C.S.I: Crime Série Ilustrada

As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

Amizade demolida pelo jogo

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Dono de uma empresa de construção civil, H. é mestre em construir outra coisa além de prédios: amizades. Foi assim há cerca de um ano, quando o empresário de 43 anos conheceu W., um compatriota chinês, de 49. Os dois ficaram amigos e foi na base nessa amizade que H. chegou até um outro homem – U. – que se dedicava a emprestar dinheiro a apostadores em casinos. É que havia ainda uma terceira coisa que H. gostava de construir: torres de fichas de jogo.

Contraiu no dia 6 deste mês uma dívida de 500 mil dólares (515 mil patacas) de Hong Kong, sob a condição de fazer as suas apostas numa sala VIP de um casino da Taipa, usando uma conta de U., de quem recebeu um milhão de dólares de Hong Kong (1,03 milhões de patacas) para apostar. Os juros eram absurdos, mas tinha total confiança na sua queda para o jogo, pelo que aceitou as condições.

Habilidoso com as cartas, passados dois dias estava já a ganhar 2,74 milhões de dólares de Hong Kong (2,82 milhões de patacas), tudo dinheiro que ficou depositado na conta de U. Mas quando foi cobrar os seus ganhos, recebeu do dono da conta apenas 840 mil dólares de Hong Kong – 865 mil patacas –  e a promessa de que receberia o resto mais tarde. Como, a partir daí, U. ficou incontactável, H. dirigiu-se à Polícia Judiciária para apresentar queixa.

Os investigadores descobriram que os 1,9 milhões de dólares de Hong Kong a que H. teria ainda direito tinham sido levantados da conta no mesmo dia, mas não tiveram de ir muito longe, já que na quinta-feira, W. e U. se apresentaram espontaneamente na esquadra da PJ, para esclarecer a situação. U., o dono da conta do casino, negou que estivesse a praticar qualquer crime, uma vez que o dinheiro cobria uma dívida de jogo que W. tinha para com ele. Por sua vez, W. confessou ter usado o amigo e a sua habilidade ao jogo para lhe saldar a dívida sem que ele soubesse. Os dois foram presentes ao Ministério Público pelos crimes de usura e abuso de confiança.

Burla gay

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O grande dia estava a chegar e o coração do jovem B. saltitava de alegria: no espaço de algumas horas iria receber finalmente no Aeroporto um bonitão dos EUA que tinha conhecido numa rede social. Há muito tempo que vinham trocando mensagens, até que o americano decidiu vir a Macau conhecê-lo pessoalmente.

No dia 3 deste mês, B. recebeu uma mensagem de Kuala Lumpur, na Malásia, onde o voo do namorado virtual fazia escala. Mas o texto trazia más notícias: tinha ficado retido pela polícia malaia por estar a viajar com 84 mil dólares – 671 mil patacas – e precisava que o amigo lhe fizesse uma transferência de 4800 ringgits malaios – 8630 patacas – para poder pagar a multa e poder prosseguir viagem. Pouco depois, um alegado agente da polícia malaia ligou, indicando um número da conta Western Union, para onde B. transferiu o dinheiro no mesmo dia.

No dia seguinte, uma nova chamada da polícia, informando que a multa estava saldada, mas era preciso ainda pagar gastos com advogados: três mil ringgits – 5390 patacas – que B. enviou, assim como voltou a fazer um dia depois, quando eram precisos mais 2700 ringgits – 4850 patacas – para completar as despesas judiciais. Só à quarta chamada da polícia, com uma nova desculpa para pedir mais dinheiro, B. decidiu que era demais e apresentou queixa à Polícia Judiciária, que está a investigar este caso de burla.

 

As garrafas-cachimbo

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Respondendo a uma participação, os agentes da Polícia de Segurança Pública foram até a um apartamento na Rua Luís Gonzaga Gomes, com o intuito de confirmar se ali estariam mesmo a ocorrer actividades ilegais. Ao chegarem, encontraram sete jovens, todos com idades entre os 20 e os 30 e poucos anos. Iniciaram uma busca ao local, quando saltaram à vista objectos que indicavam o resto do material que viria a ser encontrado: algumas garrafas haviam sido modificadas para serem utilizadas como cachimbos.

Sem surpresas, acharam num dos quartos uma caixa com quatro saquinhos de plástico contendo 0,6 gramas da metanfetamina conhecida como “ice”, um outro saco maior, contendo 13 saquinhos com um total de 1,54 gramas da mesma substância, um isqueiro e uma garrafa-cachimbo. Outro desses bizarros objectos foi encontrado noutro quarto, juntamente com um saquinho de 0,14 gramas de “ice”.

Cinco dos jovens confessaram serem consumidores, o que foi confirmado pelos exames laboratoriais a que foram submetidos. Todos foram detidos e presentes ao MP pelos crimes de consumo ilícito de estupefacientes, detenção indevida de objectos para o seu consumo e tráfico de menor gravidade.

Vendedor ou motorista?

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Agentes da Polícia de Segurança Pública abordaram na quinta-feira passada, por volta das 13h, na Rua dos Cules, um imigrante que estava a conduzir uma carrinha para entregar produtos da empresa para a qual trabalhava. Ao analisarem a identificação de trabalhador não-residente do homem, contudo, os polícias depararam-se com a descrição da actividade autorizada como sendo a de “vendedor” e não de “motorista”.

Dirigiram-se então à proprietária da loja para a qual trabalhava, uma residente de Macau de cerca de 50 anos, dona de uma fábrica de farinhas. A mulher confirmou ter destacado aquele trabalhador para realizar entregas e alegou que apenas o fez devido à dificuldade em arranjar recursos humanos em Macau: como não conseguia contratar ninguém para realizar o serviço, pediu ao funcionário do balcão para que desse uma mãozinha também nessa parte do negócio.

A justificação não a livrou de ser presente ao Ministério Público por contratação ilegal de trabalhador não-residente.

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