Motorista em greve de fome apela ao fim das novas taxas de remoção de veículos

Wang Tin Iao esteve em greve de fome nos últimos dois dias, no Largo do Senado, numa iniciativa que teve por grande objectivo forçar o Executivo a recuar na decisão de aumentar as taxas administrativas associadas a veículos e transportes. Ao PONTO FINAL, o motorista de autocarros turísticos salientou que “nenhum representante oficial do Governo se dirigiu ao local”. O protesto, organizado pela Associação dos Motoristas Profissionais de Macau, termina na próxima meia-noite.

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Fotografia: Love Macau

Elisa Gao

Termina hoje o protesto de Wang Tin Iao, condutor de um “shuttle bus” que opera sob a alçada da Wynn. Wang escolheu a greve de fome como método de expressão para se posicionar contra o aumento das taxas administrativas decorrentes, por exemplo, das sanções por estacionamento ilegal em Macau. Apesar de ser o único a cumprir uma greve de fome de três dias – dois foram cumpridos no sábado e domingo – Wang, de 48 anos, foi acompanhado por outros membros da Associação dos Motoristas Profissionais de Macau, num protesto organizado pelo grupo e que decorre no Largo do Senado. Ontem, quando o PONTO FINAL visitou o local, estavam presentes dois manifestantes.

“Eu estou bem fisicamente, o que me dói é o coração. Nenhum membro oficial do Governo vem ver o que estou a fazer. Se alguns deputados vieram cumprimentar-me, porque é que os membros do Governo não vêm aqui para ouvirem a nossa voz?”, questionou Wang Tin Iao.

Ao PONTO FINAL, o manifestante explicou a razão de ter optado por se expressar desta forma: “Se eu não fizer isto [greve de fome], não vou ter comida para pôr na mesa em consequência do dinheiro que ganho a trabalhar ter que ser usado para pagar as penalizações”.

O salário mensal de Wang pode alcançar as 22 mil patacas caso trabalhe todos os dias. Se tiver folgas, não chega às 20 mil patacas por mês, explicou o manifestante.

Wang reside na zona norte da Península de Macau e estaciona geralmente o veículo que conduz de forma ilegal, junto à beira da estrada. Desde o dia 1 de Janeiro deste ano, o motorista já foi multado cerca de dez vezes: desembolsou 5 mil patacas até ao momento, mas ainda falta pagar 2 mil patacas.

Ainda que a empresa onde desempenha funções concorde em pagar metade das multas, Wang Tin Iao referiu que continua a ter de pagar mais de 3 mil patacas por infracções que considera absurdas: “Tudo bem, vou encarar isto como o custo do pagamento mensal de estacionamento. Não quer dizer que eu não procure lugares de estacionamento, não há mesmo espaço. Se eu encontrar, então posso estacionar o autocarro aí e seguir para casa no meu motociclo”, explicou o motorista.

De acordo com a legislação, a partir das 0h30 não são permitidos protestos. Na noite de sábado, por volta da meia-noite, quando se preparava para dormir no chão da praça do Leal Senado, Wang foi abordado por agentes das forças de segurança: “Caso não saísse do local, disseram-me as autoridades, seria acusado de desordem agravada”.

O motorista recorreu, então, ao deputado pró-democrata Au Kam San que se prontificou a ajudá-lo perante as autoridades. “Eu conheço a lei, estou neste local [Leal Senado] como qualquer residente normal de Macau pode estar. Há outras pessoas aqui.” O protesto prolonga-se até à próxima meia-noite.

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