Coreia do Norte poderá ter vigiado família de Kim em Macau

Uma cidadã espanhola a viver em Macau escreveu na revista electrónica Yuanfang que se pode ter cruzado com um espião norte-coreano no edifício onde mora e cuja descrição corresponde ao Ocean Gardens. Alicia Morales menciona também um reforço policial na zona após a morte de Kim Jong-nam.

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Os serviços secretos da Coreia do Norte poderão ter destacado agentes para o território para vigiar os membros da família de Kim Jong-nam que cá residiam. A hipótese é avançada por uma cidadã espanhola radicada em Macau, que revela que se cruzou, num elevador de um dos edifícios do que aparenta ser o complexo residencial Ocean Gardens, com uma figura suspeita. O encontro registou-se dias após o assassinato, na Malásia, de Kim Jong-nam, meio-irmão do ditador norte-coreano Kim Jong-un.

Num longo testemunho, publicado no portal da revista Yuanfang por Morales, a professora universitária confirma ainda que houve também um reforço da segurança no edifício onde alegadamente vivia a segunda mulher e dois dos filhos de Kim Jong-nam. O local foi anteriormente identificado por vários meios de comunicação social como sendo o Ocean Gardens.

Alicia Morales, que admite que na altura estava ligeiramente febril, refere um episódio, dias após o assassinato de Kim em Kuala Lumpur, no qual se cruzou no elevador com um homem de “porte atlético e feições asiáticas”, que nunca tinha visto no edifício. O indivíduo em causa estava nesse momento a ler com muita atenção um postal escrito em coreano: “Reparei nele porque tinha consigo cartas de correio e postais escritos à mão. Na altura pensei: ‘Que bom ainda existem pessoas que enviam postais’”, escreveu Morales sobre a primeira impressão que o sujeito lhe suscitou.

“O que estava escrito naquele postal devia ser muito importante porque ele estava tão absorvido na leitura que não reparou que já tínhamos parado no andar em que ele queria sair. Fui eu que lhe tive de dizer que já tínhamos chegado ao 14.º andar”, conta.

Alicia Morales revela que só segundos depois, após um comentário de um dos seus filhos com quem subia no elevador, é que teve a noção que o postal estava escrito em coreano e que tinha na frente o desenho de uma bandeira norte coreana e aviões militares: “Mãe, reparaste que o homem tinha um postal escrito em coreano? No verso tinha uma bandeira da Coreia do Norte e aviões militares. Também o selo era da Coreia do Norte”, afirmou o filho.

A autora revela que depois de ter chegado a casa o filho acabou por encontrar o motivo do postal, e que este é tradicionalmente vendido como um souvenir da Coreia do Norte: “Um pouco mais tarde, o meu pequeno pesquisador enviou-me uma fotografia para o telemóvel: ‘Era isto’”, relata. “Tratava-se de um postal de propaganda anti-EUA que se vende como lembrança na Coreia do Norte, de onde tinha sido enviado”, concluiu Alicia Morales.

Ainda sobre o facto da família de Kim Jong-nam viver em Macau, Morales escreve que viu um reforço policial num edifício da Taipa, através do qual se pode chegar através do autocarro número 11. A descrição corresponde ao Oceans Gardens e bate certo com as notícias avançadas após a morte do meio-irmão do ditador, de que as autoridades de Macau estariam a zelar pela segurança da família do filho primogénito de Kim Jong-il.

O PONTO FINAL tentou chegar ao contacto com Alicia Morales para obter mais esclarecimentos, mas até ao fecho da presente edição do jornal o esforço acabou por se revelar infrutífero.

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