A arte de manipular bonecos, no regresso do Encontro de Marionetas

 

O 3º Encontro de Marionetas de Macau, organizado pela Casa de Portugal e com apoio da Fundação Oriente, tem início hoje com a inauguração de uma exposição de “Marionetas Asiáticas” que integram o espólio da coleccionadora Elisa Vilaça. A iniciativa estende-se até 2 de Abril e inclui um conjunto de espectáculos assinados por marionetistas locais, mas também de Hong Kong.

 

Sílvia Gonçalves

silviagoncalves.pontofinal@gmail.com

 

O 3º Encontro de Marionetas de Macau arranca hoje com a inauguração da exposição “Marionetas Asiáticas”, na Casa Garden, às 18h30. A mostra, que se apresenta até 15 de Abril, reúne 70 peças, provenientes de nove países, que pertencem ao espólio da colecionadora e marionetista Elisa Vilaça. A iniciativa, que decorre até 2 de Abril, contempla ainda um conjunto de espectáculos de marionetas concebidos por Elisa Vilaça, Sérgio Rolo e pelo grupo Hong Kong Puppet and Shadow Art Center.

“Nesta exposição encontramos um conjunto de várias marionetas asiáticas, de nove países: Tailândia, Birmânia, Vietname, Nepal, China, Sri Lanka, Índia, Indonésia e Cambodja. São setenta peças, incluindo também um conjunto de marionetas de sombras destes países”, conta Eliza Vilaça ao PONTO FINAL. A colecionadora, que assume a curadoria da exposição, descreve um acervo actualmente dividido entre dois continentes e que começou a construir nos anos 80: “Estas peças fazem parte de um espólio que eu tenho. Em Macau tenho cerca de 600 peças, em Portugal mais de 300, provenientes de vários países, de todo o mundo. A parte asiática talvez seja uma das partes de que eu tenho maior representatividade, porque como estou em Macau já há uma série de anos, tenho conseguido adquirir estas peças com mais facilidade do que muitas vezes as próprias peças na Europa”, conta.

Elisa Vilaça, que é também directora da Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal, assume o propósito pedagógico de uma mostra que traduz diferentes técnicas na arte de manipular figuras em palco: “Tento com estas marionetas explicar um bocadinho das diferentes técnicas que existem de manipulação. Por isso na exposição há marionetas de vara, de fios, de luva, e sombras, vários tipos de manipulação. É tentar dar a conhecer ao público um bocadinho a diversidade que existe nestas peças, e o valor que elas têm, um valor histórico e patrimonial”, defende.

O conjunto representa, no entender da colecionadora, uma transmissão de saberes que atravessa gerações: “É uma passagem de testemunho que se vem arrastando ao longo de décadas, de milhares de anos. A China e a Índia são talvez os países de que mais cedo há registos do trabalho deles, da existência de marionetas e de marionetistas. Ao longo de todos estes anos, a história das marionetas asiáticas tem sido uma história que se tem mantido muito de tradição, do passar de um testemunho de família em família”. E que são utilizadas sobretudo “como um elemento de propagação da religião”.

Elisa Vilaça, que tem estado ligada à organização de paradas e espectáculos em que a Casa de Portugal participa, também constrói “marionetas gigantes, porque é um tipo de marionetas que são mais utilizadas nestes espectáculos”. Uma intervenção que não está circunscrita à criação das peças: “No meu trabalho sou que faço a construção de tudo. Por isso crio os bonecos, imagino-os. Se for para algum espectáculo, normalmente sou eu que faço depois a própria manipulação dos bonecos”.

E é isso mesmo que irá fazer em alguns dos espectáculos por si concebidos, que serão apresentados ao longo do 3º Encontro de Marionetas de Macau. O arranque acontece com “Capuchinho Vermelho”, que Eliza apresenta a 31 de Março, às 10h30, no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes. A 1 de Abril, a companhia Hong Kong Puppet and Shadow Art Center leva à Casa Garden, às 15 horas, os espetáculos “The Vaudeville” e “Drunk Zhong Kui”.
Às 16 horas, no mesmo espaço, Elisa Vilaça apresenta “En Cantos”, “um espectáculo para bebés”, conta a marionetista, com música ao vivo de Tomás Ramos de Deus e Miguel Andrade. Os espectáculos de Elisa e da companhia da vizinha RAEHK repetem-se a 2 de Abril, às mesmas horas: “Trouxemos este grupo de Hong Kong porque, como são técnicas chinesas, queríamos, de alguma forma, que estes espectáculos possam ser vistos pela comunidade local”, explica Elisa. Nesse mesmo dia, às 18h30, Sérgio Rolo, “um antigo marionetista do Teatro de Marionetas do Porto”, apresenta “Mono”, na Black Box da Escola de Artes e Ofícios.

 

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