Projecto “Anno Gallus” prossegue, mesmo sem apoio do Venetian

O projecto de arte pública Anno não conta na edição de 2017 com o patrocínio da Sands China, que garantiu o financiamento das três edições anteriores. Mica Costa-Grande, um dos mentores da iniciativa, está em negociações com instituições culturais do território e assegura que o “Anno Gallus” estará nas ruas a 1 de Março. A mostra deverá seguir em Julho para Barcelos, para se instalar, mais tarde, na rota dos peregrinos que rumam a Santiago de Compostela.

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Sílvia Gonçalves

O projecto “Anno Gallus 2017” deverá invadir as ruas de Macau a 1 de Março. A retirada do patrocínio da Sands China – que financiou a três últimas edições – travou a inauguração da iniciativa na entrada do Ano Novo Lunar, mas os organizadores – agora em conversações com instituições culturais do território – garantem que as 25 esculturas de galos, que serão intervencionadas por 25 artistas locais, vão ser posicionadas em diferentes praças da cidade no arranque do próximo mês. A mostra de arte pública deverá estender-se depois a Portugal. O curador do projecto, Mica Costa-Grande, fala ao PONTO FINAL do convite da Câmara Municipal de Barcelos para expor os galos na cidade minhota em Julho, devendo as esculturas ser depois posicionadas ao longo do Caminho de Santiago.

“Tivemos um contratempo com o nosso patrocinador anterior, em que tivemos uma resposta muito tardia e negativa, mas vamos fazer de qualquer forma com outros apoios. Como isto é um projecto do animal do ano, ele não foi inaugurado no Ano Novo Chinês mas será no dia 1 de Março”, assegurou ontem Mica Costa-Grande ao PONTO FINAL.

Fundador e curador do projecto Anno – a par com Sofia Salgado, que assume a coordenação – o artista dá conta de conversações em curso para assegurar o financiamento: “Estou a negociar com duas ou três instituições locais, e em princípio a situação vai-se resolver ao nível dos apoios para fazer o projecto. Entretanto, no dia 1 de Março, é seguro que vou fazer. Agora como, onde vou buscar os fundos para fazer isso, não sei ainda”, assume. Costa-Grande não identifica, contudo, os parceiros com que diz estar a negociar: “São duas instituições culturais de Macau”, reitera.

Assegurada está a autorização para levar o projecto às ruas da cidade: “A única coisa que tenho é uma autorização do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais para fazer o projecto, como todos os anos. E o resto estamos prestes a fechar negociações, que podem ser positivas ou não”.

Mica Costa-Grande – que diz necessitar pelo menos de “meio milhão de patacas para cobrir todos os gastos” com a exposição – anuncia as novidades que pretende introduzir na edição deste ano, que passam por adicionar outros espaços expositivos às habituais praças da cidade: “Colocar os animais em sítios ainda mais expostos, como o aeroporto e o terminal marítimo e levar a exposição a Portugal. Tenho o apoio da Câmara de Barcelos. Aliás eu sou barcelense. O convite deles é para fazer uma exposição em Julho, associada a outras actividades ligadas com o Galo de Barcelos. E os galos serão depois posicionados, talvez de forma permanente, no Caminho português de Santiago, entre o Porto e Santiago de Compostela”, revela.

O artista que está “ainda a lutar pelo orçamento”, não deixa de manifestar surpresa perante a resposta do patrocinador das anteriores edições, que interrompeu o financiamento: “Nós tínhamos feito as primeiras três com eles e, à quarta, ficamos à espera como de costume. Tínhamos mais ou menos isso como garantido. E eles de repente disseram que este ano não tinham capacidade económica, não tinham interesse. Por isso nós tivemos que fazer uma espécie de projecto de contingência em que vai demorar mais um bocadinho a sair”, explica.

Mica Costa-Grande, que em Dezembro anunciou aos artistas envolvidos a indisponibilidade manifestada pelo Venetian, acredita que a limitação orçamental poderá não constituir a única explicação: “Foi uma justificação formal. Provavelmente têm outros motivos, mas obviamente eles só fazem uma justificação formal, não se vão comprometer com outras. Há várias histórias aqui locais e que podem ter contribuído, mas eu não sei. A única coisa que posso assegurar e afirmar é que eles disseram que este ano não tinham orçamento para apoiar o projecto”, conta.

O artista diz não ter indicação de que as acusações de anti-semitismo de que foi alvo por parte de Paulo Reis, autor do blogue “O Ovo da Serpente”, tenham contribuído para a quebra do patrocínio. “Não sei, não faço a mínima ideia. Mas interessa-me muito pouco se Sheldon Adelson [presidente da Las Vegas Sands, que detém o Venetian] é judeu, e eu não sou absolutamente nada anti-semita nem faço nenhuma apologia de nenhuma atitude que tenha a ver com isso”, garante. “Se isso teve alguma coisa a ver com o apoio ou não que o Venetian deu ao projecto, seria ridículo, porque não é uma afirmação substanciada. Eu não tenho nenhum julgamento legal, nem sequer público, de alguma vez ter participado nalgum tipo de actividades dessas”, garante Costa-Grande.

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