Boicote às barbatanas de tubarão em Macau ainda deixa a desejar

 

Mais de 18 mil hotéis em todo o mundo aderiram à iniciativa de excluir dos menus dos seus restaurantes uma das iguarias mais apreciadas na gastronomia chinesa, a barbatana de tubarão. A pesca desmedida está a deixar várias espécies à beira da extinção. Em Macau, os hotéis que retiraram o animal da ementa ainda são a excepção.

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Rodrigo de Matos

Quem se sentar à mesa de um dos requintados restaurantes dos hotéis Grand Hyatt ou Conrad, em Macau, irá deparar-se com cardápios recheados de iguarias, mas nenhuma delas tendo como ingrediente as famosas barbatanas de tubarão. Isto porque as duas cadeias hoteleiras estão entre as que responderam positivamente aos apelos dos ambientalistas contra uma prática que tem dizimado as populações de várias espécies do imponente peixe, com consequências nefastas para a vida oceânica. Apesar disso, as barbatanas de tubarão continuam a ser servidas sem parcimónia em muitos outros restaurantes e hotéis do território.

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês) divulgou recentemente uma lista de cadeias de hotéis que aderiram à sua iniciativa e baniram dos seus restaurantes pratos confeccionados com barbatanas de tubarão. No total são 18 mil os hotéis em todo o mundo que responderam afirmativamente à campanha da organização. Alguns estão localizados na RAEM. Contactados pelo PONTO FINAL, responsáveis da organização admitiram no entanto que em Macau ainda há muito por fazer: “Sabemos que muitos hotéis de luxo em casinos de Macau continuam a servir barbatanas de tubarão e a resposta geral do sector à crise global dos tubarões em Macau tem sido decepcionantemente lenta em comparação com Hong Kong”, considera Andy Cornish, líder da Iniciativa Tubarão e Raia, da WWF Internacional.

A cadeia Hongkong Shanghai Hotels – proprietária dos hotéis Península – foi das primeiras a responder ao apelo da WWF, anunciando, logo em 2012, que iria retirar os pratos com barbatanas de tubarão dos seus menus. A Shangri-La Hotels and Resorts viria a imitá-la pouco depois. Seguiram-se anúncios semelhantes de algumas das maiores cadeias internacionais de hotéis, incluindo a Hilton, que opera 4700 unidades hoteleiras em todo o mundo, incluindo Macau.

 

Tubarões em perigo

 

De acordo com o Fundo Mundial para a Natureza, 25 por cento das mais de mil espécies de tubarões e raias encontram-se actualmente ameaçadas de extinção, sendo a pesca em larga escala a principal causa. A procura internacional pela barbatana de tubarão é o principal motor dessa pesca excessiva. O resultado: declínios nas populações de tubarões que ultrapassam nalguns casos os 95 por cento: “Os tubarões têm um papel crucial na manutenção dos ecossistemas marinhos e, por isso, impedir a sua diminuição trará benefícios para os oceanos e para as pessoas que deles dependem que vão muito além da conservação de espécies individuais”, observou Andy Cornish, afirmando-se empenhado em continuar a tentar convencer cada vez mais hotéis e outros estabelecimentos a pararem com a venda de barbatanas de tubarão. “Esperamos que a larga maioria assim o faça num futuro próximo”, afirma.

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