Edmund Ho ajudava a libertar fundos de Macau para associação de promoção da cultura chinesa

 

O antigo Chefe do Executivo de Macau, Edmund Ho, sabia que Ho Chio Meng fazia parte da associação de promoção da cultura chinesa e ajudava a desbloquear financiamento para a instituição. A revelação foi ontem feita, no Tribunal de Última Instância, por um dos responsáveis pelo organismo.

1.Ho Chio MEng

João Santos Filipe

Ho Chio Meng era o elo de ligação entre a Associação de Promoção da Cultura Chinesa, um organismo da República Popular da China, e o Chefe do Executivo Edmund Ho, quando a instituição precisava de fundos. A revelação foi ontem avançada por um ex-membro da Associação, Liu Guo Ping, que ontem ofereceu o seu testemunho em tribunal, no âmbito do processo em que o antigo Procurador do Ministério Público responde por mais de 1500 crimes.

De acordo com a testemunha, que veio de propósito de Xangai para depor em Macau, quando eram necessários fundos a Associação de Promoção da Cultura Chinesa – representada no território através da  Macau Chinese Culture Promotion Society, associação que não tem uma designação em língua portuguesa– falava com Ho Chio Meng, que por sua vez abordava Edmund Ho.

“Nós comunicávamos com o Ministério Público porque era difícil contactar com o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Era o senhor Ho que falava com o Chefe Executivo Ho para injectar fundos”, revelou em tribunal Liu Guo Ping.

As declarações acabaram por não levantar  qualquer questão sobre o papel de Edmundo Ho neste processo, mas soube-se que o antigo Chefe do Executivo esteve reunido com representantes da associação. Também não foi possível esclarecer se o dinheiro vinha directamente dos cofres do Ministério Público, do Governo ou era fornecidos através de outras instituições, como a Fundação Macau.

No entanto uma busca rápida nos apoios concedidos pela Fundação Macau permite saber que no último trimestre de 2008, por exemplo, foram fornecidas 100 mil patacas a esta instituição para a organização de um intercâmbio cultural dos “Dois Lados dos Estreitos”.

O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, que a testemunha definiu como alguém que era difícil de contactar, é o actual Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On.

Liu Guo Ping explicou também que Ho Chio Meng chegou a desempenhar o cargo de vice-presidente da associação e que participou em diferentes actividades promovidas pelo organismo, em locais como Pequim, Xian ou Tangshan.  Segundo a mesma testemunha também houve em Macau um grande evento da associação, que na altura contou com a presença de alguns membros do Governo.

 

Irmã de Ho Chio Meng ouvida

 

Na parte da tarde foi ouvida a irmã de Ho Chio Meng, Ho Tak Fan, que explicou que era o antigo Procurador que tratava conta do pai. A irmã do ex-procurador afirmou mesmo que o pai, que morreu a 24 de Dezembro de 2014, costumava confiar o seu dinheiro a Ho para que o filho o guardasse numa conta bancária.

Quando foi questionada sobre o facto do pai de Ho Chio Meng dar o dinheiro ao filho, apesar de ter uma conta em seu nome, Ho Tak Fan não conseguiu explicar o facto, mas recordou que já na juventude o pai confiava o dinheiro ao ex-Procurador : “O meu pai nunca me explicou porque pedia ao Ho Chio Meng para meter o dinheiro na conta dele. Mas eles sempre se deram muito bem. Mesmo quando o meu pai era mais novo, depois da minha mãe ter morrido… Já nessa altura ele dava o dinheiro a Ho Chio Meng, que ainda era um estudante do secundário, para que ele o guardasse”, defendeu.

Sessão anunciada com sete minutos de antecedência

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A sessão de ontem não estava agendada e foi anunciada pelo Tribunal de Última Instância apenas com sete minutos de antecedência, ou seja por volta das 9h53. Este facto fez com que até o veículo que transporta Ho Chio Meng chegasse ao tribunal após as 10h00, hora a que estava agendado o início da sessão. O julgamento não foi, no entanto, reiniciado sem o ex-Procurador.

No entanto, a advogada de defesa, Oriana Inácio Pun explicou que apesar do julgamento estar suspenso que a situação estava prevista. Esta opção justifica-se pelo facto de haver testemunhas de fora de Macau que já estavam notificadas para comparecer nestas datas: “Na verdade, o Tribunal tinha agendado a próxima sessão para o dia 29, mas sem prejuízo de ouvir as testemunhas que já  tinham sido notificadas e que vivem fora de Macau. O tribunal fez isso bem para evitar o trabalho das testemunhas de virem cá e depois correrem o risco de não poderem falar. Foi isso que aconteceu”, explicou a advogada.

A próxima sessão do julgamento está agendada para quarta-feira às 15h00.

 

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