CSI: Macau

As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

Entre tachos e seringas

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Saltear os vegetais, cogumelos e outros ingredientes no wok – com o calor do fogo alto a aquecer-lhe o rosto – juntar-lhes a dose certa de tempero e fazê-los saltar no ar até era giro, mas já não chegava para satisfazer J. e as suas ambições. Fosse para apimentar o seu dia-a-dia, ou simplesmente para fazer mais uns trocos, o certo é que este cozinheiro profissional, de 39 anos, resolveu usar as suas horas livres para despir o avental e ir praticar um passatempo desaconselhado pelas autoridades: vender droga.

Comprava o material a F. – um porteiro de 53 anos que tinha o mesmo hobby – e ia distribuir entre apostadores de casinos e jovens estudantes, na zona do Porto Interior. Até que na sexta-feira, agentes da PJ foram encontrar J. a vender metanfetaminas junto ao casino Ponte 16. Na sua posse, o cozinheiro tinha 2,44 gramas de “ice”. Interrogado pelas autoridades, confessou o que estava a fazer, revelou ter adquirido as substâncias a F. e deu ainda as dicas que levaram a Polícia Judiciária até ao edifício onde trabalhava o porteiro, na Avenida Almirante Lacerda.

Quando os agentes ali chegaram, F. tinha na sua posse 5,96 gramas da mesma substância. Mais tarde, na sua residência, foram ainda encontrados utensílios utilizados no consumo e ainda uma grande quantidade de outros objectos destinados a dividir as drogas em pequenas porções. Tal como J., o porteiro admitiu que traficava a droga, mas recusou-se a revelar qual a sua origem.

De acordo com a Judiciária, as substâncias apreendidas podiam ser avaliadas em cerca de oito mil patacas. Os dois suspeitos, ambos residentes de Macau, foram encaminhados para o Ministério Público, onde tiveram de responder pelo crime de tráfico de substâncias proibidas.

Pedras mentirosas

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Um anúncio colorido saltou diante dos seus olhos quando se divertia com um jogo no telemóvel e A. deixou-se entusiasmar com a oferta: nada menos do que 990 mil pedras preciosas, 18 cartões de débito pré-pagos e ainda dois milhões de fichas para jogar nas máquinas em casas de videojogos… tudo por menos de 300 patacas.

Através do contacto de WeChat disponibilizado, comunicou com o alegado fornecedor que lhe disse que era preciso fazer algumas transferências por cartões de pré-pagamento, começando com 2200 dólares de Hong Kong (2266 patacas) para criar a conta e activá-la. Assim fez . “Quando é que começo a receber as pedras preciosas?”, terá perguntado. Mas não era assim tão simples. Antes era preciso fazer mais um depósito de seis mil dólares de Hong Kong – 6180 patacas –  para avançar com a transacção. Depois, outro de 7 mil dólares de Hong Kong (7210 patacas), como caução para que houvesse devolução em caso de negócio gorado.

Realizou todas as transferências, até ser surpreendido por outra mensagem: “Transação sem sucesso. Envie mais 20 mil dólares de Hong Kong (20 600 patacas) para tentar de novo”. Foi aí que lhe caiu a ficha. Fez queixa na Polícia Judiciária, que está a investigar o caso de burla informática, que causou um prejuízo de 15,2 mil dólares de Hong Kong (15 656 patacas).

 

Limpeza e descuido

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Não era um emprego de sonho, mas o trabalho como empregado de limpezas já dava para o trintão U. enviar uma ajuda à família no Vietname, pagar um quartinho num apartamento partilhado onde oferecia ainda abrigo ao irmão mais novo e a um amigo deste, ambos à procura de uma oportunidade semelhante em Macau, e ainda sobrava algum para se ir divertir com eles ao fim-de-semana.

Foi assim no sábado, quando estiveram na farra numa discoteca até às tantas. Eram já 7h30 quando se sentiu cansado e quis voltar para casa. Os dois mais novos acompanharam-no, mas a meio do caminho decidiram que tinham fome e ainda queriam mastigar alguma coisa antes de ir dormir. Iam a entrar no táxi quando foram surpreendidos por um agente da Polícia de Segurança Pública.

Não foram capazes de exibir identificação. Já na esquadra, os agentes apuraram que os dois jovens estavam em excesso de permanência em Macau e não tinham reportado a sua situação aos Serviços de Imigração na data que lhes tinha sido indicada. Perante o Ministério Público, foram acusados de desobediência. E nem o pobre U., que tinha a sua situação regularizada, se livrou de ter de responder pelo delito de acolhimento.

O cacifo mágico

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Sempre que se vai divertir àquela discoteca na Doca dos Pescadores, a jovem L. deixa a sua mala, com tudo o que tem de valor, dentro do cacifo, não vá a confusão na pista de dança dar azo a que alguém menos bem intencionado a roube. Não ter o dinheiro à mão também a livra da tentação de se deixar levar pelo entusiasmo e beber acima do seu limite: gere as senhas de consumo mínimo que compra à entrada e já está.

Ironicamente, no sábado passado, por volta das 4h, quando foi recolher os seus pertences ao cacifo, como habitualmente, foi surpreendida pelo que parecia impossível: a carteira, com dinheiro (10 mil patacas), cartões e documentos, tinha desaparecido do interior da mala, como que por magia. Apresentou queixa à Polícia Judiciária, explicando que não sabia como aquilo tinha sido possível, uma vez que tinha a certeza de ter trancado bem o cacifo. O caso de furto está agora nas mãos dos investigadores.

 

 

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