Season Lao. O Inverno em papel artesanal

 

Season Lao marcou presença na “Singapore Contemporary ”, em Janeiro, para apresentar “Winter”, um projecto que foi beber inspiração à forma como se vive o Inverno nos antigos coutos mineiros da ilha de Hokkaido, no Japão. O artista, natural de Macau, explicou ao PONTO FINAL a essência do seu trabalho mostrado em Singapura que atravessa, afinal, toda a sua criação artística.

 

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A simbiose entre a natureza e o Homem inspiram Season Lao e a sua arte reflecte a espiritualidade e a identidade que o artista local procura para contrariar a falta de harmonia que invade as sociedades de hoje. O primeiro Inverno que passou na ilha de Hokkaido, no Japão, em 2009,  alimentou a sua forma de estar na fotografia, apesar de Lao assumir que é apenas um meio a que recorre para transmitir “um horizonte imaginário que surge das profundezas da sua espiritualidade”. “Winter”, um conjunto de sete fotografias que o artista captou aquando da sua primeira visita à ilha japonesa, esteve exposta em Janeiro passado na Singapore Contemporary Art, uma das maiores mostra de arte contemporânea do Sudeste Asiático.

As ruínas de uma mina de carvão na cidade de Yubari –  cobertas de “neve, silêncio e pureza” depois do tumulto das demolições – foram atiradas para o papel  artesanal produzido pelo próprio artista: “O Inverno é um tipo de fim, tal como a Primavera é um começo. Eu penso que essa rotação e indecisão tornam-se os fundamentos que nos empurram para a frente no que respeita ao amadurecimento emocional e cultural”, explicou Season Lao ao PONTO FINAL.

Os antigos coutos mineiros de Hokkaido, a segunda maior ilha do arquipélago japonês, remetem o artista plástico para a realidade das suas origens: “Os coutos mineiros de Hokkaido assemelham-se à Macau de agora e às suas transformações aceleradas devido à captação de financiamento dos casinos”, salienta o jovem artista.

Para Lao, contudo, e por oposição, estas realidades têm o poder de ensinar o significado de viver em simbiose com a natureza: “Quero encontrar uma solução para as formas de existência das pessoas e da natureza, que devem interagir seja de que forma for”, assinalou.

A filosofia do francês Félix Guattari (1930-1992), que sugeria a unificação de perspectivas da ecologia – o ambiente natural, a sociedade e o coração humano – norteiam a visão do mundo que Season Lao introduz nos seus trabalhos. Em “Winter”, por exemplo, negou o uso do papel fotográfico feito em máquinas modernas e abarcou a perspectiva consciente da natureza – que lhe é característica –, resultando na produção de um papel composto por fibras de plantas vegetais. “

“Tal como um escultor selecciona cuidadosamente os seus materiais, para mim, a selecção do papel artesanal enquanto material é um importante meio de expressão. Fotografias comuns são coisas que reproduzem a realidade”, considerou Season Lao: “Nas artes plásticas é muito importante criar novos conceitos. Eu penso que a tecnologia da fotografia também pode tornar-se um meio que transcende géneros e os conceitos do meio”, remata o artista. J.F.

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