foram passadas pelo responsável da página na rede social e depositou as 6600 patacas do valor total da compra na conta de banco indicada. Passados uns dias, recebeu um dos pares de sapatilhas e o pedido de desculpas do vendedor, que explicou que aquele era o último par disponível no momento, mas que os outros dois seriam enviados em breve.

K. aceitou esperar, até porque estava encantado com aquele primeiro par de sapatilhas, que achou “muita maradas”. Aproveitou para passar por uma loja da marca, só para confirmar a sua autenticidade, mas acabou por confirmar que elas eram maradas, mas literalmente: colocadas lado-a-lado com umas originais, as diferenças nos detalhes eram evidentes. Voltou a tentar contactar o vendedor para pedir o reembolso, mas sem sucesso, e apresentou queixa na Polícia Judiciária, que está a investigar a burla.

Colecção de fichinhas

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Croupier num casino de Macau, a quarentona B. fartou-se da monotonia do seu trabalho aos comandos da roleta e arranjou no mês passado um passatempo para se distrair: cada vez que se apanhava sozinha, sem nenhum apostador por perto, metia uma ou duas fichas de jogo ao bolso. Nos intervalos, levava as rodelinhas de plástico para o seu cacifo e guardava-as na mala.

Repetiu por várias vezes o truque, até que a equipa de segurança do casino detectou a trapaça da funcionária, graças às imagens das câmaras de videovigilância. Chamada a intervir, a Polícia Judiciária interrogou a mulher, que confessou ter executado o estratagema por 19 vezes. Os agentes foram revistar o seu apartamento e encontraram uma colecção de fichas de jogo, num valor total que ascendia a 145 mil dólares de Hong Kong (149 mil patacas).

Presente ao Ministério Público, B. teve de responder pelo crime de peculato.

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