Instituto Cultural desconhece venda de edifício no Largo do Lilau

O imóvel, de três andares, tem 435 metros quadrados e insere-se no conjunto de edifícios históricos do Largo do Lilau. O pitoresco bairro tem mais de quatro séculos de história e foi classificado como Património Mundial pela UNESCO.

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Rodrigo de Matos

Nada menos do que 250 milhões de dólares de Hong Kong – 257 milhões de patacas – é quanto terá de despender quem quiser adquirir a mansão no Largo do Lilau onde funcionam as galerias de arte 37 e 49. O Instituto Cultural (IC) foi apontado como possível comprador, dado o interesse histórico do largo e do edifício em si. Contactado pelo PONTO FINAL, o IC diz não ter conhecimento do negócio, mas não nega interesse no edifício.

Trata-se de um imóvel de três andares, numa área de 435 metros quadrados, e que se insere no conjunto de edifícios históricos do Largo do Lilau, um local com mais de 400 anos de história. Para atrair potenciais compradores, a proprietária – a magnata do imobiliário Isabel Chiang – uniu esforços com a galeria Iao Hin para organizar um evento conjunto que pauta também a inauguração de uma nova galeria – a Âmbar – da Iao Hin. O novo espaço fica situado em frente ao edifício e abre portas no dia 26 deste mês. O evento inclui uma apresentação de Francisco Vizeu Pinheiro – arquitecto reconhecido pelo seu trabalho na área da conservação do património e responsável pela última renovação da casa –  que irá falar sobre o Património Cultural de Macau e os quatro séculos de história do Largo do Lilau.

“O IC não tem nenhuma informação relativa à venda das galerias 37 e 49 localizadas no Largo do Lilau, pelo que não tem nenhum plano de aquisição”, foi a resposta do organismo, enviada por escrito, deixando no ar a ideia de que a compra, enquanto cenário a considerar, estaria dependente do conhecimento da intenção do proprietário em vender. Perante a insistência, com o intuito de saber se o Instituto Cultural afastava de todo ou admitia a hipótese, a resposta foi um lacónico: “Como não temos qualquer informação no momento, não podemos responder”.

O PONTO FINAL soube junto de Simon Lam, da galeria Iao Hin, que até ao fecho desta edição ainda não tinham aparecido interessados. “Até ao momento, ainda não houve qualquer contacto no sentido de adquirirem a mansão, mas também não admira porque apenas começámos agora a divulgar o evento”, adiantou o responsável. Simon Lam comentou ainda a hipótese de o Governo querer preservar a mansão histórica no domínio público: “Não temos ainda qualquer sinal de interesse por parte do Instituto Cultural, mas não nos admiraria que isso viesse a acontecer, uma vez que [o organismo] tem vindo a adquirir os outros edifícios históricos na zona”, observa.

Desde Julho de 2005 que todo o Largo do Lilau é reconhecido como Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), constituindo um marco no centro histórico da cidade, no corredor entre o Templo de A-Ma e as Ruínas de São Paulo.

 

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