Rota das Letras: Dois romances com Goa e a Irlanda como pano de fundo

A goesa Jessica Faleiro e a irlandesa Claire Keegan apresentaram ontem duas das suas obras em mais uma sessão do Festival Literário de Macau – Rota das Letras. Os dois romances –  “Afterlife: Ghost Stories from Goa” (2012) e “Walk the Blue Fields” (2007) – foram recebidos de forma positiva pelo público e pela crítica.

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Fotografia: Eduardo Martins;

“Autores e os seus livros”. Foi este o mote para uma sessão do Rota das Letras que reuniu ontem no edifício do Antigo Tribunal duas escritoras com raízes em pontos muito distintos do planeta. Jessica Faleiro, goesa, falou sobre “Afterlife: Ghost Stories from Goa” (2012), o seu primeiro romance que considera ser composto por histórias conduzidas pela temática da descoberta. Já Claire Keegan, oriunda da Irlanda, articulou sobre “Walk the Blue Fields” (2007), uma narrativa escrita a partir da perspectiva de um padre que trava uma luta interna com o desejo.

Para Jessica Faleiro, “Afterlife: Ghost Stories from Goa” representou o exorcizar de uma vivência que a acompanhava há quase três décadas. O núcleo original do seu primeiro romance partiu de um episódio da sua vida pessoal que a atormentava desde os seus 10 anos e que teimou em não se dissipar até que fosse passado para o papel. No entanto, a escritora assume que o registo autobiográfico não é, de todo, o que povoa a sua obra. “Acho que acabei por escrever um pouco sobre o que sei e algumas partes são auto-biográficas, mas tem outras camada, tanto de informação como de imaginação”, explicou a autora.

As diversas histórias que se cruzam na obra de Faleiro apresentam uma Goa assombrada, numa narrativa centrada numa família de ascendência portuguesa, a família Fonseca. São as memórias dos vários membros da família que interligam todos os contos, transformando-os num romance. Depois do processo de escrita de cada conto, a escritora sentiu que qualquer coisa os conectava: “As minhas histórias estavam relacionadas por diferentes membros da mesma família. Portanto, a estrutura e a premissa acabou por ser a reunião da família em Goa”, explicou.

Jessica Faleiro, que também escreve não-ficção e crónicas de viagem, considera o registo descritivo fundamental para a construção de um romance: “Para as histórias de fantasmas, é preciso construir uma intenção, uma atmosfera, num determinado lugar”, defendeu a escritora.

O espaço da acção, precisamente, é aquilo que Claire Keegan coloca da sua própria vivência nos livros que escreve: “É muito raro escrever sobre coisas que me aconteceram, eu adoro inventar histórias. O que eu faço frequentemente é utilizar lugares onde estive”, referiu a escritora irlandesa. Keegan falou sobre “Walk the Blue Fields”, um romance que explora situações partindo da perspectiva de um padre que vive uma luta interior contra o desejo.

Para Keegan, o sofrimento é um companheiro quotidiano, mas um companheiro que lhe serve a escrita. “Se não houver um problema, não existe história e o problema está associado ao mundo que nos rodeia. (…) Enquanto artista, suponho, a minha resposta a isso é escrever no género ficção porque a ficção é arte temporária baseada no tempo. O tempo é irreversível e segue numa só direcção”, disse. J.F.

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