Economia deve voltar a crescer este ano a ritmo sustentável

O prognóstico é da Autoridade Monetária. A economia deve voltar a crescer a ritmo sustentável já este ano. A recuperação das receitas do jogo e a conclusão de infra-estruturas como o Terminal Marítimo da Taipa ou a Ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai devem ajudar a colocar o PIB na senda do crescimento.

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A economia do território deverá voltar a crescer a um ritmo sustentável em 2017, após dois anos de contração e de ter retomado o crescimento no terceiro trimestre do ano passado, prevê a Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

“A economia de Macau é susceptível de voltar a crescer a um ritmo sustentável depois de oito trimestres de ajustamento negativo. O crescimento económico positivo foi iniciado no terceiro trimestre (de 2016), sobretudo devido a uma melhoria no ‘net trade’”, refere o Boletim de Estudos Monetários da AMCM.

A AMCM cita as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), de que a economia em Macau vai crescer 0,2 por cento este ano e 0,4 por cento em 2018, depois de uma contração de 4,7 por cento em 2016.

A queda da economia esteve associada à diminuição das receitas dos casinos, que caíram continuamente entre Junho de 2014 e Julho de 2016, arrastando o Produto Interno Bruto do território.

Os casinos de Macau fecharam 2016 com receitas de 223.210 milhões de patacas, uma queda de 3,3 por cento face ao cômputo do ano anterior.

Este foi o terceiro ano consecutivo de queda das receitas dos casinos, mas a parte final do ano mostrou sinais de recuperação da indústria que constitui o principal motor da economia de Macau, com Dezembro a marcar o quinto mês consecutivo de subida das receitas em termos anuais homólogos.

O relatório da Autoridade Monetária observa que as receitas da indústria do jogo retomaram a trajectória de crescimento, apontando também as novas aberturas de ‘resorts’ integrados previstas para este ano e o próximo.

Além disso, refere que “os projectos de infraestruturas transfronteiriças como a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e o novo terminal marítimo na Taipa serão concluídos, sustentando o crescimento económico”.

Por outro lado, o documento refere que “a fraca procura interna (…) pode continuar em 2017”, mas que “não deverá prolongar-se para 2018”, quando é esperada “a retoma do crescimento do consumo privado a par da recuperação económica”.

“No entanto, os riscos associados ao ajustamento da política monetária dos Estados Unidos, o ritmo de valorização da pataca em relação às moedas que não estão indexadas ao dólar, o desempenho económico dos parceiros comerciais da região, e a direção do ajustamento do preço da propriedade, terão um papel importante em influenciar as perspectivas de crescimento de Macau a curto prazo”, adverte a Autoridade Monetária.

A entidade reguladora antecipa que “a inflação irá permanecer em níveis baixos em 2017, principalmente devido a vários factores externos e internos, incluindo a estabilidade dos preços das propriedades e rendas e a valorização da pataca”.

“Contudo, a esperada recuperação na procura agregada deverá conduzir a um ligeiro aumento da inflação”, refere.

A Autoridade Monetária estima que “o mercado de trabalho continue robusto”, com pouco espaço para o crescimento da taxa de desemprego, que foi de 1,9 por cento em 2016: “A grande proporção de trabalhadores estrangeiros num contexto de pleno emprego forneceu ao governo uma ‘almofada’ suficiente para ajustamentos na política e o governo tem uma posição clara, sustentada na preservação do emprego para os residentes locais”, acrescenta.

Além de referir o contributo da estabilidade financeira e monetária para a resiliência da economia, o relatório refere também que Macau “manteve a sua competitividade graças à contínua valorização das moedas dos seus principais mercados turísticos”, nomeadamente a República Popular da China, Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul e Japão.

A Autoridade Monetária observa ainda que a cooperação regional com a China Continental e Hong Kong “vai ser um factor de sucesso do desenvolvimento” de Macau e que “as pequenas e médias empresas e os jovens empreendedores devem participar activamente” neste processo.

 

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