Incongruências nas estatísticas demográficas preocupam Mak Soi Kun

O Gabinete do Estudo das Políticas da RAEM concluiu que, em 2020, a população do território deverá atingir as 710 mil pessoas. O deputado Mak Soi Kun desconfia das estimativas e está arreliado com a tendência de diminuição da taxa de crescimento populacional prevista pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos.

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A previsão de que a população de Macau atinja a barreira dos 710 mil habitantes em 2020 foi ontem explicada em detalhe pelo Gabinete do Estudo das Políticas, ontem, na Assembleia Legislativa. Apesar do ritmo de crescimento demográfico não se apresentar linear, o rápido desenvolvimento económico verificado durante a última década faz-se acompanhar de um crescimento populacional também ele exponencial. A taxa de natalidade e o aumento da esperança média de vida, bem como a entrada de mão-de-obra do exterior em Macau, são outros dos factores que impulsionam o contínuo aumento da população, assinalou  o organismo.

O deputado Mak Soi Kun não sei deixa, no entanto convencer e questionou o Governo sobre as conclusões do Relatório sobre o Estudo da Política Demográfica de Macau divulgado em Junho de 2015, documento que apresenta a análise da estrutura demográfica, que submete a escrutínio a evolução dinâmica e os possíveis factores que influenciam o crescimento da população de Macau: “Este aumento é real e resulta de estudos empíricos? Ou é uma meta já definida pelo Governo?”, interrogou.

Lau Pun Lap, coordenador do Gabinete de Estudo das Políticas de Macau, explicou que a estimativa pretende apenas servir de consulta para o Governo e os serviços responsáveis que, a partir do número de habitantes previsto, definirão as políticas que deverão nortear a acção do Executivo.

Apesar de “a situação económica de Macau conhecer alterações consecutivamente e, por isso, ser difícil fazer um planeamento”, a “estimativa é que a economia de Macau [conheça] um desenvolvimento a ritmo médio/rápido”, manifestando-se um aspecto significativo no âmbito do crescimento populacional, referiu Lau Pun Lap.

A importação de trabalhadores também implica uma mudança do espectro demográfico do território. O Governo, diz o responsável, já começou a definir “diferentes estratégias para melhorar o desenvolvimento e educação de talentos, maximizar o potencial inovador e resolver a questão profunda de falta de recursos humanos – não focando a quantidade mas sim a qualidade”, acrescentou Lau Pun Lap.

 

Mak Soi Kun preocupado com a população mais idosa

 

O envelhecimento progressivo da população, por outro lado,  é outra das questões que preocupam Mak Soi Kun. O Gabinete do Estudo das Políticas da RAEM prevê que a população aumente, mas o deputado salienta na sua interpelação oral que os dados estatísticos revelam que a tendência é para a diminuição, nomeadamente na população em idade activa: “Em 2014, a taxa de crescimento foi 4,6 por cento e a de natalidade  atingiu 11, 8 por cento e, em 2015, a taxa de crescimento foi de apenas 1,6 por cento e a taxa de natalidade de 11 por cento”, referiu Mak Soi Kun.

“E se houver descida constante da taxa de crescimento populacional e, por conseguinte, o crescimento populacional não atingir o referido número? Será isto um obstáculo para o desenvolvimento sócio-económico a longo prazo, assim como para as necessidades do desenvolvimento da diversificação adequada da economia, por exemplo, o desequilíbrio dos recursos humanos, o envelhecimento populacional?”, questionou o deputado.

Lau Pun Lap assinalou que o Governo tem um plano e que as preocupações do deputado estão salvaguardadas: “Já temos um rumo definido e vamos elaborar as estratégias para todas as fases da vida, desde o nascimento até à terceira idade. (…) Vamos promover a concretização do plano para cuidados de saúde para os idosos, (…) pretendemos ainda realizar trabalhos para que os idosos possam continuar a viver nas zonas onde residem e continuar a colaborar com associações para prestar mais apoios à sociedade”.

O coordenador do Gabinete do Estudo das Políticas rematou a sua intervenção com a garantia de que o Governo “não menosprezou as vozes da sociedade”. J.F.

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