C.S.I: Crime Série Ilustrada

As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

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Moto-trapalhadas

Era tarde, cerca da 1h da manhã de sábado, e havia pouca gente a passar por perto, mas T. estava em plena Avenida do Nordeste, na Areia Preta. Por isso, para não arriscar, olhou bem à volta e certificou-se de que não estava mesmo ninguém nas imediações antes de avançar para aquele motociclo, cujo dono parecia ter-se esquecido da chave na fechadura do compartimento para o capacete.

Abriu o receptáculo sem problemas e removeu o que lá estava. Experimentou com a chave e conseguiu destravar o guidão, mas não foi capaz de fazer funcionar a ignição. Continuou a tentar sem sucesso, até que achou melhor levar a moto para outro sítio. Empurrou-a para um beco mais escondido e fez de tudo para conseguir dar a partida, mas o veículo teimava em não responder. Tantas fez que, às tantas, perdeu o equilíbrio e deixou a moto tombar, provocando-lhe estragos. Teve medo de que a barulheira chamasse a atenção da vizinhança e decidiu retirar-se de fininho. Voltaria no dia seguinte para tentar novamente, se a moto ainda ali estivesse.

E assim foi. No domingo à mesma hora, espreitou para a ruela onde havia deixado o motociclo e confirmou que ele ainda lá estava. Olhou em volta. Decidiu agir com naturalidade, como se a moto fosse sua. Retirou o capacete do compartimento, calçou as luvas e vestiu o casaco impermeável. Investiu novamente com a chave para a ignição. “Hoje tem que funcionar, caramba!”, terá pensado.

Mas, por muitas voltas e jeitinhos que desse à chave, a moto não dava o menor sinal de vida. De paciência perdida, resolveu empurrá-la mesmo à mão. Ia pela Rua do Canal Novo, quando uma patrulha da Polícia de Segurança Pública o surpreendeu. Os agentes acharam que o indivíduo estava a agir de forma suspeita e resolveram interceptá-lo. Não foi preciso muito para que confessasse o furto.

Presente ontem de manhã ao Ministério Público, o desempregado, de 24 anos, teve de responder pelo crime de furto e uso de veículo e pelos danos nele causados, calculados em duas mil patacas.

Medo de escutas

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Sem a mínima ideia sobre as razões que levavam os Serviços de Migração a estarem a ligar-lhe, na sexta-feira passada, B. ficou ainda mais confusa com a explicação: “Temos suspeitas de que você ajudou uma pessoa da China Continental a conseguir um salvo-conduto de forma irregular”, alegava a mulher do outro lado da linha, antes de transferir a chamada para as “autoridades policiais chinesas”.

Antes de entrar em mais detalhes, o “comissário” da polícia chinesa avançou com um pedido insólito, ao solicitar a B. que comprasse o mais depressa possível um outro telemóvel, a partir do qual receberia mais instruções: “É que queremos evitar que a nossa conversa seja alvo de escutas”, explicou o agente.

B. assim fez e, através do novo aparelho, soube que podia estar a ser utilizada como bode expiatório de uma rede criminosa. Para que prosseguissem as investigações que acabariam por provar a sua inocência, a mulher, de 40 anos, tinha de depositar 312,9 mil yuans (362,3 mil patacas) numa conta da polícia. Tinha acabado de concluir a transferência para a conta indicada quando lhe caiu a ficha e começou a pensar que podia estar a ser alvo de burla. No sábado e domingo seguintes, a Polícia Judiciária recebeu outras seis denúncias de golpes com a mesma descrição.

Prenda proibida

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Comissário de bordo numa companhia aérea, J. gosta sempre de levar à mulher, quando regressa à Indonésia, uma prenda dos sítios por onde viaja. No sábado, passou por Zhuhai, e foi às compras, quando viu um artigo que lhe pareceu de extrema utilidade para a sua companheira se defender de eventuais malfeitores, até porque J. passava muito tempo fora de casa: um bastão que, accionado pelo seu utilizador, emitia um choque eléctrico capaz de imobilizar um suposto assaltante. Por apenas 150 yuans (173 patacas), nem pensou duas vezes.

No dia seguinte, arrumou o instrumento na sua bagagem de mão e preparava-se para embarcar mas, ao passar pelo exame de raios-X da segurança privada do aeroporto de Macau, viu-lhe ser detectado o artefacto. Levado para a esquadra da Polícia de Segurança Pública, o homem de 51 anos explicou que não sabia que o bastão imobilizador era uma arma proibida e que embarcá-lo numa aeronave era considerado um crime. Mesmo assim, teve de voltar a contar a sua história e justificar-se perante o Ministério Público.

 

Diamante em fuga

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Um grupo de cinco amigas da China Continental chegou a Macau na quinta-feira e fez check-in num hotel do Cotai. A., de 25 anos, partilhou o seu quarto com duas das outras amigas. Antes de partirem para a diversão no casino, as mulheres tomaram cada uma o seu duche. Ao entrar no chuveiro, A. retirou o seu anel de diamante e deixou-o em cima do lavatório, mas só voltaria a lembrar-se dele no dia seguinte. Revirou a casa de banho toda, mas não o encontrou.

Chamada a intervir, a Polícia Judiciária interrogou o grupo de amigas, até que uma delas, uma rapariga de 20 anos, confessou que tinha sido ela a encontrar a jóia abandonada no lavatório e apoderar-se dela. Mostrou-se arrependida, mas só que, mesmo que a quisesse devolver, era tarde de mais: já a havia empenhado por 50 mil dólares de Hong Kong (51,5 mil patacas) numa casa de penhores do Centro… e levado o dinheiro até uma loja na Taipa para o depositar numa conta na República Popular da China. Foi acusada do crime de furto.

 

 

 

 

 

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