Manila teme apetite voraz de Pequim

O Ministro da Defesa das Filipinas receia que as autoridades chinesas reforcem as suas pretensões no que ao domínio territorial sobre o Mar do Sul da China. Delfin Lorenzana está convicto que, mais tarde ou mais cedo, Pequim vai tentar construir no atol de Scarborough, situado a 230 quilómetros da maior ilha do arquipélago.

1.Scarborough.jpg

O Governo filipino receia que Pequim possa promover trabalhos de construção num recife próximo das costas do arquipélago, nas águas asperamente disputadas no Mar do Sul da China, o que “seria inaceitável”, disse ontem o ministro das Defesa do Executivo de Manila.

Em entrevista à agência noticiosa AFP, Delfin Lorenzana admitiu esperar que a China faça um dia trabalhos de terraplanagem no recife de Scarborough, que se situa a 230 quilómetros de Luzon, a ilha principal das Filipinas, e onde os pescadores filipinos têm lançado as redes há várias gerações, em águas abundantes em peixe. Scarborough está a 650 quilómetros da ilha de Hainan, a massa terrestre chinesa que lhe é mais próxima.

Pequim já criou numerosas ilhas e ilhotas artificiais no cobiçado Mar do Sul da China, tendo edificado infraestruturas militares em várias das novas criações.

Se a China fizer o mesmo em Scarborough, os analistas consideram que conseguiria o controlo militar de facto da região, o que Washington disse que não aceitaria. Pequim assumiu o controlo deste atol em 2012, depois de as marinhas dos dois países se terem confrontado.

Um novo posto avançado chinês em Scarborough constituiria a última etapa física importante para conseguir o controlo da região, devido à sua posição geográfica. As forças dos Estados Unidos da América deslocadas para o arquipélago passariam a estar ao alcance dos aviões de guerra e mísseis chineses.

Este recife permite dominar a saída nordeste do mar e um posto avançado chinês poderia servir para impedir as marinhas dos outros países de navegarem na região. Em Julho do ano passado, o Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia considerou ilegais as reivindicações de Pequim, que considera como território nacional a quase totalidade deste mar.

A China sustenta-se numa delimitação aparecida em mapas chineses dos anos 1940, que não é considerado válido por aquele tribunal. O Mar do Sul da China tem importantes reservas de hidrocarbonetos. Por outro lado, mais de 4,5 biliões de euros anuais de fretes transitam por estas águas.

“A sua estratégia é talvez de enfrentar qualquer potência que queria estar presente no Mar do Sul da China, porque pensam que lhes pertence – é como se fosse o seu lago”, disse o ministro filipino.

O Governo de novo Presidente norte-americano, Donald Trump, deu a entender que iria reagir a uma eventual tentativa de Pequim para reforçar o seu controlo da região. Durante a sua audição de confirmação, o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, declarou que Washington iria bloquear o acesso da China a estas ilhas artificiais.

Mas analistas já sublinharam que, para o fazer, seria necessário um bloqueio militar, o que seria considerado “um acto de guerra”.

Lorenzana considerou as declarações “muito perturbadoras”, sublinhando que o seu país poderia tornar-se palco de batalha entre as duas superpotências: “Se tivéssemos uma forte presença militar, poderíamos pará-los, mas não temos. Continuo a esperar que, no futuro, um tipo razoável em Pequim veja a luz e veja que o recife nos pertence. É querer a lua, mas quem sabe?”, questionou.

 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s